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sábado

Camisolas Talvinen e Shifty




Não vejo a hora de  terminar a camisola Talvinen a Douro! Ainda não tinha sido publicada e já sonhava em a tricotar. Sou de impulsos e tenho aprendido bastante com os resultados de aquisições que faço durante os picos de entusiasmo. Sei que muitas vezes diminui, correndo o risco de fazer investimentos que depois acabam por me impor a realização de modelos que já não me dizem muito. Iniciei a camisola não com o mesmo entusiasmo de quando comprei o modelo e as meadas, ainda assim, à medida que teço os meus pontos o entusiasmo cresce e agora é imenso.

Acerca da camisola, estou a gostar bastante de trabalhar o fio Douro e da forma como resulta em peça. O modelo da camisola também me agrada imenso. Ainda bem que na escola corre o "rumor" de irmos passar muito frio no inverno, excelente para dar bastante uso às minhas malhas. As pausas maiores da escola continuam a ser passadas no carro, uma oportunidade para tirar a máscara e dar ao dedo.


Já adquiri meadas na Ovelha Negra para a Shifty Sweater da Andrea Mowry, modelo que tive vontade de fazer assim que foi publicado, mas que só faz parte da minha biblioteca desde há uns dias. Consultando a etiqueta acedi ao site da marca Litlg, e dei de caras com a camisola, ficando feliz por ter esperado para comprar as meadas ideais para este modelo. Estou a pensar usar, uma vez mais, lã portuguesa,  Douro da Rosários4, como cor principal.


As dúvidas são uma característica do início do meu processo criativo, por vezes subsistem ao longo do desenrolar das meadas e por isso vou tirando fotografias e deixando as meadas falarem comigo, até encontrar o equilíbrio de cores desejado.



Lendo o blogue da marca das meadas que escolhi simplificou as modificações que tinha de fazer.

Although the Shifty Sweater is designed for a sport-weight yarn, I found I achieved a similar gauge by using a LITLG Singles (a fingering weight, single-ply yarn) and going down one needle size.

Andrea Mowry splits the mosaic knitting stitch motifs into two charts, which she calls “Big Blips” and “Little Blips,” that alternate throughout the sweater. I decided to stripe my three contrasting colors: starting with Bronze, continuing to Oxidized, and then using Burnished. After one section of “Big Blips” and one section of “Little Blips,” I would change my contrasting color.

Com o tempo aprendi que antes de iniciar um projecto é sempre bom pesquisar sobre o mesmo. A era digital, apesar de distanciar as pessoas quando as redes sociais são mal utilizadas, aproxima imenso pessoas com os mesmos gostos, ainda que virtualmente, uma prova disso mesmo é a comunidade mundial de tricotadeiras.


A malha segue a um ritmo lento, porque é o ritmo que escolhi para os meus dias intensamente vividos, apreciando o lado bom desta opção de vida que fiz. Em jeito de prece meditativa, olhando o horizonte, tomo consciência da gratidão que sinto.

quarta-feira

Yarn Along (November)


As etiquetas estão lindas, apetece bordar os desenhos! 


