quarta-feira

Yarn Along - May


Malha:
Quase tudo o que tenho feito tem sido para o meu neto que nasce daqui a uns dias. Os três saquinhos para a maternidade já estão com a minha filha. Só me falta terminar este cão e a roupa, a combinar com a do nosso bebé. 
Detalhes de todos os projectos, na minha conta no Ravelry, Luís's coming Home, Aconchego azul, Verde esperança, Patita e o Cão.
Mas nem toda a malha tem sido para o neto! Finalmente, ganhei audácia suficiente e arrisquei terminar o Xaile, Pássaros da Praia Grande, com as técnicas que domino, dado que nunca recebi nenhuma resposta da designer Christel Seyfarth, quer no Knit Stars, quer pelo Instagram. 
Livros:
Na cabeceira tenho a"Transcrição", mais uma obra magistral da Kate Atkinson. Uma história de espionagem passada entre 1940 e dez anos mais tarde.
Na mesa dos meus trabalhos, La Broderie en 260 points, livro a que recorro sempre que faço um bordadoDesta  vez para bordar os blocos do projecto de patchwork, Here, There and Everywhere.


Tenho saltitado entre todo o tipo de projectos, desencantado alguns esquecidos nas gavetas, outros conscientemente abandonados e de todo não esquecidos. Do ponto de cruz, para o bordado, do bordado para o patchwork, um verdadeiro desatino, reflexo da ansiedade em que vivo. Revi-me no estado de espírito da Sarah, uma das bloggers e podcaster que mais influencia as minhas escolhas! Tal como ela, este saltitar de projectos tem me ajudado, numa altura em que os sinais de saturação vão sendo de dia para dia mais gritantes. Até mesmo na leitura não me consigo concentrar.

Foram poucas as palavras. Esta estranha forma de vida, em que um professor é forçado a comunicar com os alunos pelo computador, só me faz querer distanciar deste teclado!
Ainda assim, não quis deixar de participar no Yarn Along, de Maio.


quinta-feira

Não tenho mais tempo, o tempo ficou apenas diferente!

Com a certeza de que é preciso continuar  faço um esforço diário e incorporo o que tenho de aceitar como "normalidade", nas minhas rotinas diárias, sem grandes sacrifícios mas com alguma preocupação em relação à família.
Com a certeza de que é preciso continuar, tento não me atormentar mantendo as mãos ocupadas. Mas as agulhas direccionam o meu pensamento para os dias do longo internamento em que troquei ideias de bainhas abertas e bordados com enfermeiras pacientes e conversei com médicos dedicados acerca da perfeição dos seus pontos e de formas da recuperação da minha motricidade fina. Enfim, memórias positivas que consigo ter desses dias graças a médicos e enfermeiras/os formidáveis que tive, que temos e que hoje lutam por todos nós. Revolta-me saber que há quem não fique em casa desrespeitando todos os que estão na linha da frente empenhados em defender a nossa saúde!
Talvez por isto e por muito mais, a minha concentração esteja sempre a ser testada e consecutivamente falho. Estando de férias de Páscoa e fechada em casa, aparentemente teria mais tempo, mas não, não tenho mais tempo. Tenho apenas um tempo diferente, uma interrupção, que coloca na minha frente um caminho novo.
Este "tempo diferente" que poderia ser de horas a fio dedicadas a criatividade, tem sido preenchido pela monótona repetição de pontos de meia e liga, tecendo peças em malha para o neto que nascerá em Maio. Hoje tenho nas agulhas um casaquinho com um padrão que tem sido um consolo e, como sigo parcialmente umas instruções, consigo envolver o pensamento numa ténue criatividade. Ainda assim, quando fico cansada da repetição do esquema e me apetece brincar com cores, salto para o Sampler a ponto de cruz.

Depois de Tudo
De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre a começar...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar

Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro.

