quarta-feira

Avó Sofia de licença, a caminho de Inglaterra.

O início do ano letivo foi intenso. Tendo em conta que, em quatro semanas, fiz o trabalho equivalente talvez a seis semanas, não queria ir de licença sem vencimento sem ter tudo tratado e organizado para passar a pasta a quem me irá substituir.

Mas não foi só para a escola que tive de trabalhar. Como dona de casa, também quis deixar tudo orientado e, apesar do calor, já iniciei a mudança de estação em casa, uma vez que regressarei quase no inverno, talvez a tempo dos preparativos para o Natal.

Nos intervalos do trabalho, fui terminando algumas peças para a minha neta Teresa.

A ansiedade é muita, e só me vou ausentar por dois meses. Deixo para trás filhos, netos, marido e a minha mãe, que tanto precisa de visitas regulares. A minha filha teve de se sentir quase sem saída para ter tomado a decisão de deixar tudo e todos para trás, à conquista de melhores oportunidades. Este é o país que hoje temos, que empurra para lá da fronteira os jovens que formou, deixando famílias separadas, incompletas. Que coragem tem esta nossa juventude, tão batalhadora! Hoje sei bem o que a minha filha sentiu quando a deixei, de mochila às costas, no aeroporto, tentando esconder as lágrimas — mas em vão. Eu regressarei daqui a dois meses. Vou matar saudades da minha filha e dos meus netos, vou conhecer a minha neta Teresa e, ainda assim, aperta-se-me o coração pelos que deixo para trás. 

Mas, antes de partir, ainda consegui ter um fim de semana 100% de avó com os netos que vivem perto de mim e uma tarde no Banzão com a minha mãe e alguns Amarais. Foram momentos bons, daqueles que ajudam a fazer uma pausa no meio da correria dos preparativos.



Em vésperas de viajar, fui lanchar a casa da minha filha e, entre uma conversa e outra, ainda houve tempo para explicar vulcanologia ao meu neto mais velho.

No último serão, já com a contagem decrescente a apertar, espero conseguir fazer mais um EPP, para a minha neta Teresa, que depois irei aplicar num saco de dormir. 


E assim foram os dias antes da partida: intensos, cheios de coisas para resolver, mas também de família, afetos e pequenos, mas preciosos momentos.

Enfim, vamos a planos.

O primeiro era visitar o The Knitting and Stitching Show, mas teria de ser no dia seguinte à minha chegada. Como tal, tendo em conta o cansaço, do qual que terei de recuperar, e a ausência na feira de alguns dos expositores onde queria adquirir materiais, não sei se irei. Até porque já fiz algumas compras antecipadamente.

O que me motiva a ir à feira— e daí ainda não ter tomado nenhuma decisão — é a exposição da tapeçaria de Jane Austen, da autora do livro que comprei, Kate Evans*. Um patchwork bem diferente, que me deu vontade de iniciar um projeto pequeno, baseado no quilt coverlet de Jane Austen. Já tenho os papéis para EPP e alguns tecidos da coleção Jane Austen. Se for um projeto pequeno, não só será portátil como também não irá exigir muito tempo para o concluir.


E tempo é coisa de que vou precisar para os projetos de ponto de cruz em que me meti, que são todos de grande escala. Comigo irá o sampler da Beatrix Potter, para bordar na sua terra. Entretanto, andei a bordar o GH1857, uma vez que esse não irá comigo. Levo também o bordado a pensar na minha neta, que trago no coração, e irei iniciar um da Brenda Gervais para a minha neta Teresa.

Com tudo isto, tenho a cabeça a mil.

E já me esquecia de que também quero tentar visitar a Bayeux Tapestry (a Kate Evans também refere a Bayeux Tapestry)! A Inglaterra dos crafts está ao rubro*, quase uma febre para ir ver a famosa tapeçaria - que, afinal, nem sequer é uma tapeçaria! Vamos ver se  consigo bilhetes. Logo se verá!

Planos são isso mesmo e, frequentemente, não os consigo cumprir. Primeiro, a vida, desfrutada, tanto quanto possível, em toda a sua plenitude; depois, os planos. E assim vou reinventando a felicidade, como dizia a minha avó Teresa.

Se não conseguir visitar a tapeçaria, fica para uma próxima ida a Inglaterra, que terá de ser antes de junho ou julho do próximo ano.


