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sexta-feira

Ragamuffin 2: mais um entre os muitos projetos que quero bordar

Materiais reunidos para muitos anos. Um pequeno excesso, sem dúvida! Um arrependimento? Nem por isso. Escolher o primeiro projeto será, talvez, o maior desafio.

O meu recente regresso ao ponto de cruz tem-me deixado fascinada pela História. Estudar Samplers antigos e reproduzi-los é uma nova forma de olhar para o ponto de cruz.

Gosto de romances históricos e de policiais, acompanhando entusiasticamente o trabalho dos detetives.Talvez por isso me tenha rendido novamente ao ponto de cruz. Cada Sampler antigo levanta perguntas e convida à investigação. Gosto de acompanhar esse trabalho de pesquisa, de seguir o percurso de quem investiga essas pistas e de descobrir as pequenas histórias que delas emergem, quase como numa investigação policial. Esta nova dimensão do ponto de cruz é a que mais me tem interessado, talvez porque puxa mais pelo cérebro, uma preocupação que é uma constante no meu dia a dia.

Claro que tenho colecionado materiais para iniciar projetos que nada têm de histórico, como é o caso dos da Brenda Gervais, pelos quais fui atraída pelo equilíbrio das cores e do desenho, bem como pelas frases, cujo significado me diz bastante.


Escolhi alguns desses projetos para os novos quartos da casa que, finalmente, começo a sentir que é minha. Deixou de ser apenas a Casa no Pinhal para passar a ser a nossa casa Entre a Serra e o Mar.

Mas não me fiquei pela Brenda Gervais. Tenho ainda um esquema com uma frase da Jane Austen e muitos outros, sobretudo em formato digital. Uma verdadeira loucura, mas não resisto. Acabo por me deixar influenciar — ou, talvez mais justamente, inspirar — pelos Flosstubes que acompanho.


Como as obras da casa se atrasaram, sinto-me, talvez por isso, mais tentada a dedicar-me a projetos que contam uma história e me transportam ao passado do que a projetos pensados para o presente. Parece que preciso de algo mais do que apenas bordar para a casa; preciso de desafios maiores, de novas aprendizagens e de estimular o cérebro.

Andando perdida, sem saber por onde começar, vou esperar pelos linhos que a minha filha me vai trazer. Depois, juntas, escolheremos o projeto — ou os projetos — a iniciar.

De Samplers históricos, estou a participar no SAL GH 1857. Quero também participar no da Hannah Whitaker, bordar para o quarto dos netos o Sampler da Beatrix Potter e, mais recentemente, adquiri mais um esquema quaker: Ragamuffin 2.

Imagem copiada da loja onde se pode adquirir o esquema

Este último distingue-se por fugir aos tradicionais medalhões quakers*. Adorei as cores pastel, a simplicidade do rebordo e o aspeto rendado do alfabeto, bordado em Algerian Eye, podendo também ser executado em Double Cross Stitch ou seguindo um tutorial que encontrei no youtube.

Para este modelo ainda não tenho nem linhas nem linho. Talvez opte por linhas DMC, para ficar mais em conta, atendendo aos meus gastos — ou, melhor dizendo, aos meus investimentos recentes. 

Escrevo para arrumar ideias, guardar informações a que quero voltar, exercitar a escrita e, já agora, conservar esta imagem que retirei de um vídeo da Jackie. Daqui a algum tempo, sei que será mais fácil recordar por que razão este modelo me chamou a atenção e o que me inspirou quando decidi incluí-lo na lista dos projetos que gostaria de bordar.