Vovó foi o nome que dei à camisola (modelo gratuito do Espace Tricot) e que estou a fazer (modificações descritas clicando aqui) com o fio Vovó. Uma das razões que pesou mais na escolha desta lã foi no descritivo dizer que "não tem tendência a ganhar borboto", uma preocupação minha que ainda não consigo colocar de parte! Quer a "mistura" de lã da Serra da Estrela, quer a da Quinta do Pisão , são agradáveis de trabalhar e, embora ainda não tenha terminado e lavado a camisola, posso dizer que adoro o toque e a forma como a peça cai, já que a provei antes de iniciar as mangas. Optei pelas cores naturais, sendo o branco de ovelhas da "minha" Serra, dado que a Quinta do Pisão pode dizer-se que fica em Sintra, uma vez que pertence ao parque natural Sintra/Cascais.
Este será o primeiro de uma lista de projectos que quero fazer para explorar os fios portugueses, dos quais conheço muito pouco, apenas Mondim, LaradaBeiroa e ligeiramente o fio Mé-mé. Numa época em que se apela ao consumo do que é local, e em que devemos ter consciência da nossa pegada verde, decidi que está na altura de conhecer mais fios portugueses. A verdade é que gosto bastante da lã da Shetland, da lã Irlandesa e de alguns fios da Rowan, mas são fios que adquiri nas viagens e Feiras/Festivais, os quais guardam em si memórias físicas dessas viagens e, assim sendo, não me pesa tanto na consciência.
Leio o livro mais recente de Meik Wiking, autor do estrondoso sucesso do Hygge.O  autor, neste livro, revela a importância de coleccionar-mos memórias! Gosto de ler em inglês para ir praticando/aprendendo, no entanto o livro original é em dinamarquês e por isso espero não perder nada por ter adquirido a versão em português. Quando andava na universidade adquiri interesse pela psicologia daí ter curiosidade nos livros de Meik Wiking.
Meik Wiking recomenda que devemos "criar momentos inesquecíveis e, sobretudo, felizes, que moldarão quem sou e serei no futuro.(...) as memórias são as peças angulares da nossa identidade. São o nosso super poder, que nos possibilita viajar no tempo e nos liberta das limitações do momento presente." Ao longo do seu estudo conclui que "as pessoas recordavam vivências que (...) envolviam os sentidos".
A malha permite criar memórias felizes, físicas (as peças que faço) e sensoriais. Fazer malha envolve sentidos e uma imensidão de emoções, o cheiro da lã, o toque, a textura de uns trabalhos e a cor de outros. Todos os projectos de malha requerem um investimento da nossa atenção, alguns projectos mais desafiantes tornam o esforço de concluir a peça inesquecível!
Ponto a ponto colecciono memórias, ao ritmo e em jeito de preces e desejos. Sempre que me aconchego numa peça feita por mim, sempre que vejo alguém com uma das minhas peças, associo ao momento e lugar onde comprei o fio, onde teci a peça, os desafios com que me deparei ao longo do processo, por onde andei e com quem estive, conversas que me marcaram, filmes e séries que vi, músicas que ouvi, livros que li, cheiros e sabores.
Uma das minhas memórias de infância favoritas, são os passeios que dávamos em família, durante os quais, enquanto brincava com os meus irmãos e primos, a minha mãe, tias e a minha avó faziam malha.

Eu sou a pequenina a dar trabalho!
O sorriso inesquecível de uma avó que recordo sempre feliz e com um trabalho nas mãos
Emocionada com as minhas memórias, termino partilhando no Yarn Along da Ginny, do blog Small Things.


sexta-feira

Malha de Março

A algibeira tinha sido terminada em Fevereiro, mas com pompons.
Nestas fotografias os pompons já estão retirados, apenas os coloquei junto da algibeira para terem uma ideia de como tinha ficado.
Acabei por retirar os pompons e guardá-los para um taleigo.
Com a vida de pernas para o ar, vi-me forçada a colocar de lado a camisola que estava a fazer e substitui-la por um projecto mais portátil, umas meias.
Para me despedir de Março, terminei as caneleiras poveiras que tinha iniciado o ano passado para um vídeo, que me pediram. As caneleiras serviram de estudo, uma vez que tricotei uma em liga e a outra em meia, cruzando todos os fios.
Resta-me escolher de qual gosto mais!
Aprendi que a Beiroa apresenta uma "espessura", ligeiramente, diferente em função do tinto, algo que em nada afectou o resultado final deste projecto, mas que terei em conta em futuros projectos.
Com estes trabalhos participei em diferentes KALs:
Obrigada a todas por promoverem o contacto entre tricotadeiras, muita troca de ideias, partilha, entreajuda e conversas que me fizeram sorrir entre laçadas!

Nota: pormenores dos projectos no Ravelry.