Fernando Pessoa

quarta-feira

Yarn-Along April

O modelo da esquerda foi criado e tricotado pela minha mãe

Ginny com a iniciativa da rubrica Yarn-Along, é responsável por esta  minha rotina mensal, partilhar os projectos de malha e leituras, desta vez no meu primeiro dia de férias de Páscoa.
Malha
Tenho nas agulhas um projecto a que dei o nome de Verde Esperança, utilizando fio Olívia, sobra de um colete que fiz para mim. As instruções da Petit Knit são muito claras e simples. Como estou a aproveitar um fio que tinha em casa tenho de ir verificando o tamanho com um modelo que a minha mãe fez para o meu filho.
O cão já está na fase de enchimento e costura, ficando a faltar-lhe uma camisola e calças.
Livros
Sempre me interessei por outras culturas/religiões e, sentindo-me fortemente interessada em patchwork, curiosa nas suas mais diversas formas, e motivada para novas aprendizagens, decidi encomendar How to make and Amish Quilt, na Amazon, após ter lido os comentários ao mesmo. Não me decepcionou, antes pelo contrário, estou a adorar e mesmo que não faça nenhum dos projectos, em teoria aprendi imenso e satisfiz, parcialmente, a sede de aprender.
Do país vizinho chegou lã feltrada e o livro Folk-Tails da Sue Spargo, um livro fantástico! O projecto é muito ambicioso mas, o que estou a pensar fazer, são pequenos quadros para colorir um quarto de criança.
Aproveito para partilhar que a Sue Spargo está a publicar diariamente vídeos, com instruções de diversos pontos no Instagram, para ajudar a passar a quarentena a quem gosta de linhas e agulhas.  
Leio e releio The Boy, the Mole, the Fox and the Horse, um livro fabuloso, tentando perceber se, de alguma forma, poderá ser adaptado a um painel bordado, com patchwork.
As filhas do Capitão só comecei a ler ontem e pouco posso adiantar, mas gosto da escrita de Maria Buenas.

Séries e filmes
Além dos episódios da Rosemary and Tyme, no youtube, sigo atentamente um policial no HBO, Liar.
Também na HBO, vi o filme Temple Grandin, o testemunho de vida de uma autista. Um filme interessante, pelo menos para mim, enquanto professora de alguns alunos do ensino especial (apesar de não ter feito formação nessa área!).

Não vou terminar com "Tudo vai ficar bem" palavras que, ao fim de quase três semanas de isolamento, de muito stress pessoal e profissional, estou cansada de ouvir! Um texto motivador vinha a calhar e, se quisesse ter mais seguidores, seria a receita ideal, mas não procuro seguidores e não sei procurar as palavras certas. Também não vou escrever sobre como me sinto, não o saberia fazer. Apenas confesso que não estou a fazer exercício diariamente, não me arranjo como se fosse para a rua, não faço sumos especialmente ricos em vitaminas e minerais, não telefono diariamente a um amigo, não faço nada daquilo que vejo nas redes sociais. E sabem que mais? Não me sinto menos capaz de enfrentar este desafio! A única regra que sigo, das que são constantemente divulgadas, é a consulta das notícias apenas uma vez por dia, para manter a minha sanidade mental. Quem me acompanha aqui desde o início do isolamento, após esta confissão, é gritante a alteração do meu estado "de espírito". Apetece-me dizer palavrões porque as palavras não são suficientemente fortes, não aliviam. Sou de riso e de lágrima fácil, imaginem como ando! Mas quem fica indiferente a tudo isto?
Não vou pedir desculpa pelo desabafo. Poderão pensar que neste contexto não faz muito sentido, mas estou aliviada! Em contrapartida espero que os mais pacientes, que leram até aqui, tirem algum proveito das restantes partilhas.
Estes dias provaram que tenho razão em querer sair da cidade, o que me levou a reactivar o anúncio de venda da nossa casa, numa altura que não faz nenhum sentido, mas nunca se sabe!

