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quarta-feira

Colorir o silêncio

No meu estúdio o silêncio é preenchido pelo som compassado do relógio de parede, pelo vento na folhagem dos pinheiros a que se junta o canto dos pássaros rejubilando com o alimento que lhes deixo, nos dias de mar bravo também me chega o som do rebentar das ondas na falésia da Aguda e aqui perdida nos meus pensamentos sinto necessidade de preencher o som deste meu silêncio, com cores. Há já uns anos que ando fascinada com todo o trabalho de Kaffe Fassett, talvez desde as minhas viagens mais frequentes a Londres, com passagem pela Liberty, que, habitualmente, tinha artigos da Rowan ! Durante o confinamento investi numa aula de patchwork, com Kaffe Fassett, na Creativebug, no entanto nunca me balancei a tentar fazer nada porque queria fazer com os tecidos do projeto e não são em conta, para a minha carteira. Talvez opte por malha, e tente uma nova técnica, Intarsia, ou pelo meio ponto, que pode ser do Kaffe Fassett, ou de um outro Designer . Meio ponto foi um dos primeiros trabalhos que experimentei na minha adolescência mas sem sucesso porque achava que não estava a fazer a preceito e afinal até estava! Sem acesso a tutoriais, classes/oficinas, youtube, sem livros, era difícil ser autodidacta e saber se estava a fazer bem.

Com os vídeos mais recentes da Sarah e com o da Nicole,* voltei a mudar de ideias e o caminho que vejo pela frente é capaz de ser mesmo o patchwork. Ainda assim não deixo de pensar e pesquisar modelos de almofadas em meio ponto.

Acho que preciso de descansar as mãos nos livros e a resposta chegará por si!

*Nota: Nas minhas agulhas tenho um casaco igual ao que a Nicole tem vestido, no podcast que aqui partilhei! Estou a fazer com Aurora, 2 fios, da Rosários 4


terça-feira

Horas a fio de aprendizagens

Apesar de gostar imenso de me desafiar e de estar sempre a aprender, não gosto de deitar dinheiro à rua, nunca gostei! O que mais me desconsola é optar por um modelo que me permite aprender novas técnicas, investir em fios e aulas e depois não gostar do produto final. 

Tenho uma lista de projetos que vou retomar e refazer de forma a ficarem a meu gosto. Vou começar pelo xaile que fiz num curso da knit Stars, onde coloquei as minhas dúvidas sem nunca ter obtido qualquer tipo de resposta. Praticar, praticar, praticar permitiu-me descobrir as minhas respostas. Outro modelo que vou refazer é o casaco da Marie Wallin que, com o uso, percebi que ficará melhor se retirar a carcela.

Infelizmente apercebi-me que o mal, a maioria das vezes, não está no produto final mas sim no facto de ter ganho imensos quilos desde que deixei de ir ao ginásio. As alterações hormonais da idade também em nada ajudam! Tenho sempre cuidado na escolha dos modelos para ver se é um estilo que goste e que me fique bem, ainda assim não resisto a algumas tentações e foi o caso da Shifty

Sabendo que riscas engordam, escolhi este modelo para experimentar não só as instruções da Andrea Mowry como também um novo ponto. Como era de esperar, quando terminei o corpo não gostei de me ver com a camisola vestida. Entretanto consultei tutoriais da Carol Feller, uma das minhas primeiras professoras e que tive o privilégio de conhecer pessoalmente na feira Edinburgh Yarn Festival, e vou seguir a sugestão de fazer o cós em garter stitch*. 

Com a minha pesquisa tomei conhecimento da oferta de 2 aulas, com Carol Felller , pelo preço de uma, até dia 29 de Novembro. O difícil é escolher, mas estou inclinada para a Masterclass de como fazer adaptações nos  modelos para que nos assentem melhor (no meu caso, talvez passe apenas por perder uns quilos!). Depois talvez selecione ou a aula de acabamentos, sendo do mesmo valor será uma escolha financeira melhor, ou uma aula de uma das camisolas. Vou continuar a estudar este meu investimento. Encaro sempre a aquisição de aulas como um investimento facilitador de novas aprendizagens e melhoria das já adquiridas.


