segunda-feira

Sampler da Beatrix Potter ( que não é da BP!)


fotografia tirada na visita à exposição


Visitei a exposição da Beatrix Potter, no museu V&A, em 2022. Tenho o livro da exposição, mas não encontrei a fotografia do Sampler reproduzida nas suas páginas. Na altura da visita, também não lhe dei grande atenção. O meu interesse estava sobretudo centrado no trabalho de Beatrix Potter como ilustradora, em especial nas ilustrações de carácter científico — como bióloga que sou — e no trabalho que desenvolveu na recuperação e conservação da raça de ovelhas Herdwick. Nessa fase, estava muito mais interessada em malha e ainda não tinha regressado ao ponto de cruz.
Tive de rever o meu registo fotográfico para encontrar o Sampler que esteve exposto e, agora, fica aqui guardado juntamente com o texto escrito pela I.A. com base na transcrição de vários episódios da Jackie, da Comfort Stitching.

I.A:

O sampler foi exibido numa exposição do museu Victoria and Albert Museum em 2022, dedicada à vida e à obra de Beatrix Potter.

O bordado inclui espaços para iniciais personalizadas - irei utilizar as iniciais dos meus filhos. O sampler é valorizado não apenas pela sua beleza decorativa, mas também pela ligação histórica à vida de Beatrix Potter.

Biografia resumida de Beatrix Potter

  • Nasceu em 28 de julho de 1866, em Kensington, Inglaterra.
  • Cresceu numa família abastada ligada à indústria do algodão de Lancashire.
  • Foi educada em casa juntamente com o irmão, Bertram.
  • Desde jovem demonstrou grande talento artístico, especialmente para a pintura em aguarela.
  • Desenvolveu um profundo amor pela natureza durante as férias da família na região dos Lagos (Lake District).
  • Tornou-se conhecida mundialmente pelos livros infantis de Peter Rabbit, que continuam a ser publicados atualmente.
  • Além de escritora e ilustradora, era estudiosa de fungos (micologista) e produziu detalhadas ilustrações científicas de cogumelos.
  • Começou a criar histórias ilustradas através de cartas enviadas à sua antiga governanta.
  • Ficou noiva de um colaborador da editora dos seus livros, mas ele faleceu pouco depois do anúncio do noivado.
  • Com os rendimentos das suas obras, comprou a propriedade Hill Top, no Lake District.
  • Dedicou grande parte da sua vida à conservação da paisagem rural da região, adquirindo terrenos para os proteger da exploração excessiva.
  • Mais tarde casou-se com William Heelis, advogado que a ajudava nas aquisições de propriedades.
  • Doou vários milhares de acres de terra ao National Trust, ajudando a preservar essas áreas para usufruto público.
  • Contribuiu para a preservação da raça de ovelhas Herdwick sheep, típica da região onde vivia.
  • Após casar com William Heelis, dedicou-se também à atividade agrícola.
  • O seu legado contribuiu significativamente para a preservação do Lake District, hoje uma das zonas mais emblemáticas de Inglaterra.

Ideia principal

Beatrix Potter foi muito mais do que uma autora de livros infantis. Foi uma talentosa artista, naturalista, estudiosa da natureza e defensora da conservação ambiental. O sampler associado ao seu nome representa uma ligação material à sua época e à sua história, razão pela qual continua a despertar interesse entre bordadores e admiradores da sua obra.

domingo

Na ausência do António

Quando a casa fica vazia a solidão invade e preenche todos os espaços da casa. Não consigo parar de pensar no que a minha mãe deve sentir todos os dias, desde que perdeu o meu pai e, com o passar do tempo, deixou também de ter as visitas diárias dos netos, agora com outras idades e mais ocupados. Outro dia perguntei-lhe porque se estava a deitar tão cedo, se ainda era dia. Compreendi tudo quando me vi sozinha e o crepúsculo caiu sobre o jardim. Até me sinto mal por falar de solidão, quando passo os meus dias numa escola que acolhe e acarinha todos. E, no entanto, bastaram dois dias de fim de semana, durante os quais até estive no Banzão em família, embora apenas por poucas horas, para sentir o peso do silêncio e da casa vazia. De forma a sentir-me acompanhada, ocupei o resto do meu tempo a rever vídeos. Pedi ajuda à IA, colei a transcrição de um vídeo sobre a Hannah Whitaker e pedi que traduzisse o texto e elaborasse uma biografia. O resultado foi o seguinte, ao qual acrescentei ligações para outros vídeos: um dos Samplers da Escola de Ackworth e outro com uma vista panorâmica da escola nos dias de hoje.