Notas: ✂️🪡 a review of patchwork : a graphic biography of jane austen by kate evans 🪡✂️

 (o ponto Bayeux é igual ao ponto frouxo ou ponto largo, o mais usado no Bordado de Castelo Branco, mas bordado a lã e não com fio de seda)

Mia, reproduziu a tapeçaria e tem material à venda, como por exemplo livros para colorir, a partir dos quais se pode copiar desenhos para bordar.

* Num dos seus vídeos, a Sarah estabelece um paralelismo entre a tapeçaria em que participei, aquela que visitei em Edimburgo e a Bayeux Tapestry.

The Bayeux Tapestry: A Masterpiece of Storytelling - with Alice Loxton 

Pub com tapeçaria.

Guardo aqui estas notas, para me ajudar a tomar decisões, durante a minha estadia.

segunda-feira

Um saco para a Teresa


Bordei mais um saco de maternidade para a minha neta Teresa e, quando escrevi o seu nome, lembrei-me da minha avó Teresa. Quando o bordei, sonhei com a minha neta. Imaginei-a daqui a uns anos, quem sabe já na faculdade, levando este mesmo saco na sua mala. Ou, se ela quiser, poderá um dia incorporar este pedaço de tecido numa manta de retalhos feita por ela. Isto já é a minha imaginação a escrever um novo capítulo sobre um pequeno bordado, mas com um nome que, por si só, carrega tanta história da nossa família. Não saberei onde vai chegar aquilo que hoje faço, um nome bordado, um pedaço de tecido, um simples saco … e, sem dar por isso, já estou a inventar uma história para alguém que ainda nem sequer nasceu.

Notas: Bordado com fio de seda duplo, marca Soie D'Alger 
Tesoura cegonha D.M.C - Porque é que as tesouras de bordado têm tantas vezes a forma de cegonha? Acredita-se que as parteiras, cujos utensílios tinham por vezes a forma de cegonhas devido à sua associação com bebés, costumavam levar consigo trabalhos de bordado para passar as longas horas à espera de recém-chegados. Com o tempo, as suas ferramentas médicas e kits de bordado foram-se misturando e as tesouras de bordado adotaram o desenho da cegonha. Ou talvez a forma do bico longo da cegonha se preste bem ao desenho da tesoura?

domingo

S de Setembro e de Sampler*

O plano inicial seria começar um Sampler em Setembro. Sendo o dia 4 de Setembro o dia em que se pensa que Hannah terá morrido, para celebrar a sua obra, teria sido uma boa escolha, iniciar o seu Sampler. Até porque é também o início de mais um ano letivo e a sua vida foi dedicada a um colégio. Com receio de que a cor do linho que já tenho para o Sampler da Hannah Whitaker seja demasiado escura, comprei, no dia 4 de setembro, o mesmo linho, mas num tom mais aberto, que estará à minha espera em casa da minha filha Madalena. Apesar de ter muita vontade de iniciar mais um Sampler, consegui resistir, uma vez que ainda tenho algumas “coisas” que quero fazer para a minha neta Teresa. Quero também focar-me no quarto dos netos, o que implica, igualmente, trabalhar num Sampler, o da Beatrix Potter**. 

Quando voltei a pegar no Sampler da Hannah, lembrei-me novamente da série Um Veterinário de Província. Talvez porque a série é passada em Yorkshire, a mesma região onde viveu Hannah Whitaker. E ainda bem que me lembrei! Descobri entretanto que saiu mais uma nova temporada, a sexta, da série.

No episódio quatro, adorei a história por trás de uma manta de patchwork e o facto de Helen — casada com o veterinário James Herriot — ter acrescentado à manta um quadrado bordado que contava um pouco da sua história. E, como se isso não bastasse, desafiou também a irmã mais nova, Jenny, a colocar um quadrado que contasse a sua própria história.

Escolha do fio, com a carta de cores da D.M.C

As histórias contadas na ponta da agulha, traçadas com fios, são sempre algo que me fascina! Depois de ver a Helen acrescentar um bordado à manta, pensei que também eu poderia deixar a minha marca na manta que fiz mais recentemente, para que não se perdesse uma data especial. Decidi, então, que tinha de arranjar tempo para o fazer. Redigi a caneta, sem fazer um rascunho, e assinei para que a caligrafia ficasse o mais próxima possível da minha, embora escrita na ponta da agulha. Não fiz correções e bordei tal como saiu à primeira. Apliquei o coração e agora fiquei a pensar que gostava de ter mais tempo para fazer mais pontos de acolchoamento. Aliás, é algo que quero fazer, também, na manta que fiz para os netos. Um dia faço, com tempo!

