terça-feira

O meu espaço Entre a Serra e o Mar

 

Tenho um quarto/atelier para dar asas à imaginação, criar com pontos e linhas, experimentar trapos e brincar com cores. O que torna mais fácil o momento criativo é ter tudo à mão e aos olhos, organizado q.b. e pronto a ser pegado. Para isso doei linhas e lãs, revistas de modelos e alguns livros que fizeram as delícias das artistas e criativas do Mucifal. Combatendo a ansiedade que me provoca ter "materiais" à espera da minha vontade e disponibilidade, ataquei uma coleção de novelos de alpaca, que adquiri impulsivamente numa promoção da Drops, e estou a tricotar um xaile, pegando aleatoriamente nos novelos que coloquei numa cesta. Até conseguir esvaziar a cesta vou tricotando xailes, o próximo que estou a pensar tricotar é o Half+Half . Dada a dimensão dos dois xailes, penso que terei feito uma boa opção para solucionar o acumular de novelos da Drops. 
De hoje em diante espero conseguir comprar materiais, desde lã a tecidos, apenas quando tiver um projeto em vista. Quero pôr um fim a compras impulsivas, com a desculpa de que são um investimento, porque "aproveitei promoções!".
Memórias físicas das viagens vou tentar limitar às chávenas de chá e às chamadas Tea Towels, materiais (lã e tecidos) só se for em quantidade suficiente para um determinado projeto em vista. Isto vai ser o mais difícil de cumprir tal como planeado, mas quero manter este espaço "Entre a Serra e o Mar", tal e qual como sonhei e idealizei um dia! 
 

domingo

Os milagres existem


Os milagres existem sim, mas temos de nos empenhar para que eles se realizem. É necessário dar uma ajudinha do lado de cá, todos os dias da nossa vida. Foi o que o meu paizoco fez e por isso fomos com ele agradecer à Mãe das Mães. Gostava de ter mais fé, nem sei no que acredito, mas é preciso sentir que existe algo superior a nós com que podemos contar. Os seres espirituais encontram felicidade na força do poder espiritual. Não sei o que penso, nem sei mesmo o que estou para aqui a escrever, mas tive lágrimas sentidas ao som dos sinos e nas minhas preces de agradecimento! Senti uma certa paz no fecho deste ciclo de sofrimento, lutas e vitórias. Gostava de ser como a minha irmã, mas já é uma grande bênção ter alguém como ela na nossa vida. Quando fui com a minha irmã fazer uma última prece, no fim ela beijou-me o rosto e eu explodi de alegria, com a certeza que tudo vai ficar sempre bem, desde que a tenha ao meu lado, mais os meus irmãos. 

sexta-feira

Uma nova casa para os meus livros




 Uma casa nova levou-nos a um novo estilo de vida. Começámos por tentar "destralhar" de tudo um pouco e passámos à etapa da procura de espaços públicos onde tudo aquilo que apreciamos pudesse ser desfrutado por outros. É a casa mais minimalista que alguma vez tivemos, o que nos permite mais liberdade e nos dá mais espaço e tempo. Não somos escravos da casa. Rotinas simples são suficientes para manter tudo limpo e em ordem. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas ganhar coragem para os primeiros passos foi o mais difícil, depois fica mais fácil abdicarmos de algumas coisas e evitarmos consumir/acumular.  
Criamos novos hábitos, em vez de irmos regularmente a livrarias vamos a Bibliotecas. Aqui partilho o exterior de uma das minhas bibliotecas favoritas.

Em termos de roupa a razia foi brutal. Ainda assim quero rever o que tenho.
É tão mais simples viver com menos! 

quinta-feira

Trabalhando a "cura"





Finalmente retomei as agulhas. Se por um lado sentia a falta de ter as mãos ocupadas, por outro lado não tinha vontade de fazer nada, nem de ver nada, nem de ouvir nada! Não era eu. Regresso aos poucos à Sofia que sempre fui. Recomecei a caminhar, percorrendo as ruas desta aldeia em verso, que me levam até ao mar e comecei a ter "vontade". Comecei por um projeto pequeno de malha, o ursinho Tsutsu, com fio Vovó, recuperado da camisola que desmanchei. Simultaneamente reconquistei a concentração na leitura e devorei, literalmente, "Uma vida e três cães", de Abigail Thomas. A um ritmo mais lento, regressei a experiências culinárias, mas ainda não organizei a cozinha nova, que me tem dado dores de cabeça, por erros sucessivos e não assumidos, da projetista! O que salva a situação é a cozinha ser de facto bonita e de qualidade.

quarta-feira

Sem vontade de fazer malha, preparo-me para a mudança de casa

 Amanhã será o primeiro dia do começo da mudança de casa. Espero que não seja "mentira"* da empresa de mudanças!