"Biografia de Hannah Whitaker

sábado

Descubra as diferenças

De manhã
À tarde

Quando dei por terminado o ponto de cruz e mudei para a malha.

Os cães foram os meus companheiros, as agulhas a minha distração para ajudar a passar este dia. Um dia que viverei sempre com o peso da angústia, apesar de pouco me recordar de como vivi tudo há seis anos atrás.

A sucessão de acontecimentos não importa, por isso a minha memória fez-me o favor de os apagar. Mas o início da perda ficará para sempre marcado neste dia.

E que saudades tenho de dar um beijinho na minha carequinha favorita e de chamar "Pai".

segunda-feira

Celebrar o Dia Mundial da Criança com Beatrix Potter

ainda falta bordar apontamentos que não são a ponto de cruz

Encontro uma ligação ainda mais especial ao trabalho de  Beatrix Potter e ao legado que nos deixou, desde que a minha filha teve de ir viver em Inglaterra. Tudo o que me aproxima da terra que agora acolhe a minha filha desperta em mim um sentimento de pertença e proximidade. É uma forma de me sentir ligada aos caminhos que ela percorre diariamente. Mas a minha ligação a Beatrix Potter já vinha de muito antes. Quando estava grávida do meu filho, apaixonei-me pelo seu Mundo imaginário através dos seus contos. Comprei seis posters com imagens retiradas da obra de Beatrix Potter para decorar o quarto do António, juntamente com vários outros pequenos detalhes. Ainda hoje guardo com carinho essas memórias e tenho os quadros, em molduras diferentes (mudadas para habitarem o quarto dos meus sobrinhos), no espaço onde costumo dedicar-me aos trabalhos de mãos.

Agora, como avó, continuo ligada ao Mundo criado pela Beatrix . Escrevo cartas para os meus netos em papel ilustrado com personagens de Beatrix Potter e, quando eles ficam cá em casa, leio-lhes os seus contos antes de adormecerem. 

Há dois fins de semana, os netos que vivem aqui perto passaram cá a noite. Antes de dormirem, li-lhes dois contos e contei-lhes também que estou a bordar algumas personagens, que tão bem conhecem, para decorar o quarto dos netos — um espaço muito especial que irá nascer no quarto onde atualmente tenho os meus hobbies. Muitas mudanças estão para acontecer! A ideia é mudar, com as linhas e agulhas, para o jardim de Inverno, que quero construir. Assim, o quarto ficará disponível para acolher os netos quando cá vierem dormir, rodeados por algumas das personagens que já fazem parte do seu imaginário e que agora começam também a ganhar forma nos meus bordados.

Sábado consegui terminar o ponto de cruz, mas faltam ainda as linhas a ponto atrás do Ned Neddles, o PIP da Stacy Nash e da Esquilinho Miss Hazel, para acompanharem as leituras dos contos de Beatrix Potter. Falta escolher o enchimento para os bonecos, nos quais pretendo fazer um bolso nas costas, com o molde de coração da Sarah, para colocar mensagens para aos netos, para lhes ler após a leitura dos contos - sempre a construir memórias com e para eles! A estes bonecos irei juntar uma raposa e, talvez, um sapo, um ratinho e um ganso, conforme correr o enchimento dos bonecos. O coelho não sei se vou fazer porque o Petter é um coelho muito especial.