O estado de estar completamente absorvido num projeto de ponto cruz, felizmente alheio ao mundo exterior e às suas preocupações triviais - pausa mental, respiro cognitivo, fuga ao stress

Hoje passei o final da tarde, uma vez mais, presa ao ecrã. Vi, na Netflix, o filme A Head Full of Honey. Não o escolhi por acaso. Fui atraída pela relação do avô com a neta, que vislumbrei no trailer do filme, e, como tenho pensado mais no meu Paizoco, quis compreender um pouco melhor o que é viver com Alzheimer, embora isso me deixe sempre angustiada. Lembrei-me da tarde em que juntos ouvimos músicas do seu tempo. Sabia todas as letras e cantou, fazendo a minha mãe feliz outra vez. Vi o filme fazendo malha. Chorei, ri, voltei a estar com o meu Paizoco e voltei a sentir medo. Muito medo de um dia vir a ter Alzheimer e de sentir o meu cérebro transformar-se, lentamente, numa pasta de mel. Fica a questão: será que, se esse dia chegar, a leitura do meu blogue me poderá ajudar? Juntamente com o "Calendário da Gratidão", com todas as memórias que fui guardando em papel e com todos os pontos que fui tecendo e bordando com as minhas agulhas!

*Nota: recentemente descobri, nas minhas pesquisas, a ligação dos Quacker à família Cadburry.

segunda-feira

Mudança de planos

No quarto dos netos onde me encontro muitas vezes com as agulhas na mão

Planos são isso mesmo, apenas planos! No meu caso são uma forma de listar os materiais adquiridos e de levar a bom porto os investimentos que faço. Assim que saiu o painel de Natal da Jo, sabia que queria fazer. Adquiri o kit e juntei-lhe mais uns quantos tecidos que tinha em casa. Acreditei que conseguiria fazer a tempo do Natal de 2022, mas há tanta coisa boa na vida em que tropeço no caminho que percorro, que o traçado de um plano, rapidamente sofre desvios. Em Julho retomei o Calendário do Advento a pensar que terminaria para este Natal mas, entretanto, outros projectos chamam por mim. Irei dar prioridade ao que quero fazer para os netos para eles desfrutarem enquanto têm idade para isso. Por vezes atrasar um ano os modelos que gostaria de oferecer aos netos, significa que quase já não faz sentido. Como tal, vou iniciar We are family e adiar o painel de natal para 2024, pois um Calendário do Advento fará sempre sentido terminar em qualquer altura e, sempre que quiser treinar a aplicação de tecidos ou desafiar a criatividade em termos de bordado, posso sempre regressar a este painel que me tem permitido experienciar novas técnicas.

Em termos de malha tenho tentado usar o que tenho em casa, tendo terminado o colete Galanta,da Carol Feller. Iniciei uns bonecos que há muito tempo estavam na minha lista de coisas que quero fazer e um cardigan, Cloud Peak, da Joji Locatelli, para usar a alpaca da Drops, uma das minhas primeiras aquisições, quando regressei à malha.

Enquanto aguardava a chegada dos novelos em falta, para iniciar os bonecos, fui tecendo mais quadrados para a manta da Carol Feller.

Estes são os planos do momento. Será que os vou manter?! Estou constantemente a ser aliciada pelo que me rodeia. Ontem foi o filme que revi, The Guernsey Literary & Potato Peel Pie Society que me fez ter imensa vontade de regressar ao patchwork. Adoro este filme, frases e pensamentos maravilhosos, de uma intensa sensibilidade, campo inglês e desta vez mais atenta a detalhes, como as colchas de patchwork. Deu-me uma certa nostalgia, porque tinha começado a rever este filme na última visita à minha filha expatriada. Mergulhada nestas ondas de nostalgia só me apetece fazer os bonecos para os netos e patchwork para embelezar a casa para as próximas visitas. 

Esperar  para ver o que farei nos próximos tempos!

Livros, filmes e agulhas

Não tendo o livro 84 Charing Cross Road, vi a história no filme A Rua do Adeus, da Netflix. Não é a mesma coisa mas ver um filme interessante enquanto adiantava a minha camisola, proporcionou-me uma tarde relaxante Não consigo ficar simplesmente parada a ver tv!

Recomendo vivamente  a Livraria, um filme, também com pano de fundo de livros e livrarias, com actores magníficos! A história desenrola-se numa pacata vila no litoral inglês, nos anos 50, ingredientes que, na minha opinião, têm tudo para resultar deliciosamente.

Em português estou a ler A Cidade das Mulheres, sendo a minha  leitura de cabeceira. Vou a meio do livro mas com vontade de o largar!