Com a mudança à vista e tendo já concluído tudo para o neto e a camisola que estava a fazer, resolvi iniciar um Xaile, para utilizar as sobras de alpaca, mas não estou com vontade de fazer malha. Apesar de estar desligada da comunidade do tricot e dos podcasts assiti e recomendo a consulta das gravações da Sandra, onde ensina/explora como utilizar todas as potencialidades do Ravelry.




Kit epp, com tecidos com padrões copiados da colcha feita por Jane Austen, em conjunto com a mãe e as irmãs.

De momento virei-me para o patchwork, tendo investido em alguns livros, tecidos e num Kit.

Retomei trabalhos antigos, colocados de parte, quando comecei a pensar que não conseguiria mudar de casa. Agora, esses trabalhos, merecem toda a minha atenção. Só penso na nova casa e em pequenos detalhes que quero fazer.

Tenho visto muitos tutoriais e aulas em diferentes plataformas, além do investimento em livros de patchwork e hoje virei-me para os livros de cozinha, The Bloomsbury Cookbook e The Official Downton Abbey Afternoon Tea Cookbook: Teatime Drinks, Scones, Savories & Sweets (Downton Abbey Cookery) Cheguei a estes livros pela Miranda´s Notebook

Não vejo a hora de estar instalada. Posso ir montando a casa a pouco e pouco mas, o quarto destinado a trabalhos criativos, meus e deles, será o primeiro a ficar pronto!

Preciso muito disto! Têm sido momentos difíceis, noites de insónia e muita ansiedade. Trabalhar na cura deste mal-estar passa por deitar mãos à obra e pelo tempo em que invisto nas diferentes etapas do processo criativo.

*1 de abril, dia das mentiras

domingo

Caitlin Hunter e uma questão de números

Hoje é 21-2-21, como tal escolhi, uma vez mais, o dia de hoje para colocar a escrita em dia.





Tenho andado horas-a-fio de agulhas nas mãos a rever episódios das Knitters League, foi a forma que encontrei para me sentir acompanhada durante este isolamento. Assim que der, e numa tentativa de criar laços com a nova comunidade a que pertenço, pretendo desafiar as tricotadeiras, e não só, para um encontro de agulhas, talvez na Aldeia da Praia. Embora me considere introvertida, tenho saudades dos encontros de tricot!

Em relação à camisola que estou a fazer:

Fui cativada por uma fotografia da Luísa Ló, da Malhas&Cia e, de imediato, comecei a trocar mensagens com a Luísa, que se ofereceu para fazer um kit com a lã necessária para uma camisola, num dos meus fios preferidos, Rowan Felted Tweed. A Luísa apresentou-me duas sugestões, uma com a cor cereja e outra em amarelo. Evitando ficar sem mais uma das minhas camisolas, optei, estrategicamente, pelo cereja, uma vez que a minha filha, que mais me "leva" camisolas, adora o amarelo! Estou a gostar bastante do resultado. As instruções são claras e fáceis de seguir, no entanto os aumentos junto das tranças não me convencem, sendo feitos de igual modo, quer incline para a esquerda, quer para a direita. A primeira camisola que fiz da Caitlin Hunter, Birkin Outonalé uma das minhas favoritas, a próxima que vou fazer é também da Caitlin Hunter, mas, a meu ver, recentemente revela uma certa tendência para modelos muito curtos. Evidentemente que ela sugere, para quem gosta de camisolas mais compridas, o local onde deve acrescentar carreiras, algo a que tenho de estar sempre atenta na hora de adquirir os fios. Outro modelo, que terei de repetir, é o que acabou por ficar para minha filha Madalena, Flores de Outono.

A malha tem sido uma ajuda de peso no combate à ansiedade!

Não vejo a hora de me instalar na nossa casa nova.

Do outro lado da rua, a vista da janela do meu futuro quarto


Por agora contento-me com caminhadas pela zona e a travar conhecimento com a gente da terra, que tem muito para me ensinar!