quarta-feira

Simplesmente Mondim

Malha:
Infelizmente tenho passado horas no Hospital com a minha Mãe, o que me levou a iniciar umas meias. Nos momentos mais difíceis, as horas "a fio" tornam-se mais toleráveis. Há um tempo andava sempre com um bordado para ocupar as minhas mãos e até a mente, quando podia ou precisava, mas agora só consigo fazer malha.
"Sua vista fraca já não há de poder contar os fios da cambraia ou da talagassa fina; e a meia que serve para fazer tantas coisas bonitas ou úteis, faz-se com a maior perfeição e presteza sem precisar de estar aplicando os olhos", citação de Almeida Garret, no livro "Malhas Portuguesas", de Rosa Pomar.
Voltando às meias, optei por não fazer qualquer tipo de ponto trabalhado, Mondim "fala por si" e não ando com cabeça para nada! Ainda assim trabalhei o calcanhar uma vez que o fiz com uma cor lisa e contrastante (mais informações no Ravelry). 
O toque da lã Mondim é extremamente agradável e estou a adorar o resultado final. E a propósito de Mondim, apenas uma curiosidade e mais uma breve citação ao livro da Rosa Pomar, companheiro de autocarro a caminho do Hospital:
"Mondim da Beira, 15 quilómetros a sul de Lamego, era ainda nos inícios do século XIX um afamado centro de produção manual de meias de lã de vários géneros, sendo conhecida por Mondim das Meias".
Serão umas meias quentes e confortáveis para as viagens pelo norte da Europa. Não pensava fazer mais meias tão cedo! Meias de lã só nas viagens e nos passeios de todo o terreno pois não sinto frio nos pés quase o ano inteiro! 
Avisaram-me que as meias não poderiam ser lavadas à máquina, o que não me incomoda nem um pouco. Serão tratadas com o carinho que as peças à mão e 100% de lã merecem. Dá-me um certo prazer pensar que terão um tratamento especial!
Comecei a dedicar-me à malha recentemente, mas quanto mais aprendo mais exigente sou quando chega o momento de escolher fios. Tenho procurado, cada vez mais, fios sem mistura de fibras sintéticas ou tratamentos químicos. Por outro lado, apesar de gostar imenso da lã escocesa e da irlandesa, sempre que possível opto por fios portugueses, ou por lojas portuguesas, apoiando o nosso comércio.* Claro que nas viagens procuro sempre trazer "memórias físicas"* normalmente em forma de fios e materiais que utilizo nos trabalhos de mão. 
Leitura:
Escolhi ler mais um livro que herdei das arrumações de uma das casas da família, talvez da da minha irmã! Não foi o título que me chamou a atenção, nem a autora, mas sim a referência, na sinopse, à Irlanda. Apenas na segunda parte é que consegui viajar até à Irlanda, com as irmãs protagonistas desta história e com elas recordar a minha viagem do Verão passado. Talvez esta seja a verdadeira motivação para a leitura do livro "O Barco Encantado" de Luanne Rice.

*Quando a verba é curta opto pelos fios da Drops, que compro no Clube de Tricot
* Numa visita ao Sheep Wool Center na Irlanda, fiquei a saber que nem toda a lã que se vende na Irlanda é de origem Irlandesa, sendo apenas "tratada" na Irlanda.

quarta-feira é dia de Yarn Along

sábado

A pé, por Lisboa...

Descermos a Almirante Reis, fazendo uma pequena paragem no Largo do Intendente, onde se encontra uma das minhas lojas favoritas, Vida Portuguesa.
Restaurado desde a nossa última visita!
A Primavera forçou a mais uma paragem, na Praça da Figueira.
Na baixa entrámos apenas numa loja, a Typographia, para trocarmos uma t-shirt do António. 
Enquanto caminhava registei imagens da calçada que me chamaram a atenção por me fazerem lembrar os torcidos que ando a estudar em malha. 
Desviámos para dar uma rápida vista de olhos por mais uma feira de artesanato. Gostámos apenas de uma das bancas, com trabalhos de cerâmica!
Seguimos até e ao longo do Tejo.
Pausa prolongada, gozando o momento, a luz e o sol.
Continuámos até à Rua de S. Bento, parando apenas no Mercado.
 No Mercado ficámos a conhecer pessoalmente "Torcer Ideias". Mãe e filho estão de parabéns pelo trabalho que desenvolvem a quatro mãos.
Mercado Time Out
Perante a animada confusão desistimos de petiscarmos aqui, na esperança de encontramos um espaço mais calmo e assim foi, uns quarteirões mais à frente!
Ascensor da Bica


Finalmente chegámos à Livraria "Palavra do Viajante" onde íamos com a ideia de procurarmos livros que nos ajudassem na programação da próxima viagem.

Lonely Planet, Scandinavia
Mesmo na porta ao lado demos com um restaurante de franceses, L´anisete, com um ambiente repousante, tal como estávamos a precisar.

Fomos bem recebidos, os nossos olhos maravilharam-se e nós deliciámos-nos com tudo o que comemos: Um sitio para voltar muitas e muitas vezes!
Do outro lado da rua...
Para viajar basta existir
 Fernando Pessoa