No iníco de cada história do livro que tenho traduzido, e lido aos netos, há sempre informação adicional a cada conto: 

imagem do pinterest

O conto do Esquilo Papa- Nozes: Em 1901, Beatrix Potter passou o Verão com a sua família em Lingholm, uma casa à beira do Derwentwater, na região dos Lagos. Enviou uma carta sobre os esquilos que ali vira a Norah Moore, a filha de oito anos da sua antiga precetor: "Uma velha senhora que vive na ilha pensa que les atravessam o lago quando as nozes ficam maduras; mas como é que eles conseguem ultrapassar a barreira da água? Talvez façam pequenas jangada!" A carta passa depois a contar a história do Papa-Nozes, o esquilo atrevido que acaba por ser castigado pelo Velho Castanho, a coruja com a aqual Beatrix substitui a velha senhora da sua carta. O livro resultante foi dedicado a Norah. Contém várias paisagens do belo lago Derwentwater, que continua bastante inalterado até hoje.

imagem do pinterest

O conto da Senhora Toca-E-Foge: Embora vários animais dos livros de Beatrix Potter tenahm sido baseados nos prórios animais de estimação, muitas vezes ela também lhes atribuía qualiades humanas. A personagem da Senhora Toca-e-foge foi inspirada em Kitty McDonald, uma velha lavadeira escocesa, "uma senhora baixinha, rechonchuda e engraçada, tão morena como uma baga, que usava vários saiotes. Beatrix contou a história pela primeira vez à sua prima Stephanie Hyde Parker, em 1901 mas esta acabou por ser dedicada, quando publicada em 1905, a Lucie Carr, filha do vigário de Newlands, o vale em que o conto se passa. O ouriço domesticado de Beatrix, Mrs. Tiggy-Winkle (Senhora Toca-E-Foge), serviu-lhe de modelo: "Desde que possa dormir nos meus joelhos, está tudo bem, se for preciso ficar imóvel e de pé durante meia hora, primeiro começa a bocejar pateticamente, e depois morde mesmo! No entanto, é uma criatura muito querida.

Os contos de Beatrix Potter fazem-me recordar também os vários ouriços que fomos salvando aqui pelos terrenos. Construi no jardim abrigos para os proteger, mas a nossa Luna, com a sua energia e curiosidade, infelizmente, mantem-nos afastados. Ainda assim, continuo a olhar para estes pequenos animais com ternura, querendo protegê-los, e vou deixando no pinhal água na altura de maior calor.

O que admiro na obra de Beatrix Potter são as suas aguarelas (não apenas as dos contos, como tive o privilégio de admirar numa exposição no V&A) e a capacidade de transformar a simplicidade da natureza, dos animais e da vida familiar em memórias que atravessam gerações.

Estou ansiosa por iniciar o Sampler da Beatrix Potter, não bordado por ela, mas que estava no seu quarto de dormir. Acumulo projectos que quero fazer e projectos já iniciados, ao contrário de há 30 anos, ou mais, quando iniciei a minha jornada pelo ponto de cruz. Na altura iniciava e terminava um projecto, sem partir para outro, mas hoje é algo impossível estando a ser constantemente bombardeada com imagens inspiradoras nas redes sociais. Falta de disciplina? Provavelmente não! Ouvi dizer (minuto 24 a 26) que até é bom para a saúde mental ter vários projectos em curso. A ser verdade a minha saúde mental em breve ficará fortemente robusta! 

Fotografias de livros da minha Biblioteca:




Manta de patchwork e papel de William Morris no quarto de Beatrix Potter


Aguardo a chegada, em Julho, do livro da exposição Drawn to Nature. Após as minhas pesquisas encontrei o melhor preço na Fnac e ainda fico com pontos no cartão.

No dia da criança recordo a frase da Lya Luft

A Infância é um chão que a gente pisa a vida inteira

Tão verdade! "A infância não passa completamente...ela permanece como uma base invisível de tudo o que sentimos, acreditamos e construímos na vida adulta"

domingo

Bordar memórias para o futuro

 Tenho cada vez mais a certeza de que gosto de fazer trabalhos de mão intemporais, sejam bordados ou patchwork. Projetos que não são apenas para me satisfazer, mas que podem permanecer muito para além de mim (até as malhas se alguém as vier a vestir!). Gosto da ideia de criar peças que contem a minha história, a da minha família e a vida que vivi. 