Antes de terminar, hoje fomos apanhar ramos de eucalipto para coroas anti-traça, uma proteção eficaz das lãs.



quarta-feira

Yarn-Along - February



Malha

Nas agulhas tenho, na fase final, mais um conjunto da PetitKnit. A agulha dos bordados vou ocupar a bordar a primeira fralda, do próximo neto, igual à do primo

A minha filha está a fazer uma manta e transformou um esquema num documento excel, de forma a não se perder, já que é o seu primeiro trabalho, após anos sem fazer malha! Já sei a quem recorrer quando quiser transformar modelos.

Terminados os projectos para o neto, terei de terminar a camisola a que dei o nome de Simplesmente Vanilla. Uma camisola que teve como único objectivo experimentar o fio Finull Rauma, sabendo que seria um modelo rápido e confortável, uma vez que já fiz o mesmo modelo para a minha filha.

Segue-se uma camisola para o avô e mais uma para a avó sofia.

fotografia copiada do Ravelry

Quero ainda experimentar o fio Aurora da Rosários 4, combinado com as meadas da Drops, há muito a aguardar um caminho. Talvez experimente a camisola Ranunculus ou a Sunday Sweater! Gostava ainda de experimentar  o Xaile Douro, que a Filipa Carneiro sugeriu na passada sexta-feira, mas temo ser ambiciosa atendendo ao pouco tempo disponível. Tento ser disciplinada na compra de fios e modelos, investindo apenas nos modelos necessários para os fios que já tenho e nos fios que combinem com sobras ou meadas, que adquiri por impulso, noutros tempos! E a propósito adquiri um modelo de xaile , que vi no podcast da Emma para utilizar as minis que comprei no Edinburgh Yarn Festival. De imediato lembrei-me que preciso de colocar as mangas na minha camisola! O mal de interromper os projectos é que levo muito tempo a retomá-los porque já não me lembro o que se seguia!

Após a organiação das ideias, para a partilha no Yarn-Along, sinto que tenho tudo alinhado para os próximos tempos. Não foi tempo perdido no computador, antes pelo contrário, foi muito útil!

Livros

Tenho folheado as minhas últimas aquisições de livros com modelos de meias, a Laine  e de luvas. Faço um esforço enorme para não iniciar já um par de meias, pois considero serem um projecto mais portátil e adequado ao calor. Quero aproveitar estes dias frios, e o confinamento, para adiantar camisolas. Mas a verdade é que, na nossa nova casa, vamos precisar todos de meias novas, uma vez que iremos ter mesmo de nos descalçar antes de entrar em casa. Nada como meias bonitas para motivar a família a cumprir uma regra antiga mas que nem todos seguiam!

Na cabeceira tenho "Uma noite no Expresso do Oriente", mas ando tão cansada que me tenho perdido nos primeiros capítulos de apresentação das personagens! Gostei do último livro que li da Veronica Henry, "Uma Receita de Família".

No momento em que ía partilhar com a Ginny, descobri que, provavelmente irá fazer uma pausa na rubrica Yarn-Along.

segunda-feira

Sacos para a maternidade e um exercício de escrita

 



Sou ligeiramente introvertida e tímida, características que me impedem de partilhar os meus trabalhos e ideias, num podcast. Permaneço fiel a este meu canto, fazendo uma compilação dos meus trabalhos, em jeito de portfólio, onde posso sempre voltar e consultar notas, vídeos e tutoriais, que partilhei, bem como recordar momentos criativos, viagens, livros, séries e filmes. Manter-me blogger, a cada dia que passa, torna-se mais solitário, mas é em si um exercício de escrita, sendo algo que sempre gostei de fazer. Hoje o exercício de escrita é partilhar de uma forma sintética a forma como decorei os sacos de maternidade, para a minha filha.

Comecei por preparar a minha Bernina. Após ter estado meses sem ser usada, teimava em não ligar. Recorri, como sempre que me deparo com um problema deste tipo, ao YouTube e encontrei a solução. 

De seguida, limpei e oleei a máquina de costura.

Procurei, na gaveta da família, retalhos em algodão, com cores e padrões do meu agrado, sabendo que a minha filha também iria gostar.

Desenhei, recortei e colei entretela nos tecidos. 

Apliquei à máquina.

Et Voilá!

Para um bebé que terá por companhia uma trupe canina.

A família dos 3 peixinhos foi pensada para um bebé que está previsto nascer sob o signo de Peixe.

