sexta-feira

Quacker Sampler - Beatrix Potter



No dia Mundial do Bordado, dediquei um tempo ao Sampler da Beatrix Potter. Este tipo de desenho, dentro dos Quacker Samplers, com medalhões monocromáticos e fáceis de memorizar, é o ideal para bordar descontraidamente no período de férias, quando a casa se enche de família.

O primeiro fio com que bordei, é da marca Dinky-Dies. O seu toque é macio e suave nas mãos, proporcionando uma satisfação maior do que outros fios com que tenho bordado. 

 O linho, Moonstone (Pedra da Lua), em que estou a bordar, foi o sugerido pela Jackie  em substituição daquele que ela utilizou, uma vez que é difícil de encontrar, principalmente na Europa. O nome também me conquistou, uma vez que a "minha" Serra também é conhecida pelo Monte da Lua. Tinha pensado, inicialmente, em bordar no linho Swan by fabrics, mas houve confusão por parte da distribuidora e acabei por nunca receber a encomenda onde tinha a cor que pretendia.

O que não correu tão bem logo no início? A falta do esquema em papel! No PDF, os esquemas dos dois medalhões, por onde iniciei, estão divididos. No primeiro, só tive de refazer uma pequena parte, até porque é fácil detetar o erro neste tipo de esquema. Já no segundo medalhão correu mesmo mal! Como ampliei a imagem e me esqueci de verificar se o esquema estava completo, insisti no erro, o que resultou num padrão diferente, ainda assim em espelho. Mas como lhe faltava equilíbrio, senti que algo estava errado ... e estava mesmo! Felizmente, este segundo medalhão estava a bordar com linha DMC, à qual tenho fácil acesso, por isso acabou por ser apenas uma perda de tempo, sem o risco de me faltar linha no fim. Vou ter mesmo de imprimir este esquema, para não quebrar tanto o ritmo nem voltar a repetir este tipo de erro!

esquema errado!

Nota:Paizoco, continuas sempre presente, mesmo nas pequenas coisas do meu dia a dia. Às vezes, basta um gesto tão simples como imprimir um esquema para me lembrar de ti, do teu perfeccionismo e do carinho com que fazias tudo, por mim e para mim. Com a tua ajuda, não havia mesmo maneira de eu falhar!

quarta-feira

Todos terão o seu espaço

Um jardim sensorial para a avó Sofia. Voltei a ter água no tanque, graças ao meu filho António. Adoro escutar o murmúrio da água, o som da brisa nas folhas e o chilrear dos pássaros. Um lugar de serenidade, feito para despertar os sentidos e simplesmente estar.

Um abrigo de jardim, oficina de madeiras para o avô Zé e para o António. Já faltou mais! Finalmente, as obras estão a avançar!

Enquanto as obras decorrem, vejo-me obrigada a ficar por casa, na companhia do Torrão e da Luna.
Primeiro vestido de bebé em malha

segunda-feira

O Sampler da Beatrix Potter e o Dia dos Avós

Na noite de sábado chegaram os netos de Inglaterra e, no domingo, consegui reunir os quatro netos à volta da mesma mesa, para um almoço e uma tarde em família, com todos os avós. Foi um dia memorável e, por isso, apesar do cansaço, ao serão empenhei-me e consegui energia extra para iniciar o Sampler da Beatrix Potter. Até porque já tinha todos os linhos e pude escolher aquele cujo tom melhor valorizava as cores dos fios que selecionei para este projeto.

Fiz apenas meia dúzia de pontos, mas o importante é que o comecei num dia* muito especial, como sempre gosto de fazer, criando assim memórias físicas, memórias que ficam para sempre ligadas aos bordados. Quando finalizar este trabalho, recordarei o dia em que deixei aqui a minha agulha, à espera de ser retomada, e todos os dias que se lhe seguiram até ao último ponto.

Tenho esperança de que os muitos pontos que ainda irei bordar neste linho fiquem entrelaçados com memórias tão felizes como as dos primeiros, nascidos de um dia vivido plenamente, em família. 

Na hora de dormir há sempre tempo para "um livro", dizem estes dois netos; "uma história do Peter Rabbit", dizem os outros dois netos, que é como quem diz, da Beatrix Potter

Cucu... quem está aí?
 

Os Avós, por D. José Tolentino de Mendonça: (Mensagem de Fátima  de 2021)

“Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar e olhar-nos sem pressas, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas de nada. Nunca consideram que quando se entretêm connosco estão a perder tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor dá-se bem com essa gratuita codivisão. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham a nosso lado sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas e de detalhes para divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que passamos a identificar com eles. Os avós já foram muitas vezes aos lugares onde nos levam pela primeira vez.