* Nota : Consulta de tutorais gratuitos da Carol Feller clicando aqui. 

Bonus: Como se comportam os vários tipos de fibras. Grata à Carol Feller, pelos seus ensinamentos.

domingo

Outubro em poucas palavras

 

Outubro é o mês que se veste com as minhas cores de eleição.
No início do mês cheguei sempre tempo de praticar gratidão ao final do dia, enquanto me maravilhava com os mergulhos do sol, no mar aqui tão perto! 

À medida que o mês avançava, fui despedindo-me do sol, cada vez mais longe de casa e do mar e o tempo foi mudando.


Ao fim de semana aproveitava os finais de tarde, no sossego do jardim.


Este mês celebrei a maioridade de um dos pares de gémeos da família, com um pôr-do-sol magnífico, com vista para o Tejo.


Um dia fiquei à porta de casa! Vi nesta contrariedade uma oportunidade de dar às agulhas antes do regresso ao trabalho da casa.

Foi um mês de recolha de material para as minhas aulas de Ciências Naturais e de observação de pequenos habitantes do nosso jardim.




 A novidade do mês foi ter-me juntado à Transições, para uma reforma activa.

A avó Sofia teve um mês de aprendizagem de Inglês, em casa, com o Luke, mas não de uma forma tão regular como gostaria. Os contos policiais/mistério, são os meus favoritos. A próxima etapa será gravar as minhas leituras e, de seguida, ouvir corrigindo a infinidade de erros que sei que vou dar.

Na minha aldeia, Outubro terminou com a Festa da Maçã.




Parto para o novo mês já a preparar o primeiro Natal nesta casa Entre a Serra e o Mar.

quarta-feira

Quanto mais estudo, mais dúvidas tenho!



Antes de iniciar a camisola Shifty, da Andrea Mowry, muito li, ouvi e vi. O meu entusiasmo inicial ficou em causa, quando comecei a perceber os problemas com que muita gente se tinha deparado. Comecei a questionar tudo, as escolhas do fio, do tamanho, os aumentos...

A questão dos fios:

Aprendi, ouvindo a Andrea Mowry (I'll knit if I want to, episódios 4, 14, 22, yardage equation 11), que os fios single (apenas um fio), não têm torção, sendo pouco resistentes, ganhando borboto e sendo desaconselháveis para camisolas! Ainda assim mantive a minha escolha de fios porque, apesar de todos os contras referidos, quando trabalhados com outros fios ganham imenso, ficando realçados.

Algo que também irei ter em conta no momento da escolha dos fios (composição com lã) para os próximos projectos é que, para pontos rendados o ideal é 2 fios torcidos, para modelos com torcidos o ideal é 3 fios. Quanto mais fios torcidos (de lã), mais resistente é o produto final.

A escolha do fio, conjugado com a escolha do número da agulha, condiciona o tipo de tecido que se tem no resultado final. 

O tipo de tecido que estou a obter, ainda me deixa algumas dúvidas. Não sei se vou gostar de sentir o tecido final!

A questão do tamanho

Escolhi o tamanho 3, mas não estou convencida, apesar de ter feito uma amostra, pequena mas fiz. Terei de ir experimentando e tentando adaptar ao meu tamanho.

A questão das cores

Eliminei a quarta cor, verde com azul, uma vez que só tinha nas outras meadas a cor verde. Também não estou certa de ter feito a melhor escolha!


Ao descer as escadas, vendo os novelos, as minhas dúvidas regressam e acentuam-se!

Resumindo, com tanta dúvida vamos ver se no fim a camisola não vira um xaile, Nightshift!

O pior é que também tenho dúvidas na camisola que acabei, Talvinen a Douro! Não sei se transforme o comprimento das mangas para 3/4.