Para um bisneto de piloto-aviador

Só falta "rechear" e parte do recheio já está feito! (a malha aqui no blog ou aqui, no Ravelry)

Ainda por teminar!
Faltam os botões!

sexta-feira

Test Knit - Agasalhos e Bugalhos


Modelo no Ravelry (aqui)


O meu primeiro Test Knit foi uma excelente experiência! Tinha tudo para correr bem, atendendo ao excelente trabalho da designer portuguesa, Sandra Magalhães. As instruções são detalhadas, acompanhadas por fotografias de boa qualidade e vídeos explicativos. Os diferentes tamanhos são destacados a cores. Não utilizei o fio recomendado, mas fiz questão de fazer com uma lã portuguesa. 
Em confinamento, as escolhas tornam-se complicadas, mas graças à disponibilidade, simpatia e profissionalismo da Sacha, da loja The Craft Company, que, pacientemente, após troca de inúmeras mensagens e fotografias, ajudou-me na escolha do fio, um processo que parecia complicado, acabou por resultar e ser simples, para mim, como cliente. Recebi, ao final do dia, entregue em mãos, os novelos, botões e mais um livro, da Laine, que há muito andava a namorar.
O fio Terra resultou num trabalho fofo, sendo agradável de trabalhar, apesar de preferir fios mais finos. Esta substituição de fios obrigou-me a fazer várias amostras até conseguir o número de pontos, por 10 cm, que a Sandra recomendava. Um fio desta espessura e um modelo tão fácil de seguir e de simples execução, tornam este modelo o indicado para um presente de última hora, para uma mamã.
Nunca aderi a Test Knit porque não gosto de sentir a ansiedade que acarreta ter uma data para cumprir. Como já disse, noutras ocasiões, os trabalhos de agulhas são para descontrair, sendo uma terapia nos momentos menos bons e mais difíceis. Ainda assim aderi ao teste, uma vez que a Sandra dava um período alargado e maior do que aquele que o meu neto, que está para nascer, me está a dar. Os projectos para os netos dão-me uma enorme satisfação, mas faço-os sempre como quem está a correr contra ao tempo. 
Por agora, ainda tenho em falta, a lavagem de todos os trabalhos de malha, bordar a primeira fralda e os sacos para a maternidade. Terminados os preparativos para a maternidade, fica a faltar um boneco, uma colcha de patchwork e mais uns quantos projectos daqueles "para se ir fazendo".

segunda-feira

#Slowlife #Slowliving



Abrandar o ritmo de vida é algo que se tornou fácil com este confinamento. Aproveito a oportunidade para pegar nas agulhas horas a fio, evitando assim lamentos, tristeza e pensamentos negativos. Com as mãos e mente ocupadas não projecto o pensamento para o futuro, não tento adivinhar como vai ser a nossa vida daqui por uns meses, ou quando for seguro viver livremente. Encontro conforto e alguma serenidade, vivendo o momento, abrandando o ritmo dos dias. Estou em férias forçadas e vou aproveitá-las ao máximo. Neste momento preparo a chegada do neto. 

Já consegui reunir conjuntos, de malha, para os primeiros dias, faltando-me apenas fazer e rechear os sacos para a maternidade. Ainda terei de fazer um boneco, talvez o pequeno urso Tsu-Tsu, com o fio vovó, da camisola que desmanchei. Quero bordar uma fralda e fazer uma manta de patchwork, mas só depois de me instalar na nova casa. As calças que vou testar, para a Sandra Magalhães, também irão para um dos sacos da maternidade, mas aguardo a entrega do fio que comprei na The Craft Company, como forma de apoiar o comércio de Cascais. Apoio, em tempo de confinamento e não só, as vilas e aldeias onde passarei a fazer o meu dia-a-dia. Cascais é uma dessas vilas porque faz fronteira com meu concelho e depressa chego lá por uma das estradas mais bonitas aqui da zona.

Projectos para o neto, notas na conta Ravelry:

Wee envelop - Ysolda Teague

Combinando com a avó -  Petiteknit

Calças azuis - modelo da bisavó

Casaco Indigo - Isabel Demarchais

Envolta da Shetland -  Gudrun J. 

Em verso - PetiteKnit (em verso, porque a minha aldeia é conhecida pela "aldeia em verso")

POP em verso! - Rachel Atkinson - ainda faltam as mangas!

Em todos os modelos faltam os botões e em alguns falta rematar.

 Ainda tenho "horas a fio" para me entreter!

quinta-feira

Acima de tudo, é Terapêutico!


Os livros que tenho lido, os chás que os acompanham e o que tenho nas agulhas.