Notas: 

* Em Inglês conhecido por Sweet Sampler September 

** Inscrevi-me num SAL, no grupo  Across The Pond, apesar de já ter começado o meu Sampler! Este será o segundo SAL em que estou a participar de ponto de cruz. Embora não lide bem com prazos, gosto da companhia virtual e das partilhas, uma vez que bordar é uma atividade que pode ser muito solitária.



quarta-feira

Praticar, praticar, praticar

primeira tentativa com apliquick

Needle turner appliqué, resulta melhor para mim!

Comecei por consultar um tutorial para aplicar com frezzer paper, uma vez que já utilizei este método, com resultados razoáveis. Para aplicar os cavalos e as cabras, considerei este método, mas depois pensei melhor e achei que estava na altura de praticar  o applique com as ferramentas que adquiri para esse propósito e que não foram nada baratas. Encontrei, nas minhas pesquisas, um bom tutorial, completei o estudo com mais um tutorial e depois deitei mãos à obra. O truque é saber que vou falhar uma e outra vez, ainda assim, avançar. Esquecer o perfeccionismo e pensar que estou a praticar, a traçar o meu caminho ao meu ritmo e que, como em tudo na vida, praticar, praticar, praticar um dia irá permitir-me fazer  melhor.

A primeira tentativa para aplicar as cabras falhou de tal maneira que não podia deixar passar! Decidi tentar com o primeiro método que aprendi e experimentei, utilizando a agulha para virar o tecido à medida que vou moldando o desenho. É o método indicado pela designer Deborah, sendo também utilizado e recomendado  pelas designers Jo,  Margaret Mew, Sue Spargo. Sendo elas as mestres do applique, devem ter alguma razão para utilizar o método mais tradicional, não sendo certamente por ser o mais económico.  Obtive um resultado satisfatório embora longe de estar perfeito. Ainda assim aceitável. Sinto que, com a agulha, é mais fácil moldar o tecido do que ter o tecido previamente cortado e colado a um suporte.

 As cabras devia tê-las feito num tecido mais escuro, mas nenhum me agradou. 

A almofada dos cavalos, é a pensar nos netos, que adoram montar. Para o mais novo, fiz a almofada das cabras, um dos seus animais favoritos. A almofada das cabras ficou mais feminina, propositadamente, a pensar também na neta. 

A minha companhia nas tardes de agulhas tem sido os meus canitos.

De manhã, bem cedo, dei com a Luna à minha espera!

Estou quase a terminar as almofadas e espero, até ao final do mês de Setembro terminá-las. Para isso ainda me falta o material necessário para os acabamentos e um pouco mais de energia, porque tenho andado adoentada. Dá para perceber quando não estou bem, são os dias em que não pego nas agulhas.

Sem energia, foquei a minha atenção em aprendizagens mais teóricas e no contexto histórico do patchwork, tendo assistido a excelentes documentários no YouTube , a maioria da autoria da The Quilters Guild UK.

domingo

Instantâneos - Parte II

Vivi um Verão em família, preenchido com momentos efémeros, de uma felicidade imensa, que um dia, talvez a memória já não consiga devolver-me mesmo que apenas imagens ténues e desfocadas. Por isso, fotografo. Com a lente, capto o instante(âneos), guardando numa imagem aquilo que os olhos viram e o coração sentiu. Com as linhas, ponto a ponto, fui criando nas tardes quentes de Verão, em que fugíamos do calor intenso, e no fresco dos serões, memórias que posso tocar, daqui a uns anos e associar a este Verão.



Na barriga da mãe, não se tem apenas outro corpo. Fabrica-se a alma. Mia Couto


Canção escrita pela minha afilhada Leonor para o meu neto Francisco, para celebrarmos antecipadamente mais um aniversário, antes do seu regresso a Inglaterra.


Primos
Nós, filhos e netos
Até já!

As "flores do Francisco", florescem todos os anos para o dia 3 de setembro.

Irei sempre associar este Verão ao Sampler da Beatrix Potter, que será para o quarto dos netos.

Em família, com os meus irmãos, no Banzão, apesar da ausência, senti diariamente a presença do Paizoco. Os meus irmãos são fotocópias perfeitas do meu pai, em tudo, o que me faz senti-lo ainda mais presente, mesmo ausente. Longe da vista, mas perto entranhado no coração. 

Paizoco, em cada mergulho no mar ou sessão de hidroginástica na piscina, estavas lá comigo.