O início do ano letivo foi intenso. Tendo em conta que, em quatro semanas, fiz o trabalho equivalente talvez a seis semanas, não queria ir de licença sem vencimento sem ter tudo tratado e organizado para passar a pasta a quem me irá substituir.
Mas não foi só para a escola que tive de trabalhar. Como dona de casa, também quis deixar tudo orientado e, apesar do calor, já iniciei a mudança de estação em casa, uma vez que regressarei quase no inverno, talvez a tempo dos preparativos para o Natal.
Nos intervalos do trabalho, fui terminando algumas peças para a minha neta Teresa.
A ansiedade é muita, e só me vou ausentar por dois meses. Deixo para trás filhos, netos, marido e a minha mãe, que tanto precisa de visitas regulares. A minha filha teve de se sentir quase sem saída para ter tomado a decisão de deixar tudo e todos para trás, à conquista de melhores oportunidades. Este é o país que hoje temos, que empurra para lá da fronteira os jovens que formou, deixando famílias separadas, incompletas. Que coragem tem esta nossa juventude, tão batalhadora! Hoje sei bem o que a minha filha sentiu quando a deixei, de mochila às costas, no aeroporto, tentando esconder as lágrimas — mas em vão. Eu regressarei daqui a dois meses. Vou matar saudades da minha filha e dos meus netos, vou conhecer a minha neta Teresa e, ainda assim, aperta-se-me o coração pelos que deixo para trás.
Mas, antes de partir, ainda consegui ter um fim de semana 100% de avó com os netos que vivem perto de mim e uma tarde no Banzão com a minha mãe e alguns Amarais. Foram momentos bons, daqueles que ajudam a fazer uma pausa no meio da correria dos preparativos.
Em vésperas de viajar, fui lanchar a casa da minha filha e, entre uma conversa e outra, ainda houve tempo para explicar vulcanologia ao meu neto mais velho.
No último serão, já com a contagem decrescente a apertar, espero conseguir fazer mais um EPP, para a minha neta Teresa, que depois irei aplicar num saco de dormir.
E assim foram os dias antes da partida: intensos, cheios de coisas para resolver, mas também de família, afetos e pequenos, mas preciosos momentos.
Enfim, vamos a planos.
O primeiro era visitar o The Knitting and Stitching Show, mas teria de ser no dia seguinte à minha chegada. Como tal, tendo em conta o cansaço, do qual que terei de recuperar, e a ausência na feira de alguns dos expositores onde queria adquirir materiais, não sei se irei. Até porque já fiz algumas compras antecipadamente.
O que me motiva a ir à feira— e daí ainda não ter tomado nenhuma decisão — é a exposição da tapeçaria de Jane Austen, da autora do livro que comprei, Kate Evans*. Um patchwork bem diferente, que me deu vontade de iniciar um projeto pequeno, baseado no quilt coverlet de Jane Austen. Já tenho os papéis para EPP e alguns tecidos da coleção Jane Austen. Se for um projeto pequeno, não só será portátil como também não irá exigir muito tempo para o concluir.
E tempo é coisa de que vou precisar para os projetos de ponto de cruz em que me meti, que são todos de grande escala. Comigo irá o sampler da Beatrix Potter, para bordar na sua terra. Entretanto, andei a bordar o GH1857, uma vez que esse não irá comigo. Levo também o bordado a pensar na minha neta, que trago no coração, e irei iniciar um da Brenda Gervais para a minha neta Teresa.
Com tudo isto, tenho a cabeça a mil.
E já me esquecia de que também quero tentar visitar a Bayeux Tapestry (a Kate Evans também refere a Bayeux Tapestry)! A Inglaterra dos crafts está ao rubro*, quase uma febre para ir ver a famosa tapeçaria - que, afinal, nem sequer é uma tapeçaria! Vamos ver se consigo bilhetes. Logo se verá!
Planos são isso mesmo e, frequentemente, não os consigo cumprir. Primeiro, a vida, desfrutada, tanto quanto possível, em toda a sua plenitude; depois, os planos. E assim vou reinventando a felicidade, como dizia a minha avó Teresa.
Se não conseguir visitar a tapeçaria, fica para uma próxima ida a Inglaterra, que terá de ser antes de junho ou julho do próximo ano.
Notas: ✂️🪡 a review of patchwork : a graphic biography of jane austen by kate evans 🪡✂️
The Austen Tapestry
Mia, reproduziu a tapeçaria e tem material à venda, como por exemplo livros para colorir, a partir dos quais se pode copiar desenhos para bordar.
* Num dos seus vídeos, a Sarah estabelece um paralelismo entre a tapeçaria em que participei, aquela que visitei em Edimburgo e a Bayeux Tapestry.
The Bayeux Tapestry: A Masterpiece of Storytelling - with Alice Loxton
Guardo aqui estas notas, para me ajudar a tomar decisões, durante a minha estadia.













































































