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| Materiais reunidos para muitos anos. Um pequeno excesso, sem dúvida! Um arrependimento? Nem por isso. Escolher o primeiro projeto será, talvez, o maior desafio. |
Gosto de romances históricos e de policiais, sendo fascinada pelo trabalho dos detetives. Talvez por isso me tenha rendido novamente ao ponto de cruz. Cada Sampler antigo levanta perguntas e convida à investigação. Gosto de acompanhar esse trabalho de pesquisa, de seguir o percurso de quem investiga essas pistas e de descobrir as pequenas histórias que delas emergem, quase como numa investigação policial. Esta nova dimensão do ponto de cruz é a que mais me tem interessado, talvez porque puxa mais pelo cérebro, uma preocupação que é uma constante no meu dia a dia.
Claro que tenho colecionado materiais para iniciar projetos que nada têm de histórico, como é o caso dos da Brenda Gervais, pelos quais fui atraída pelo equilíbrio das cores e do desenho, bem como pelas frases, cujo significado me diz bastante.
Escolhi alguns desses projetos para os novos quartos da casa que, finalmente, começo a sentir que é minha. Deixou de ser apenas a Casa no Pinhal para passar a ser a nossa casa Entre a Serra e o Mar.
Mas não me fiquei pela Brenda Gervais. Tenho ainda um esquema com uma frase da Jane Austen e muitos outros, sobretudo em formato digital. Uma verdadeira loucura, mas não resisto. Acabo por me deixar influenciar — ou, talvez mais justamente, inspirar — pelos Flosstubes que acompanho.
Como as obras da casa se atrasaram, sinto-me, talvez por isso, mais tentada a dedicar-me a projetos que contam uma história e me transportam ao passado do que a projetos pensados para o presente. Parece que preciso de algo mais do que apenas bordar para a casa; preciso de desafios maiores, de novas aprendizagens e de estimular o cérebro.
Andando perdida, sem saber por onde começar, vou esperar pelos linhos que a minha filha me vai trazer. Depois, juntas, escolheremos o projeto — ou os projetos — a iniciar.
De Samplers históricos, estou a participar no SAL GH 1857. Quero também participar no da Hannah Whitaker, bordar para o quarto dos netos o Sampler da Beatrix Potter e, mais recentemente, adquiri mais um esquema quaker: Ragamuffin 2.
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| Imagem copiada da loja onde se pode adquirir o esquema |
Este último distingue-se por fugir aos tradicionais medalhões quakers. Adorei as cores pastel, a simplicidade do rebordo e o aspeto rendado do alfabeto, bordado em Algerian Eye, podendo também ser executado em Double Cross Stitch ou seguindo um tutorial que encontrei no youtube.
Para este modelo ainda não tenho nem linhas nem linho. Talvez opte por linhas D.M.C., para ficar mais em conta, atendendo aos meus gastos — ou, melhor dizendo, aos meus investimentos recentes.
Escrevo para arrumar ideias, guardar informações a que quero voltar, exercitar a escrita e, já agora, conservar esta imagem que retirei de um vídeo da Jackie. Daqui a algum tempo, sei que será mais fácil recordar por que razão este modelo me chamou a atenção e o que me inspirou quando decidi incluí-lo na lista dos projetos que gostaria de bordar.
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| O estado de estar completamente absorvido num projeto de ponto cruz, felizmente alheio ao mundo exterior e às suas preocupações triviais - pausa mental, respiro cognitivo, fuga ao stress |
Hoje passei o final da tarde, uma vez mais, presa ao ecrã. Vi, na Netflix, o filme A Head Full of Honey. Não o escolhi por acaso. Fui atraída pela relação do avô com a neta, que vislumbrei no trailer do filme, e, como tenho pensado mais no meu Paizoco, quis compreender um pouco melhor o que é viver com Alzheimer, embora isso me deixe sempre angustiada. Lembrei-me da tarde em que lhe pus músicas do seu tempo. Sabia todas as letras e cantou, fazendo a minha mãe feliz outra vez. Vi o filme fazendo malha. Chorei, ri, voltei a estar com o meu Paizoco e voltei a sentir medo. Muito medo de um dia vir a ter Alzheimer e de sentir o meu cérebro transformar-se, lentamente, numa pasta de mel. Fica a questão: será que, se esse dia chegar, a leitura do meu blogue me poderá ajudar? Juntamente com o "Calendário da Gratidão", com todas as memórias que fui guardando em papel e com todos os pontos que fui tecendo e bordando com as minhas agulhas.
Nota: recentemente descobri, nas minhas pesquisas, a ligação dos Quacker à família Cadburry.



























