Sem vontade de largar, durante o dia, nas pausas que vou tendo, aperfeiçoou e leio inglês, o livro The Knitting Circle, de Ann Hood que me chegou durante a visita da minha filha. A referência a este livro li no site The Stichery da Nicki, não tendo descansado até encontrar um exemplar a um preço satisfatório, que surgiu, em segunda mão, na amazon uk

Partilho o prólogo para entenderem a minha busca incessante deste livro:

(...) It is my story, yet I do not have words to tell it. Instead, I pick up my needles and I Knit. Every stitch is a letter. A row spells out "I Love You". I Knit "I love you" into everything I make. Like a prayer or a wish, I send it out to you, hoping you can hear me. Hoping, daughter, that the story I am knitting reaches you somehow. Hoping, that my love reaches you somehow". 

No capítulo 2 li

In the car, after she had cried good and hard, she picked up her knitting and did one full row right there in the parking lot before she drove home.

Ann Hood

Quantas vezes não procurei conforto nas agulhas? Não me imagino a lidar com momentos menos bons sem o escape das agulhas e livros!

Pesquisei informações sobre Ann Hood e as suas obras, algo que habitualmente faço, tendo encontrado no YouTube entrevistas que deu, apresentações de obras e até um Ted Talk, todos interessantes. 

O primeiro livro que li da Ann Hood, penso que o único traduzido para português, também tem um vídeo no YouTube.

A propósito de clubes de agulhas, em breve terei novidades.

quinta-feira

Lucy e Diana Boston

É com enorme agrado  e interesse que leio os comentários que fazem nas minhas partilhas. Não é a primeira vez que alguém me indica algo que vai de encontro aos meus interesses. Uma vez mais, foi a Chookyblue que apontou um caminho por desvendar, quando escrevi que gostava de adquirir o Kit Patchwork Of the Crosses

No fim-de-semana iniciei um percurso muito interessante, para quem gosta de uma boa história de vida, livros e EPP. 

Kit de viagem, livro e malha

Vi o vídeo acerca da Manta da Lucy Boston, da Eleanor, que me motivou a procurar mais informação sobre a Lucy Boston, os seus livros e a sua casa. Decidi presentear-me, pelo dia da mãe, com o livro sobre os seus trabalhos de patchwork, cuja a autora é a sua filha Diana Boston.

Para as férias do verão delineei e programei uma visita à inspiradora casa da Lucy e aos seus jardins.

O fim-de-semana prolongado, pelo dia do trabalhador, deu-me tempo para tudo. Bons momentos em família, jardinagem, caminhadas, malha e um filme,  Comboio nocturno para Lisboa, que recomendo.


O próximo será passado com os expatriados da familia. Já tenho a mochila pensada, onde não falta leitura e agulhas para o tempo infinito de espera nos aeroportos! Estou feliz por ter conseguido terminar o casaco que queria estrear num dia especial e por ter conseguido o efeito pretendido, um casaco extremamente leve, suave e quente. Certamente não pesará na mochila!



segunda-feira

A aLINHAr ideias



A chegada de um Novo Ano, para mim é mesmo um Novo Ano, foi razão suficiente para querer escolher um projecto para me acompanhar ao longo dos 365 dias de oportunidade de gozar momentos descontraídos criando com LINHAs, apesar dos inúmeros projectos por terminar!

Escrevo para aLINHAr ideias que me ajudem na escolha do novo projecto. 

Appliqué é uma das técnicas que gostaria de praticar para fazer um painel para a entrada da casa. 

A primeira ideia era fazer um projecto da Susan Smith, A Starling Murmuration Crib Quilt.

Com a chegada do livro Stitches of Time, da Deborah Dorward, mudei de ideias perante a hipótese de ir fazendo blocos de 14cmx14cm ao longo do ano, com o Quilt The Simple Life. Preparei 3 blocos e tentei fazer um no serão do dia 1. Enganei-me logo no primeiro bloco! Optei por ocupar as mãos com mais uma flor em EPP enquanto via na Netflix o filme Cavalo de Sonho, que recomendo.