Uma pausa, uma fotografia para vos mostrar de onde escrevo, a mesa carregada com os meus "bens essenciais e terapêuticos"

Os livros que aguardam um pouco mais do meu tempo, a camisola que ficou em pausa até terminar os projectos para o meu próximo neto

Ver séries ao ritmo das agulhas, ler no comboio e escrever um pouco aqui, acima de tudo são actividades terapêuticas, e é disso mesmo que estou a precisar. Todos vivemos tempos difíceis, mas nem todos temos a mesma forma  de os encarar. Eu não tenho a mesma forma de os encarar nem sequer ao longo do dia! Acordo e faço o meu "exercício de gratidão", tomo o pequeno-almoço e dedico uns minutos ao meu yoga, que é como quem diz, às minhas agulhas. Apesar de tudo,  até aqui , tudo corre bem. Passo pela nossa casa, ainda em obras, e fico feliz apenas com a visão das minhas novas vizinhas.

Assim que deixo a minha aldeia e tomo o caminho para a estação, começam os meus lamentos e a minha revolta. Como professora, sinto-me "carne para canhão", sem vacina ou condições de trabalho. Apanho o comboio e pego num livro, envolvendo-me na vida das personagens e esquecendo os riscos que estou a correr. À chegada a casa dos meus pais é sempre o mesmo receio e os mesmos pensamentos, desinfectando-me na medida do possível. Sentir que eles precisam de mim e que estou presente, faz valer apena os riscos. O coração fica pequeno quando me tenho de despedir para ir para a escola. O meu pai sempre com a mesma pergunta "E tens mesmo de ir? Porque é que não ficas mais um bocado? Aparece mais vezes!". A minha mãe, pacientemente, diz que os visito todos os dias. Sigo para a escola angustiada por saber que tenho de aprender a aceitar o meu pai sem memória, perdido, a tentar preencher o seus dias, mansamente lutando por uma independência que lhe foi definitivamente vedada. Na escola os alunos recebem-me com um sorriso escondido pela máscara, com  uma animação constante e própria da idade, passando-lhes ao lado aquilo a que chamam por aí "a nova normalidade". Sinto-me com forças e deito mãos à obra, ao que nasci para fazer, ensinar. Tudo corre bem até ao momento em que esbarro "naquele" aluno que me tira do sério e que me faz por em causa o que estou ali a fazer, correndo o risco enorme de me contaminar e de contaminar aqueles que mais amo. Obrigo-me a pensar nos restantes alunos, na verdade, a maioria dos meus alunos. Obrigo-me a arranjar força para essa maioria, mas não é nada fácil. 

Regresso a casa embrenhada na vida das personagens, sou uma intrusa numa pequena aldeia inglesa e volto a sentir-me segura, sem o estar. Acompanha-me uma falsa sensação de falta de ar, um peso no peito, sensações constantes no final dos meus dias. Um mal estar que não desiste de me perseguir! 

Chego a casa, tomo um banho quente, janto e pego de novo nas minhas agulhas e vejo séries até o sono chegar. E assim vivo estes tempos difíceis, conseguindo "desligar" com a leitura e "descomprimir" com as agulhas. Os meus trabalhos de mão, acima de tudo, são terapêuticos! Não preciso de mais camisolas ou casacos, nem de bordados ou mantas de patchwork. As minhas mãos não param porque são elas que mantêm o meu equilíbrio emocional. Apenas os trabalhos que faço para os meus netos é que são efectivamente necessários, ainda assim têm também uma componente terapêutica.

O fim-de-semana passado, resolvi aceitar, pela primeira vez, um teste de tricot de uma designer portuguesa, a Sandra Magalhães, de "Agasalhos e Bugalhos". Testar um modelo vai dar um novo sentido/propósito ao próximo trabalho de malha, à minha próxima dose de "terapia". Irei iniciar assim que terminar o que tenho em mãos, enquanto vejo mais uns episódios da série "Modern Love", na Amazon Prime. A série foi sugerida pela Julie das Knitters League, e como me identifico imenso com ela resolvi experimentar ver um episódio e depois seguiram-se os outros. Recomendo, também na Amazon Prime, "Same Kind of different as me" e "The neigbhor's Windom".

Malha, livros, filmes e séries, são a prescrição  para a minha terapia de combate à ansiedade, uma "automedicação" que tem resultado, mas que não tem sido suficiente. Talvez seja apenas uma questão de reforço da dose!