Quando penso nos bordados que faço hoje, imagino-os daqui a muitas décadas. Quem sabe se um dia os meus descendentes não pegarão numa dessas peças e começarão a fazer de detetives? Talvez tentem descobrir quem bordou aquelas iniciais e, depois, com a curiosidade aguçada, se questionem sobre onde é que eu vivia, como era a minha vida e o que me inspirava. É exatamente isso que fazemos hoje quando observamos os antigos samplers: procuramos pistas sobre as pessoas que lhes deram vida, onde e como viviam, o que torna todo o processo ainda mais fascinante.  

Depois de muito ponderar, abandonei, por agora, alguns planos que tinha feito em Maio, porque neste momento estou entusiasmada e, ao mesmo tempo, dividida entre dois projetos (também de inglesas) que quero muito começar. E a culpa é da Jackie Ahistrom, com o seu entusiasmo contagiante, as descobertas que vai partilhando e as histórias que vai recontando. Por um lado, quero fazer o Sampler da Beatrix Potter, adaptando-o à minha realidade alterando as iniciais, talvez bordando apenas as dos meus filhos, as minhas e as do Zé. Por outro, sonho com o Sampler da Hannah Whitaker, mas transformando-o numa peça da família Amaral, com as iniciais dos meus pais e dos meus irmãos, acompanhadas por uma frase escolhida por mim. Seria uma adaptação significativa do modelo original, mas faria todo o sentido para as gerações futuras da  nossa Família. Aguardo os linhos que encomendei, para escolher entre os que tenho e os que estão para chegar, não tendo, infelizmente, encontrado o linho recomendado.

Enquanto penso nestes novos projetos, lembro-me também de um outro que continua à espera de ser terminado. É um painel muito especial, onde quero bordar uma frase do meu pai: "Só quero um caminho para andar". Nessa peça já comecei a escrever, na ponta da agulha, uma parte da minha própria história. Falta apenas continuar, mas o entusiasmo do meu regresso ao ponto de cruz foi tão grande que acabou por se tornar uma barreira para os outros projetos.

E há ainda outro projeto, uma manta de patchwork feita com as camisas do meu pai, onde quero aplicar/ montar, com retalhos de tecido, aviões. Ainda me falta a força emocional para pegar na tesoura e começar a transformar as camisas do "pilotaço" em aviões. Sei que um dia o farei, mas ainda não chegou o momento.

Todas estas ideias deixam a minha cabeça a mil, o coração com palpitações e vou tendo algumas insónias. Tenho uma certa ansiedade por sentir que o tempo nunca chega para tudo aquilo que gostaria de fazer. Mas também tenho aprendido uma coisa importante: não preciso de esperar pela reforma para me dedicar a estes projetos, na companhia dos meus irmão, na nossa Casa de Família. Não preciso de os terminar rapidamente, posso fazê-los ao ritmo da minha vida. No fundo, o que importa é continuar a fazer, estimular o cérebro e alimentar a minha paixão pelas agulhas. E talvez um dia, quando alguém pegar numa destas peças e se interrogar sobre quem a bordou, encontre ali muito mais do que um bordado. Encontre uma vida vivida em família, numa família numerosa, onde estão presentes pais, avós, filhos, netos, irmãos, tios e sobrinhos. O que me levou a terminar assim este exercício de escrita, que já vai longo e que era só para arrumar ideias e desacelerar?* Porque queria terminar a minha linha de pensamento, não com um ponto final, mas com fotografias que hoje partilhámos entre irmãos, sinalizando o Dia dos Irmãos — o melhor presente que os meus pais me podiam ter dado! 




*Nota: Este espaço serve para organizar ideias, guardar recursos e, mais recentemente, tem sido pensado como um exercício de escrita e como um álbum de fotografias. Um dia irei tentar imprimir parte do que aqui partilho, para leitura dos meus filhos e netos. Se, com a idade, a memória me falhar, e aos meus irmãos também, talvez estas palavras me  nos ajudem a recordar! O plano é simples: envelhecermos juntos.

terça-feira

Dia da bordadeira

livro para escolher letras se escrever o meu nome

Linho 40ct

Na ânsia de acabar o Ned Neddles, ia deixando passar o Dia da Bordadeira! Felizmente, ao final do dia, depois da caminhada com os cães, ainda houve tempo para iniciar o S de Sampler, que neste caso será o S de Sofia. Ainda não sei se substitua a palavra “Sampler” pelo meu nome, se opte pelo ano ou se a deixe em branco. Gostei muito de trabalhar no linho de 40 ct com fio de seda Soie 100.3. Feita a experiência, resta agora escolher, entre os projetos que já tenho, aquele para o qual vou adquirir fio de seda.