Hoje fiz o bloco com peixes, com o pensamento no meu filho António, desejando que este seja o ano da conquista de um novo caminho. Consultei um tutorial muito útil, ainda assim não estou satisfeita com o resultado e tomei consciência que aplicar tecidos não é tão fácil como parece à primeira vista, pelo menos para quem tem cada vez mais problemas de visão. 

Perante a experiência, considerando o processo e o resultado final, fiquei com dúvidas se devo iniciar este projecto ou voltar à ideia inicial do modelo da Susan, que me parece mais simples e acessível para uma principiante como eu. Posso simplesmente continuar a praticar o appliqué no Painel do Advento, intervalando com todos os projectos inacabados. 

Falhei o objectivo de  aLINHAr as ideias mas conquistei uma certeza, o projecto terá de ser portátil, para ser feito em qualquer lugar, em qualquer transporte e com todo o tipo de luz.

Ver se arrumo as ideias e me decido até ao Dia dos Reis, até lá irei fazendo experiências, dando uns pontos nos projectos em curso ou mesmo iniciando um dos Kits que tenho, de execução mais rápida.


quinta-feira

Redes Sociais, vício ou fonte de inspiração e aprendizagens?





Graças às redes sociais a Luísa foi conhecendo alguns dos meus gostos pelos meus perfis públicos e partilhas e apresentou-me a  Christie Jones Ray. Desde o primeiro contacto com as partilhas da Christie, que fiquei dependente dos seus vídeos, de uma forma obsessiva! Quando estou mais ansiosa e cansada da escola, procuro alguma serenidade e paz escutando a sua voz de embalar. Com a Christie regresso aos dias felizes da minha infância, à  sua semelhança, uma infância numa família de quatro irmãos, vivida de uma forma frugal. Tal como eu, tinha como programas favoritos Uma casa na Pradaria, brincava com agulhas, tinha (e ainda tem) uma Holly Hobbie, eu tive estampagem da Holly Hobbie num diário e numa vela, presente do meu pai, com uma frase e a Holly Hobbie (infelizmente na última mudança de casa perdi a vela que guardei todos estes anos). 

Simultaneamente, encontro imensos pontos em comum, no meu dia-a-dia de professora, avó, tricotadeira e viciada em epp

O bordado que fiz para um dos meus sobrinhos aqui e esquema aqui. O livro de contos adquiri numa das minhas últimas idas a Lisboa, para ler aos meus netos, quando ficarem em casa da Avó Sofia (um vídeo  e um filme divertidíssimo, que adorei, para ver um dia com os netos). A toalha de chá e o iman que coloquei no candeeiro de bordar, foram as memórias físicas que escolhi da visita à exposição da Beatrix Potter

Mais uma aquisição, esta em segunda mão, o que tem sido quase sempre a minha escolha.

Christie rendeu-se à vida e Mundo da Beatrix Potter e da Tasha Tudor, que eu desconhecia de todo e que rapidamente me cativou pela coragem de viver na maior simplicidade, apesar de isso implicar uma vida dura. Sorri quando li que a Tasha Tudor gostava de andar descalça, algo que eu também faço, sempre que me é possível.

Será que as redes sociais são apenas viciantes? Serão apenas fonte de inspiração? Ou serão uma mistura de ambas? Confesso que a Christie me cativou no primeiro instante, a ponto de ter passado horas nas redes sociais vendo todos os seus vídeos. São muitas horas, mas sempre de agulhas na mão e horas verdadeiramente inspiradoras. Horas que me guiaram até este novo projecto a que tenho me dedicado desde o Verão. Horas de muita aprendizagem, que me remeteram para pessoas interessantes.

Toalhas de chá compradas na minha primeira visita à loja da Jessie, pensando um dia em bordá-las.

Umas já conhecia, como a Jessie Chorley, Ann Wood, Nicki Franklin, Julie Arkell Fiquei a conhecer a portuguesa, Filipa Pereira Nobrega que dá vida a bonecas lindas, num canto de Inglaterra e a australiana da Strawberry Thief a quem comprei uma passagem, com um ano de atraso, para uma Volta ao Mundo e onde encontrei aplicações para calcular o número de hexágonos em função da sua dimensão e do tamanho da manta, entre outros truques e dicas. 