Chamam a atenção para coisas incalculáveis, como a forma de uma nuvem ou a cor diferente que ganham as folhas. Ensinam-nos com serenidade, colocando-se a nosso lado. Nunca acham despropositada a fantasia, nem os medos, nem o mimo. Têm o sentido das pequenas coisas e colos onde cabem as grandes. Eles não separam, como o resto das pessoas, aquilo que é útil do que é inútil. Fazem-nos sentir que é assim, que já passaram por isso e que existe uma solução que nos vão revelar, só a nós, como um grande segredo. Amparam os nossos desequilíbrios com o corrimão invisível e seguro do seu afeto, disponíveis degrau a degrau. Adivinham o que não dizemos sem se confundirem com a nossa confusão. Quando não estão connosco, pensam em nós, repetem aos amigos as frases que dissemos, disputam-nos, orgulham-se de coisas parvas, como o modo como sorrimos ou respiramos. Penso que se sentimos tão intensamente que os devemos salvar é porque percebemos, desde muito cedo, que somos salvos por eles”. 

* dia 26/7/26. Gosto do equilíbrio dos números da data: 26...26. Não é 26/6/26, mas também serve!

sexta-feira

Ragamuffin 2: mais um entre os muitos projetos que quero bordar

Materiais reunidos para muitos anos. Um pequeno excesso, sem dúvida! Um arrependimento? Nem por isso. Escolher o primeiro projeto será, talvez, o maior desafio.

O meu recente regresso ao ponto de cruz tem-me deixado fascinada pela História. Estudar Samplers antigos e reproduzi-los é uma nova forma de olhar para o ponto de cruz.

Gosto de romances históricos e de policiais, acompanhando entusiasticamente o trabalho dos detetives.Talvez por isso me tenha rendido novamente ao ponto de cruz. Cada Sampler antigo levanta perguntas e convida à investigação. Gosto de acompanhar esse trabalho de pesquisa, de seguir o percurso de quem investiga essas pistas e de descobrir as pequenas histórias que delas emergem, quase como numa investigação policial. Esta nova dimensão do ponto de cruz é a que mais me tem interessado, talvez porque puxa mais pelo cérebro, uma preocupação que é uma constante no meu dia a dia.

Claro que tenho colecionado materiais para iniciar projetos que nada têm de histórico, como é o caso dos da Brenda Gervais, pelos quais fui atraída pelo equilíbrio das cores e do desenho, bem como pelas frases, cujo significado me diz bastante.


Escolhi alguns desses projetos para os novos quartos da casa que, finalmente, começo a sentir que é minha. Deixou de ser apenas a Casa no Pinhal para passar a ser a nossa casa Entre a Serra e o Mar.

Mas não me fiquei pela Brenda Gervais. Tenho ainda um esquema com uma frase da Jane Austen e muitos outros, sobretudo em formato digital. Uma verdadeira loucura, mas não resisto. Acabo por me deixar influenciar — ou, talvez mais justamente, inspirar — pelos Flosstubes que acompanho.


Como as obras da casa se atrasaram, sinto-me, talvez por isso, mais tentada a dedicar-me a projetos que contam uma história e me transportam ao passado do que a projetos pensados para o presente. Parece que preciso de algo mais do que apenas bordar para a casa; preciso de desafios maiores, de novas aprendizagens e de estimular o cérebro.

Andando perdida, sem saber por onde começar, vou esperar pelos linhos que a minha filha me vai trazer. Depois, juntas, escolheremos o projeto — ou os projetos — a iniciar.

De Samplers históricos, estou a participar no SAL GH 1857. Quero também participar no da Hannah Whitaker, bordar para o quarto dos netos o Sampler da Beatrix Potter e, mais recentemente, adquiri mais um esquema quaker: Ragamuffin 2.

Imagem copiada da loja onde se pode adquirir o esquema

Este último distingue-se por fugir aos tradicionais medalhões quakers*. Adorei as cores pastel, a simplicidade do rebordo e o aspeto rendado do alfabeto, bordado em Algerian Eye, podendo também ser executado em Double Cross Stitch ou seguindo um tutorial que encontrei no youtube.

Para este modelo ainda não tenho nem linhas nem linho. Talvez opte por linhas DMC, para ficar mais em conta, atendendo aos meus gastos — ou, melhor dizendo, aos meus investimentos recentes. 