domingo

#euficoemcasa com linhas, agulhas e séries

Na primeira semana de isolamento o meu característico optimismo fez-me crer que seria por pouco tempo e por isso peguei alegremente na manta do neto. Depressa abandonei a ideia, a ansiedade tomou conta de mim, não conseguia dedicar-me a nada de "corpo e alma". Optei por evitar associar as memórias destes dias a peças que mais tarde vou ver no meu neto e assim, virei-me para o ponto de cruz. Escolhi o Sampler da Moira Blackburn, recordava-me de o ter estado a bordar na Caloura, viajando assim para a casa da Família, onde me sinto sempre segura e serenamente feliz.
Hoje tenho consciência que o isolamento vai ser por um período bem mais longo do que aquele com que estava a contar, como tal, terei de retomar os projectos interrompidos que precisam de ser concluídos. Vou fazê-los pensando que o meu neto irá nascer num Mundo Melhor, acreditando que a humanidade terá tido este tempo para repensar alguns valores e formas de vida.
Ao serão o trabalho das mãos é acompanhado pela série "Rosemary and Thyme", disponível no YouTube, a qualidade de imagem é fraca, ainda assim recomendo, sendo uma excelente forma de aprender ou actualizar o Inglês. Nos primeiros episódios, da temporada 1, a Rosemary veste uns coletes de Fair Isle , com combinações de cores únicas, geniais!
Na Netflix recomendo The English Game  embora não ligue nenhuma a futebol, na verdade é uma série que aborda muito mais para além de futebol, com interpretações brilhantes que me comoveram até às lágrimas.
Com alguma regularidade visito algumas podcasters, mas as escolhas que faço são diferentes das que fazia. Não perco um episódio do Arne&Carlos, gosto de estar no sofá verde da Kate, com quem faço pathwork e de passear na auto-caravana da Anna, responsável  pela minha descoberta da Sue Spargo, tendo recentemente criado um segundo canal dedicado ao ponto de cruz. As duas têm uma incrível capacidade de me acalmarem, tendo interesses comuns aos meus, sendo boas companheiras em tempo de isolamento.
Procurando manter uma alimentação saudável, esta semana estive mais atenta às publicações da Sadia e a Lisa .

sábado

Bolo para o Pai, Diário de Gratidão e materiais para #euficoemcasa


Quando fui ao Edinburgh Yarn Festival, tive a oportunidade de descobrir o Café Larder onde comi um bolo de cenoura* delicioso! Quando estava a ver o podcast The Bakery Bears, episódio 141 (ao minuto 50) reconheci o bolo que tanto tinha apreciado. Traduzi a receita, experimentei e no Dia do Pai, em vez de levar o jantar à hora habitual, levei à hora do lanche para mimar o meu paizoco com bolo e chá. Nunca entro em casa, mas tenho de me sentir grata pois tenho a oportunidade de ver os meus pais de oitenta anos, todos os dias. Não lhes posso tocar com as mãos, mas posso "tocar" com um olhar, algo digno de registar num Diário de gratidão
O Diário de Gratidão, que escrevo durante o isolamento, tem sido uma fonte de inspiração em termos criativos. É um caderno de apontamentos com imagens de trabalhos da Sue Spargo. Na casa da minha expatriada tenho o Sampler Chick Play à espera que termine o isolamento, que temos de respeitar, e recebi de Espanha o livro Folk Tails que, por agora, está de quarentena na minha marquise, junto com alguns tecidos para a manta Here, There and Everywhere e flanelas
Tenho muito com que ocupar as mãos e dar asas à criatividade, nas horas de isolamento em que não estarei a trabalhar com e para os meus alunos. Esta primeira semana de adaptação, à nova realidade de vida escolar, foi difícil e não me permitiu ter muito tempo para mim.