O problema de seguir tanta mulher inspiradora é a vontade de querer tudo fazer e tudo comprar! Comprei vários livros, tentei comprar tecido da Cabbages and Roses, sem sucesso e estou tentada em adquirir, finalmente, tecidos da Tilda.

Conclusão, as redes sociais são um vício inspirador, com conta peso e medida, são uma fonte de novas aprendizagens/competências e, infelizmente, podem levar a um aumento de despesas, que admito que tive nestes últimos meses, apesar de pensar sempre que são um investimento e que é preferível gastar dinheiro em materiais para manter as mãos e a mente ocupadas, do que gastar em consultas de psiquiatria!

Última compra do mês, um livro da Edyta. A motivação principal para esta aquisição foi o projecto da capa.

Acima de tudo, é Terapêutico!


Os livros que tenho lido, os chás que os acompanham e o que tenho nas agulhas.

Uma pausa, uma fotografia para vos mostrar de onde escrevo, a mesa carregada com os meus "bens essenciais e terapêuticos"

Os livros que aguardam um pouco mais do meu tempo, a camisola que ficou em pausa até terminar os projectos para o meu próximo neto

Ver séries ao ritmo das agulhas, ler no comboio e escrever um pouco aqui, acima de tudo são actividades terapêuticas, e é disso mesmo que estou a precisar. Todos vivemos tempos difíceis, mas nem todos temos a mesma forma  de os encarar. Eu não tenho a mesma forma de os encarar nem sequer ao longo do dia! Acordo e faço o meu "exercício de gratidão", tomo o pequeno-almoço e dedico uns minutos ao meu yoga, que é como quem diz, às minhas agulhas. Apesar de tudo,  até aqui , tudo corre bem. Passo pela nossa casa, ainda em obras, e fico feliz apenas com a visão das minhas novas vizinhas.

Assim que deixo a minha aldeia e tomo o caminho para a estação, começam os meus lamentos e a minha revolta. Como professora, sinto-me "carne para canhão", sem vacina ou condições de trabalho. Apanho o comboio e pego num livro, envolvendo-me na vida das personagens e esquecendo os riscos que estou a correr. À chegada a casa dos meus pais é sempre o mesmo receio e os mesmos pensamentos, desinfectando-me na medida do possível. Sentir que eles precisam de mim e que estou presente, faz valer apena os riscos. O coração fica pequeno quando me tenho de despedir para ir para a escola. O meu pai sempre com a mesma pergunta "E tens mesmo de ir? Porque é que não ficas mais um bocado? Aparece mais vezes!". A minha mãe, pacientemente, diz que os visito todos os dias. Sigo para a escola angustiada por saber que tenho de aprender a aceitar o meu pai sem memória, perdido, a tentar preencher o seus dias, mansamente lutando por uma independência que lhe foi definitivamente vedada. Na escola os alunos recebem-me com um sorriso escondido pela máscara, com  uma animação constante e própria da idade, passando-lhes ao lado aquilo a que chamam por aí "a nova normalidade". Sinto-me com forças e deito mãos à obra, ao que nasci para fazer, ensinar. Tudo corre bem até ao momento em que esbarro "naquele" aluno que me tira do sério e que me faz por em causa o que estou ali a fazer, correndo o risco enorme de me contaminar e de contaminar aqueles que mais amo. Obrigo-me a pensar nos restantes alunos, na verdade, a maioria dos meus alunos. Obrigo-me a arranjar força para essa maioria, mas não é nada fácil. 

Regresso a casa embrenhada na vida das personagens, sou uma intrusa numa pequena aldeia inglesa e volto a sentir-me segura, sem o estar. Acompanha-me uma falsa sensação de falta de ar, um peso no peito, sensações constantes no final dos meus dias. Um mal estar que não desiste de me perseguir! 