Escrevo para arrumar ideias, guardar informações a que quero voltar, exercitar a escrita e, já agora, conservar esta imagem que retirei de um vídeo da Jackie. Daqui a algum tempo, sei que será mais fácil recordar por que razão este modelo me chamou a atenção e o que me inspirou quando decidi incluí-lo na lista dos projetos que gostaria de bordar.

O estado de estar completamente absorvido num projeto de ponto cruz, felizmente alheio ao mundo exterior e às suas preocupações triviais - pausa mental, respiro cognitivo, fuga ao stress

Hoje passei o final da tarde, uma vez mais, presa ao ecrã. Vi, na Netflix, o filme A Head Full of Honey. Não o escolhi por acaso. Fui atraída pela relação do avô com a neta, que vislumbrei no trailer do filme, e, como tenho pensado mais no meu Paizoco, quis compreender um pouco melhor o que é viver com Alzheimer, embora isso me deixe sempre angustiada. Lembrei-me da tarde em que juntos ouvimos músicas do seu tempo. Sabia todas as letras e cantou, fazendo a minha mãe feliz outra vez. Vi o filme fazendo malha. Chorei, ri, voltei a estar com o meu Paizoco e voltei a sentir medo. Muito medo de um dia vir a ter Alzheimer e de sentir o meu cérebro transformar-se, lentamente, numa pasta de mel. Fica a questão: será que, se esse dia chegar, a leitura do meu blogue me poderá ajudar? Juntamente com o "Calendário da Gratidão", com todas as memórias que fui guardando em papel e com todos os pontos que fui tecendo e bordando com as minhas agulhas!

*Nota: recentemente descobri, nas minhas pesquisas, a ligação dos Quacker à família Cadburry.

quinta-feira

Mente inquieta


Nos últimos tempos a minha mente anda extremamente inquieta. Noites mal dormidas, ansiedade constante e, como sempre, procuro sossegar com as agulhas, focar-me em algo que me distraia, mas não tem sido fácil.

É a incerteza do futuro do meu filho, as mudanças que ando a fazer em casa, as obras que não começam e que fizeram de parte do meu jardim um estaleiro, é o final de um ano letivo em que os resultados dos exames empatam e arrastam todo o nosso trabalho, que nos faz perder tempo. Sim, porque enquanto esperamos pelos resultados há tarefas que não podem ser adiantadas, tudo está em cadeia.

É muita coisa e, quando tento focar-me em algo com as minhas agulhas, também tenho tantos projetos iniciados, outros tantos que quero começar e, ainda mais importante, os que quero acabar para os novos quartos, que fico ansiosa.

Optei pelo ecrã, muito raro em mim, e estive a ver uma das minhas séries favoritas da minha infância, Uma Casa na Pradaria. Não sei se foge muito à série original, mas, ao ver esta nova versão, consigo encontrar algum conforto, sossegar a mente distraindo-a com imagens e estórias que alegraram a minha infância.

Erro de tradução: devia dizer "bordado"

Na nova versão houve o cuidado de, nos adereços, integrarem o patchwork da época, o ponto de cruz e até a malha. O Natal dos Ingalls foi todo com presentes feitos à mão. E, para meu espanto, porque não me lembrava de todo, a mãe Ingalls foi e quer continuar a ser professora.

Vi toda a série e as únicas agulhas compatíveis com o ecrã, de momento, já que estou a fazer ponto de cruz com um fio sobre um fio de linho 40 ct, para o qual preciso de lupa, são as agulhas de malha.

Adiantei a camisola Sweet Melody, que palpita-me que não me vai ficar bem, mas tem sido toda uma aprendizagem: como se comporta o fio de seda neste ponto que imita pássaros, num cós que me parece que devia ter ficado mais apertado, numa construção de mangas que nunca tinha experimentado.

Se não me ficar bem, ficará a uma das minhas filhas e não só aprendi mais alguns truques e construções de malha, como também consegui sossegar esta mente tão inquieta, juntamente com as horas passadas na Pradaria, acompanhando os desafios vividos pela família Ingalls, que uma vez mais me conquistou.

A minha leitura de cabeceira também me conquistou e prendeu-me, O Segredo da Casa May Day, de Victoria Scott. Não conhecia a autora e escolhi este livro porque o recomendavam para fãs de Kate Morton. Recomendaram bem. Ainda não o terminei, mas também tem sido um bom refúgio para acalmar esta mente inquieta.


Nota: aproveito e guardo aqui o link de uma loja à qual quero voltar com frases estampadas em tecido. Lembrei-me da Ingalls mais velha a dizer que gostava de brincar às lojas e associei à loja que queria guardar, para um dia voltar!