Mas estou bastante satisfeita com o desenho dos pássaros.

O problema talvez seja não me sentir bem com o peso que ganhei durante a pandemia, seguida de umas férias sem cuidado nenhum com a alimentação. Estou a precisar, urgentemente, de perder uns quilos, para me sentir bem!

domingo

Continuando a conversar com as meadas




São horas a fio de conversa com as novas meadas, no jardim e em casa, procurando estabelecer boa vizinhança entre elas, mas ainda não cheguei a nenhuma conclusão! *Fui procurar um fio que destacasse a harmonia entre as meadas, na Cooperativa da Aldea. É bom saber que tenho fios portugueses, de qualidade, aqui mesmo ao lado e onde posso encontrar uma grande variedade de artigos para a casa, cozinha, jardim e até comer por lá.






*Entretanto vi um podcast, que uma amiga me enviou, onde é abordado uma das muitas opções para se fazer o modelo que vou seguir para estas meadas

sábado

Camisolas Talvinen e Shifty




Não vejo a hora de  terminar a camisola Talvinen a Douro! Ainda não tinha sido publicada e já sonhava em a tricotar. Sou de impulsos e tenho aprendido bastante com os resultados de aquisições que faço durante os picos de entusiasmo. Sei que muitas vezes diminui, correndo o risco de fazer investimentos que depois acabam por me impor a realização de modelos que já não me dizem muito. Iniciei a camisola não com o mesmo entusiasmo de quando comprei o modelo e as meadas, ainda assim, à medida que teço os meus pontos o entusiasmo cresce e agora é imenso.

Acerca da camisola, estou a gostar bastante de trabalhar o fio Douro e da forma como resulta em peça. O modelo da camisola também me agrada imenso. Ainda bem que na escola corre o "rumor" de irmos passar muito frio no inverno, excelente para dar bastante uso às minhas malhas. As pausas maiores da escola continuam a ser passadas no carro, uma oportunidade para tirar a máscara e dar ao dedo.


Já adquiri meadas na Ovelha Negra para a Shifty Sweater da Andrea Mowry, modelo que tive vontade de fazer assim que foi publicado, mas que só faz parte da minha biblioteca desde há uns dias. Consultando a etiqueta acedi ao site da marca Litlg, e dei de caras com a camisola, ficando feliz por ter esperado para comprar as meadas ideais para este modelo. Estou a pensar usar, uma vez mais, lã portuguesa,  Douro da Rosários4, como cor principal.


As dúvidas são uma característica do início do meu processo criativo, por vezes subsistem ao longo do desenrolar das meadas e por isso vou tirando fotografias e deixando as meadas falarem comigo, até encontrar o equilíbrio de cores desejado.



Lendo o blogue da marca das meadas que escolhi simplificou as modificações que tinha de fazer.

Although the Shifty Sweater is designed for a sport-weight yarn, I found I achieved a similar gauge by using a LITLG Singles (a fingering weight, single-ply yarn) and going down one needle size.

Andrea Mowry splits the mosaic knitting stitch motifs into two charts, which she calls “Big Blips” and “Little Blips,” that alternate throughout the sweater. I decided to stripe my three contrasting colors: starting with Bronze, continuing to Oxidized, and then using Burnished. After one section of “Big Blips” and one section of “Little Blips,” I would change my contrasting color.

Com o tempo aprendi que antes de iniciar um projecto é sempre bom pesquisar sobre o mesmo. A era digital, apesar de distanciar as pessoas quando as redes sociais são mal utilizadas, aproxima imenso pessoas com os mesmos gostos, ainda que virtualmente, uma prova disso mesmo é a comunidade mundial de tricotadeiras.


A malha segue a um ritmo lento, porque é o ritmo que escolhi para os meus dias intensamente vividos, apreciando o lado bom desta opção de vida que fiz. Em jeito de prece meditativa, olhando o horizonte, tomo consciência da gratidão que sinto.