Chego a casa, tomo um banho quente, janto e pego de novo nas minhas agulhas e vejo séries até o sono chegar. E assim vivo estes tempos difíceis, conseguindo "desligar" com a leitura e "descomprimir" com as agulhas. Os meus trabalhos de mão, acima de tudo, são terapêuticos! Não preciso de mais camisolas ou casacos, nem de bordados ou mantas de patchwork. As minhas mãos não param porque são elas que mantêm o meu equilíbrio emocional. Apenas os trabalhos que faço para os meus netos é que são efectivamente necessários, ainda assim têm também uma componente terapêutica.

O fim-de-semana passado, resolvi aceitar, pela primeira vez, um teste de tricot de uma designer portuguesa, a Sandra Magalhães, de "Agasalhos e Bugalhos". Testar um modelo vai dar um novo sentido/propósito ao próximo trabalho de malha, à minha próxima dose de "terapia". Irei iniciar assim que terminar o que tenho em mãos, enquanto vejo mais uns episódios da série "Modern Love", na Amazon Prime. A série foi sugerida pela Julie das Knitters League, e como me identifico imenso com ela resolvi experimentar ver um episódio e depois seguiram-se os outros. Recomendo, também na Amazon Prime, "Same Kind of different as me" e "The neigbhor's Windom".

Malha, livros, filmes e séries, são a prescrição  para a minha terapia de combate à ansiedade, uma "automedicação" que tem resultado, mas que não tem sido suficiente. Talvez seja apenas uma questão de reforço da dose!

quarta-feira

Yarn-Along April

O modelo da esquerda foi criado e tricotado pela minha mãe

Ginny com a iniciativa da rubrica Yarn-Along, é responsável por esta  minha rotina mensal, partilhar os projectos de malha e leituras, desta vez no meu primeiro dia de férias de Páscoa.
Malha
Tenho nas agulhas um projecto a que dei o nome de Verde Esperança, utilizando fio Olívia, sobra de um colete que fiz para mim. As instruções da Petit Knit são muito claras e simples. Como estou a aproveitar um fio que tinha em casa tenho de ir verificando o tamanho com um modelo que a minha mãe fez para o meu filho.
O cão já está na fase de enchimento e costura, ficando a faltar-lhe uma camisola e calças.
Livros
Sempre me interessei por outras culturas/religiões e, sentindo-me fortemente interessada em patchwork, curiosa nas suas mais diversas formas, e motivada para novas aprendizagens, decidi encomendar How to make and Amish Quilt, na Amazon, após ter lido os comentários ao mesmo. Não me decepcionou, antes pelo contrário, estou a adorar e mesmo que não faça nenhum dos projectos, em teoria aprendi imenso e satisfiz, parcialmente, a sede de aprender.
Do país vizinho chegou lã feltrada e o livro Folk-Tails da Sue Spargo, um livro fantástico! O projecto é muito ambicioso mas, o que estou a pensar fazer, são pequenos quadros para colorir um quarto de criança.
Aproveito para partilhar que a Sue Spargo está a publicar diariamente vídeos, com instruções de diversos pontos no Instagram, para ajudar a passar a quarentena a quem gosta de linhas e agulhas.  
Leio e releio The Boy, the Mole, the Fox and the Horse, um livro fabuloso, tentando perceber se, de alguma forma, poderá ser adaptado a um painel bordado, com patchwork.
As filhas do Capitão só comecei a ler ontem e pouco posso adiantar, mas gosto da escrita de Maria Buenas.

Séries e filmes
Além dos episódios da Rosemary and Tyme, no youtube, sigo atentamente um policial no HBO, Liar.
Também na HBO, vi o filme Temple Grandin, o testemunho de vida de uma autista. Um filme interessante, pelo menos para mim, enquanto professora de alguns alunos do ensino especial (apesar de não ter feito formação nessa área!).

