segunda-feira

Acabamentos de pequenos projetos.


Ainda falta uma planta que quero comprar para terminar o arranjo, e onde quero colocar os passarinhos presos com fio de ráfia.

Esta primavera e Páscoa decorei a casa com pequenos projectos de ponto de cruz.  Bordar proporcionou-me momentos verdadeiramente relaxantes e agradáveis — o mesmo já não posso dizer quando chegou a hora dos acabamentos! 

Decidi então pesquisar tutoriais no YouTube, já que não quero encher a casa de quadros de ponto de cruz. Além disso, sempre achei interessante o estilo da Sian, que vai substituindo os projectos que bordou conforme as estações do ano ou datas comemorativas.

Foi assim que encontrei o canal da Katie, com duas excelentes listas de tutoriais. Finalmente descobri onde aprender a fazer os acabamentos para os animais que quero bordar da Stacy Nash, como aplicar missangas e até como bordar ponto de cruz em individuais de linho, garantindo que o trabalho fica com cruz tanto na frente como no avesso.

As dúvidas que tinha sobre o projecto a iniciar nesta primavera dissiparam-se rapidamente. Apenas tinha material para começar o primeiro esquema da Loose Feathers — It’s Spring. Não é o linho recomendado, mas teria de esperar cerca de 45 dias por ele — e sem garantias! Acabei por escolher um dos linhos que tinha em casa, porque estava mesmo a precisar de começar algo novo. Ainda não tenho todas as linhas, mas já dá para ir avançando. Devem estar quase a chegar, juntamente com o material necessário para finalizar o Coco’s Garden. Encomendei tudo à Simone, uma simpatia e grande profissionalismo. Apesar dos portes serem mais caros do que os da Casa Cenina, o preço das linhas compensa quando compro em maior quantidade.

Na Casa Cenina aproveitei também uns saldos — que entretanto já terminaram — para adquirir fio de seda Au Ver à Soie 1003 e o esquema do cisne que estava com um excelente desconto. Foi mesmo uma sorte!


domingo

Deixei por Acabar… Porque andei a Celebrar

O mês de março é bem recheado e, por isso, sobra pouco tempo para as agulhas. Ainda assim, fui dando um ponto aqui e acolá, mantendo um frágil equilíbrio, mas sem deixar a tristeza  e ansiedade conquistar terreno.

Março começou com o aniversário do António — 31! Dá sempre para fazer o trocadilho com a expressão “agora é que é um 31!”. Na véspera do seu aniversário, tirou um bocado da sua tarde para me ajudar a projetar o molde, numa tentativa de finalizar o Coco’s Garden a tempo da Páscoa e da chegada da Primavera. Já me vou habituando à pobreza de instruções de acabamentos por parte de algumas designers de ponto de cruz. Ainda bem que pude contar, como sempre, com o António, tal como contei com ele para desenhar o 6 no sampler Each New Day is a Blessing. Deixei o Coco’s Garden por terminar, não só porque me faltaram materiais para os acabamentos, mas também porque queria estreá-lo no dia 4, já que foi o António que construiu o molde final. 

O “peixinho” seguinte foi o Vasco, que completou uma mão cheia de anos — 5! Voámos todos para Inglaterra, menos o António, que ficou a cuidar dos animais e do jardim. Valeu pela alegria dos netos e, principalmente, pela felicidade do Vasco!Tão pequeno e já aprendeu o que significa "saudade"!

Manhã no Design Museum


Tarde no Holland Park

O Vasco, vestido de médico, a finalizar o bolo de anos para o nosso lanche

Em Londres a Primavera ja se fazia sentir!
Na segunda-feira, com os netos a regressarem às rotinas da semana, aproveitámos e fomos fazer uma rápida visita à Liberty.

Abajours, telas pintadas à mão

Na secção de papelaria tinham algumas sugestões de decoração

Para fugirmos à agitação londrina, fizemos um piquenique no Wimbledon Park e depois fomos buscar os netos à escola, para passarmos a última tarde com eles, antes de regressarmoa a Portugal.
Ando a selecionar sampler de ponto de cruz com cisne. Infelizmente perdi a oportunidade de comprar um no mercado de Nashville!


As galinhas foram muito bem tratadas, tal como tudo o que reteve o António em casa

No dia 16, os Amarais celebraram a missa de natividade do meu Paizoco. Gostei da sensibilidade e atenção do padre, que salientou no fim da missa, olhando para nós, o quanto apreciava ver as famílias reunidas, continuando a celebrar a natividade de um ente querido. Sei que o Paizoco, onde quer que esteja, nos observava de coração cheio de alegria.

Os manos jantaram com a Fátita e, mais tarde, os netos que conseguiram juntaram-se a nós. A minha irmã teve o cuidado de fazer um centro de mesa com Hortências (o  nosso pai nasceu nos Açores) e de o vinho ser marca EA (as suas iniciais). Foi uma noite especial e ajudou a suavizar a ausência física do meu pai,  sentindo-o presente nas lágrimas da minha irmã, nas expressões do meu irmão mais velho, na brincadeira do meu irmão mais novo, no sorriso da minha mãe. Foi tão bom — para todos! O plano agora é almoçarmos ou jantarmos os nove, pelo menos uma vez por mês — algo que quero integrar na rotina mensal.