* Receita adaptada, mas não deixem de visitar o podcast The Bakery Bears

Numa taça colocar:
250gr de farinha (peneirada, substitui 50gr por farinha de avelã),
1 colher de chá de canela,
1 colher de chá de gengibre  (bom para o sistema imunitário),
230gr de açúcar castanho mascavado,
250gr de cenoura ralada grosseiramente;
3 ovos batidos com um garfo num prato de sopa e só depois é que são adicionados,
150 ml de óleo de girassol,
raspa de uma clementina (como não tinha foi raspa de meio limão e de meia lima- fica delicioso!).

Vai ao forno a 170ºC por uma hora

Recheio e, se gostar, cobertura:
50gr de manteiga batida, acrescentar 200gr de queijo Philadelfia, 100gr de icing sugar e raspa de uma laranja.
Vai para o frigorífico durante 1h e só se coloca no bolo depois de este arrefecer.

terça-feira

#euficoemcasa no Dia do Pai

Com o isolamento que nos foi imposto, netos e filhos tiveram de se reinventar para festejar em Família, os 82 anos do meu Pai. Cada neto coloriu uma letra, das palavras "Muitos Parabéns", tiraram uma fotografia, um dos filhos fez a montagem, outro imprimiu e outro foi tocar à porta, deixando na entrada o cartaz, com cartas dos filhos e netos. Acreditem que foi uma das melhores ideias que a minha irmã teve. O meu pai estava de coração cheio, a minha mãe orgulhosa nos filhos e todos nós sentimos que, na nossa família, conseguimos ficar em casa sem haver longe, nem distância, sempre unidos até com barreiras virais e isolamentos físicos impostos.
Numa altura em que todos precisamos de nos sentir acompanhados, principalmente os mais velhos, achei por bem partilhar esta ideia, que poderão adaptar para o Dia do Pai.

Nota: o cartaz foi montado numa imagem do céu porque o meu pai é piloto e, quase todos os desenhos, tinham aviões. Nenhum neto sabia o que o outro estava a desenhar ou pintar.

domingo

#Euficoemcasa reinventando rotinas diárias

Fotografia da revista 

fotografia da revista

O fim-de-semana em isolamento tem resultado em mais tempo no computador, sujeitando-me a tentações, algumas das quais não consegui evitar, até porque ninguém sabe quanto tempo durará esta nova forma de vida. Do que estou a falar, quando escrevo "tentações"? No mundo dos trabalhos manuais há designers que estão a oferecer modelos, outras descontos em todos os produtos, lojas oferecem portes grátis, tudo para ajudar as pessoas a manterem as mãos ocupadas e embrenhadas em projectos, contribuindo deste modo para o grande desafio que foi colocado a toda a humanidade, combater/travar o covid-19. 
Tive de me proteger deste constante bombardear de "ofertas", refugiando-me nos livros e revistas, nos quais, há algum tempo, já tinha sinalizado projectos que gostaria de fazer. Talvez seja o momento oportuno para desenvolver a criatividade a dois. O Zé num instante fez o traçado dos mapas para a manta do quarto dos netos e, como tal, está a precisar de se envolver num novo projecto. O problema, quando trabalhamos a dois, é que desenhar é muito mais rápido do que bordar e fazer colagem de tecidos!
Voltando ao novo projecto, será uma adaptação de um desenho da Jo Colwill, no lugar da mota, será um Land Rover, onde estaremos os dois lado a lado, como nos nossos passeios. Um dia gostaria de visitar a sua loja física, que em tudo se assemelha ao meu sonho para a reforma. Espreitem aqui um vídeo de um tutorial, onde poderão ver do que estou a falar. No Birmingham Festival of Quilts tive o privilégio conhecer a  simpática Jo. O que as feiras e festivais têm de melhor é o contacto que temos com designers e não só, a oportunidade de conhecermos pessoalmente aquelas e aqueles que já conhecemos virtualmente.