Não vou terminar com "Tudo vai ficar bem" palavras que, ao fim de quase três semanas de isolamento, de muito stress pessoal e profissional, estou cansada de ouvir! Um texto motivador vinha a calhar e, se quisesse ter mais seguidores, seria a receita ideal, mas não procuro seguidores e não sei procurar as palavras certas. Também não vou escrever sobre como me sinto, não o saberia fazer. Apenas confesso que não estou a fazer exercício diariamente, não me arranjo como se fosse para a rua, não faço sumos especialmente ricos em vitaminas e minerais, não telefono diariamente a um amigo, não faço nada daquilo que vejo nas redes sociais. E sabem que mais? Não me sinto menos capaz de enfrentar este desafio! A única regra que sigo, das que são constantemente divulgadas, é a consulta das notícias apenas uma vez por dia, para manter a minha sanidade mental. Quem me acompanha aqui desde o início do isolamento, após esta confissão, é gritante a alteração do meu estado "de espírito". Apetece-me dizer palavrões porque as palavras não são suficientemente fortes, não aliviam. Sou de riso e de lágrima fácil, imaginem como ando! Mas quem fica indiferente a tudo isto?
Não vou pedir desculpa pelo desabafo. Poderão pensar que neste contexto não faz muito sentido, mas estou aliviada! Em contrapartida espero que os mais pacientes, que leram até aqui, tirem algum proveito das restantes partilhas.
Estes dias provaram que tenho razão em querer sair da cidade, o que me levou a reactivar o anúncio de venda da nossa casa, numa altura que não faz nenhum sentido, mas nunca se sabe!

sábado

Mãos criativas, são mãos ocupadas

Dificilmente conseguimos evitar levar as mãos à cara! A avó Sofia escolheu ocupa-las fazendo uma manta de patchwork para o berço do neto. É extremamente fácil, mesmo para quem nunca fez este tipo de trabalhos e, apesar de isoladas/os em casa, é seguro aprender na companhia da Maura. Investi num pacote de aulas e recomendo para quem nunca fez este tipo de trabalhos.
Para quem quer evitar gastos, fica a sugestão dos tutoriais gratuitos da Rita (um dia ainda vou fazer esta manta) e da Missouri Star Quilt Company com uma infinidade de tutoriais. Para quem não tem máquina de costura recomendo os vídeos da Jude, sempre com trabalhos extraordinariamente criativos!
Voltando à manta, já tinha os tecidos que adquiri na At Home, juntamente com etiquetas que ajudam a organizar o trabalho, para quem não faz tudo de empreitada e tem de guardar blocos já cortados.

Alfinetes sem plástico  da Tulip. As minhas agulhas são também Tulip e adoro a apresentação em tubos de ensaio, para o meu "laboratório" de costura e bordado

Reciclei um lençol velho, sobre o qual apliquei as tiras de tecido de uma forma aleatória. Estudei a forma como queria dispor os quadrados, uni-os obtendo um conjunto de quatro tiras e estou na fase do acolchoamento. Pensei em acolchoar com Linha de Sashiko mas não tinha a cor que queria. Experimentei as linhas que comprei na minha última visita à Loop, mas não apresentam a resistência desejada, acabei por acolchoar com linha própria para acolchoamento.
Na parte de trás usei um tipo de flanela suave ao toque do bebé 
Sei que fui vaga mas tenho de respeitar o trabalho da Maura!
Quem ainda não sabe o que oferecer no dia do Pai, fica a partilha das instruções de uma Manta, por uma blogger do país vizinho, da qual estava a contar receber uns materiais, mas estamos as duas a reconsiderar e a pensar o que fazer, aguardando uma resposta da distribuidora para mais esclarecimentos em relação às medidas que estão a tomar para o coronavírus.
Para quem não aprecia este tipo de trabalho e gosta mais de trabalhar com papel, recomendo o tutorial mais recente da Kate, sobre encadernação. A Kate tem também videos de patchwork e não só, sendo uma companhia bastante agradável quando tenho as mãos ocupadas com trabalhos manuais.
Volto a recomendar a série da Netflix, Alias Grace, para quem gosta de Patchwork e o filme How to Make an Americain Quilt, sempre bom de ver e rever.
Sejam criativos/as e mantenham as vossas mãos ocupadas, longe da cara.