Ontem, ao final do dia, enquanto regava, o som da água trouxe-me à memória os verões em Pedras e o som da rega nos relvados. Hoje, ao chegar a casa no regresso da visita à minha mãe, foi o ruído das pinhas a estalar que fez soar o sinal de alerta de que o Verão está a chegar. E, como habitualmente, ao contrário da maioria das pessoas, apesar das férias vou ter menos tempo para as minhas agulhas. Pus-me a refletir na minha ambiciosa lista de projetos para Maio e pensei que ainda bem que não fiz compras precipitadas, porque iniciar grandes projetos quando o Verão está a chegar só me iria trazer frustração e ansiedade por ter de os colocar de parte. Não é isso que pretendo. Quando escolho o que quero bordar, há sempre uma intenção. Uma delas é pensar no projeto final, onde o quero colocar ou a quem o quero oferecer, para além dos momentos de calma e prazer que as agulhas me proporcionam. Por isso, não posso iniciar nada que queira ver concluído em breve para a minha casa, visto que, no Verão, não bordo assim tanto!  — muito menos quando preciso da lupa para bordar! Sim, porque os materiais da minha eleição nos dias de hoje são muito diferentes dos de há 30 anos, ou mais, e os meus olhos também não são os mesmos. Bordar em linho de 36 ou 40 fios é muito diferente do material dos kits de ponto de cruz de há 30 anos.

Tudo faz parte das aprendizagens da vida. Aprendi a esperar pelo momento certo para cada projeto e a compreender que há estações que me oferecem mais tempo para bordar, enquanto outras me convidam a construir e a colecionar memórias, a fazer pausas e a abraçar novos ritmos.

Nota: Molduras em estudo




quarta-feira

Como se cada ponto pudesse guardar um pedaço de tempo

Sou fã da Beatrix Potter desde que fui mãe. Gostaria de ter participado no Workshop realizado recentemente em Hill Top com a Nicki F., mas não me foi possível, já que ainda não estou reformada. Assim encontrei uma forma de me ligar a este universo: através das linhas, do linho e das agulhas.

Tenho ainda um kit da Nicki, inspirado nos contos da Beatrix Potter por bordar, embora confesse que ainda não ganhei coragem para pintar o linho. 

À falta de coragem para pintar o linho, pensei em bordar um esquilo da Stacy Nash — afinal, era a alcunha da minha filha Madalena, nascida em Maio. 

Entretanto, e quase por coincidência, ouvi a Nicole conversar com a Sarah sobre uma das suas visitas a Hill Top, onde viu o Quaker Sampler* que se encontrava no quarto de Beatrix Potter. 

Numa teia de linhas que unem designers, decoradoras, historiadoras e curiosas, cheguei ao vídeo da Kathleen Littleton enquanto estudava um quaker sampler (o da fotografia) que me levou a um outro vídeo da Jackie, Comfort Stitch. A Jackie fez, igualmente, referência ao sampler associado a Beatrix Potter, mas que não foi bordado por ela  o que me fez deixar em suspenso a ideia de o bordar.

Tudo isto para dizer que o plano para este mês será, finalmente, tentar bordar o esquilo, Miss Hazel, a que quero juntar o pequeno Ouriço (o da fotografia) a quem resolvi chamar Ned Nedlees, à conta da leitura durante a viagem que fiz, e uma raposa para assinalar a visita inesperada de uma ao jardim da minha filha, enquanto jantávamos.

Nos trabalhos em curso, quero tentar avançar com a casa do GH1857 e iniciar o terceiro bordado do projeto Loose Feathers, já que inclui um gato — igualmente apropriado para um mês que pretendo dedicar aos animais que ganharam vida e personalidade nas histórias da Beatrix Potter.

Claro que os planos não ficam por aqui!