O Dia do Pai foi mais difícil de ultrapassar, e isso refletiu-se em mais pontos bordados — o meu refúgio. Queria terminar o sampler no dia 16, depois percebi que seria impossível e apontei para o dia 19, acabando por o concluir apenas no dia 21. Assim que partilhei aqui a fotografia, dei logo conta da falta de pequenos apontamentos — tão pequenos que passam despercebidos. Queria muito terminar este projeto numa data especial para mim, como gosto de fazer sempre que começo ou concluo todo o tipo de trabalho de mãos.

Não consegui cumprir o plano exatamente como idealizei, mas consegui escrever, na ponta da agulha, memórias do dia 16, ao ritmo das histórias da minha vida que fui contando à minha mãe nessa tarde.

Sei que, cada vez que olhar para este sampler, vou lembrar-me de que foi intencionalmente pensado para ser terminado na semana do meu pai — com quem aprendi a fazer desta frase, Each new day is a blessing, uma base do meu dia a dia. Entretanto, quero concluir mais um pequeno projeto de Primavera antes de iniciar um grande projeto, Loose Feathers Series que me irá ocupar durante largos meses. A ideia era fazer um desenho por mês, dos 9 do modelo, mas sei que um plano é isso mesmo — apenas um plano e bastante ambicioso! Comecei logo por falhar a data em que queria iniciar o projeto: o dia em que começou a Primavera.

Com a chegada das novas aquisições de esquemas da Brenda Gervais, não sei qual será o projeto vencedor desta “batalha”, nem a qual me vou dedicar primeiro e durante mais tempo.


Entretanto, o stitch-along descansa no bastidor — já sem desculpa para este abandono, uma vez que consegui trazer o pé do bastidor numa mala de porão.

Voltei em força ao ponto de cruz e fiz uma brincadeira com o meu filho, recorrendo a IA ele criou um perfil atualizado para mim - uma professora com mais de 60 anos, sempre com a sua cadela branca por perto, a sonhar com uma sala de aula de outros tempos onde se ensinavam as meninas, a bordar e não só, com samplers.

Alinhando projetos e memórias

 

Terminado o mês de fevereiro, registo as memórias do que vivi e alinho/organizo os meus projetos, fazendo um balanço dos avanços e anotando o que ficou por fazer, para não me perder pelo caminho.

No SAL do GH1857 fiz alguns pontos, mas avancei pouco! Como desculpa, tenho a vontade de bordar com o novo bastidor, ao qual ainda faltam os pés. Tenho bordado apoiando-o na mesa, o que implica uma postura incorreta. Pensei que resultasse, mas o desenrascanço, desta vez, não resultou!


Estas fotografias, de um livro, tirei-as nas férias do Carnaval, quando fomos ajudar a Madalena com a mudança de casa e com a cirurgia do Vasco.

O Vasco portou-se melhor do que muitos adultos: com confiança e sem medo, mostrou curiosidade, questionando os procedimentos de forma educada e tranquila. Ao final do mesmo dia teve alta e, com muito orgulho, exibiu o seu certificado quando chegou a casa: “Avó, envia fotografia para a família em Portugal!”

Um momento simples, para guardar na memória. Entre caixas por arrumar e o cansaço natural do dia, houve espaço para ternura e aquele orgulho bom que só as crianças sabem demonstrar com tanta transparência. Mais uma lição de um neto para a avó Sofia— às vezes são os mais pequenos que nos ensinam a enfrentar o desconhecido com serenidade.


Deste Carnaval fica também a memória da mudança de casa da Madalena, um passo gigantesco na sua vida! Antes da mudança, a Madalena teve o cuidado de nos presentear com flores e plantas, que levámos para a sua nova morada.

No primeiro dia da mudança, os avós entretiveram os netos, protegidos do frio, no teatro do costume. Entre risos e pequenas aventuras, houve tempo para histórias e brincadeiras.

Guardo na memória e arquivo aqui um Carnaval diferente: marcado por coragem, novos começos e gestos de ternura.



As frases que guardo destes dias foram do Vasco: "A minha casa é a tua casa avó!" e " O que eu queria eras tu!".

Foram dias intensos e, apesar de ter levado comigo o projeto de ponto de cruz mais simples de pegar, não lhe dei nem um ponto. O avanço que lhe dei, foi em casa, ao serão, nos dias em que estou mais cansada.

Comigo, como é costume, trouxe materiais que encomendei previamente para os meus trabalhos. Destaco o linho que faltava para terminar o bordado iniciado em janeiro, Stitch by Stitch mending my Heart.

Não lhe dei mais nenhum ponto, porque, depois de regressar, dediquei-me inteiramente ao meu projeto para a Páscoa — que me esperava em Inglaterra — Coco’s Garden, da Teresa Kogut. Estou a bordar num linho 32ct, escolhido pela cor, o que acabou por resultar no erro de bordar a um só fio num linho onde deveria ter usado fio duplo.

Antes do Carnaval, ainda adiantei o bordado iniciado na última semana de janeiro e, como tal, não o considerei um Blessing Sampler, apesar de o texto do bordado se enquadrar perfeitamente, a meu ver, no espírito de uma bênção, em jeito de prece. 

Tenho os projetos alinhados e vamos ver se não inicío mais nenhum enquanto não termino pelo menos os pequenos que tenho em mãos!