Se a ambição derrubar a disciplina, gostava de começar um sampler da Nicole, da Hands Across the Sea. O mais sensato seria iniciar um projeto pequeno, e tenho dois Samplers na minha lista o da Sarah Spencer 1870 e o da Sarah  Fletcher 1841. Mas o atrevimento fala mais alto e sou sempre atraída por grandes desafios: sinto vontade de bordar o sampler Queen of the May, do ano passado — precisamente o ano em que retomei a paixão e dedicação pelo ponto de cruz. Atrai-me por ser a Rainha de Maio, pelo simbolismo ligado ao mês de nascimento da minha expatriada, e também pelos cisnes e flores. Por outro lado, há o sampler de Mary Wales Newson 1838, o SAL deste ano. Gosto particularmente do facto de não ter letras, de ser trabalhado em tons de verde — cores que combinarão com o novo quarto — e da sua ligação a Belgravia, em Londres. 

Olhando para os planos para Maio dá para perceber que penso no que quero bordar  como se cada ponto pudesse guardar um pedaço de tempo e lugar.

Com uma lista interminável de projetos aos quais gostaria de me dedicar, resta-me aprender a conciliar o entusiasmo com o tempo real que tenho para as minhas agulhas.

Felizmente, o meu tempo não é só preenchido ao ritmo das agulhas. Nos últimos dias, entre risos de netos, conversas demoradas, retoques na casa que se faz lar e celebração de mais uma volta ao Sol da minha filha Madalena, o tempo deixou de ser contagem para se tornar presença. 

Tolkien, escreveu sabiamente que tudo o que realmente podemos decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. Talvez seja essa a verdadeira sabedoria da vida: aceitar que não controlamos a duração dos dias, mas podemos escolher a forma como os enchemos. E eu escolho preenchê-los com afetos, com memórias que não cabem em relógios, porque o tempo, afinal, não se mede pelas horas que correm, mas pelos momentos que permanecem. Aqui guardo esses momentos em fotografias e tento guardá-los em cada ponto que faço, como se o próprio tempo pudesse ser tecido com as mãos e transformado em memória viva.

Consegui terminar a camisola para estrear a 9 de maio. A minha filha vestiu a camisola Teru que lhe ofereci há algum tempo
.




Ida ao teatro ver a peça Tortoise and the Hare 


Levar e ir buscar os netos à escola

 Passeámos por Chelsea onde nos foi possível ver as floristas, e não só, a preparem as montras para o Chelsea Flower Show 2026

Explorámos o Chelsea Physic Garden. Na minha lista de bordados que quero fazer está um com Snowdrop. Não fazia ideia que pode ser utilizada para combater Alzheimer






Antes de irmos buscar os netos à escola fomos lanchar ao Museu V&A


Notas complementares da IA:

  • Hill Top Farm: Beatrix Potter comprou esta quinta em 1905, no Near Sawrey, usando os lucros dos seus primeiros livros. Tornou-se o seu refúgio e o cenário de muitas das suas histórias.
  • Influência Quaker: Embora Potter tenha nascido numa família unitarista, muitos dos seus ideais de preservação da natureza e vida simples ressoavam com os princípios Quakers. O seu marido, William Heelis, que conheceu em 1909, trabalhava como notário em transações de terras, ajudando-a a adquirir e proteger vastas áreas do Lake District.
  • As instituições de ensino ligadas à Sociedade dos Amigos (Quakers) que estavam ativas na região durante a vida de Potter eram: Stramongate School (Kendal): Localizada em Kendal (a cerca de 20 km de Hill Top), esta foi uma das escolas Quakers mais famosas da época. O cientista John Dalton foi lá professor. Era um centro de excelência educativa que Beatrix Potter certamente conhecia, dado o seu envolvimento ativo na sociedade local e a proximidade geográfica. Brookfield School (Wigton): Também conhecida como Wigton School, ficava mais a norte em Cumbria. Fundada em 1815, funcionou durante todo o período em que Potter residiu no Lake District como uma escola de internato baseada nos valores de "verdade, justiça e tolerância". Beatrix Potter era uma figura respeitada por estas comunidades devido ao seu trabalho como conservacionista, protegendo milhares de hectares de terra que hoje pertencem ao National Trust.