sábado

Mãos criativas, são mãos ocupadas

Dificilmente conseguimos evitar levar as mãos à cara! A avó Sofia escolheu ocupa-las fazendo uma manta de patchwork para o berço do neto. É extremamente fácil, mesmo para quem nunca fez este tipo de trabalhos e, apesar de isoladas/os em casa, é seguro aprender na companhia da Maura. Investi num pacote de aulas e recomendo para quem nunca fez este tipo de trabalhos.
Para quem quer evitar gastos, fica a sugestão dos tutoriais gratuitos da Rita (um dia ainda vou fazer esta manta) e da Missouri Star Quilt Company com uma infinidade de tutoriais. Para quem não tem máquina de costura recomendo os vídeos da Jude, sempre com trabalhos extraordinariamente criativos!
Voltando à manta, já tinha os tecidos que adquiri na At Home, juntamente com etiquetas que ajudam a organizar o trabalho, para quem não faz tudo de empreitada e tem de guardar blocos já cortados.

Alfinetes sem plástico  da Tulip. As minhas agulhas são também Tulip e adoro a apresentação em tubos de ensaio, para o meu "laboratório" de costura e bordado

Reciclei um lençol velho, sobre o qual apliquei as tiras de tecido de uma forma aleatória. Estudei a forma como queria dispor os quadrados, uni-os obtendo um conjunto de quatro tiras e estou na fase do acolchoamento. Pensei em acolchoar com Linha de Sashiko mas não tinha a cor que queria. Experimentei as linhas que comprei na minha última visita à Loop, mas não apresentam a resistência desejada, acabei por acolchoar com linha própria para acolchoamento.
Na parte de trás usei um tipo de flanela suave ao toque do bebé 
Sei que fui vaga mas tenho de respeitar o trabalho da Maura!
Quem ainda não sabe o que oferecer no dia do Pai, fica a partilha das instruções de uma Manta, por uma blogger do país vizinho, da qual estava a contar receber uns materiais, mas estamos as duas a reconsiderar e a pensar o que fazer, aguardando uma resposta da distribuidora para mais esclarecimentos em relação às medidas que estão a tomar para o coronavírus.
Para quem não aprecia este tipo de trabalho e gosta mais de trabalhar com papel, recomendo o tutorial mais recente da Kate, sobre encadernação. A Kate tem também videos de patchwork e não só, sendo uma companhia bastante agradável quando tenho as mãos ocupadas com trabalhos manuais.
Volto a recomendar a série da Netflix, Alias Grace, para quem gosta de Patchwork e o filme How to Make an Americain Quilt, sempre bom de ver e rever.
Sejam criativos/as e mantenham as vossas mãos ocupadas, longe da cara.

sexta-feira

Fico em casa, pela nossa saúde!

imagem da net

Hoje ainda fui à escola, muito contrariada. Pensei em faltar pois não há nada mais valioso do que a Vida, mas a contar que teria as turmas a metade e planeando dar as aulas no pátio da escola, resolvi arriscar. Tomei esta decisão por pensar que poderia fazer diferença esclarecer alunos ainda longe de conhecerem a realidade do que estamos a viver, alertar para o que são cuidados de higiene extrema e explicar-lhes o verdadeiro significado de ISOLAMENTO. Como professora de Ciências e Bióloga acredito que, pelo menos alguns alunos, ouvem o que digo e que não duvidam dos conhecimentos científicos que lhes tentei transmitir. Por fim expliquei como iríamos trabalhar nos próximos dias, mas como sei que o trabalho não vai ser o mesmo do que quando estão acompanhados por nós, acrescentei algumas sugestões de como passarem o tempo de isolamento. 
Fico em casa, pela nossa saúde e vou manter as mãos ocupadas, para evitar levá-las à cara, com trabalhos manuais, leitura e acompanhar as sugestões do Casal Mistério. Foi no blog deles que li o apelo fique em casa! pela nossa saúde , no qual o casal Mistério assume o compromisso de irem partilhando ideias para o isolamento.
Eu fico em casa e, se não me cansar do computador por ser o meu meio de trabalho com os alunos, se as cervicais não se queixarem, tentarei ir partilhando o que ando a fazer cá por casa, sozinha e em família.
E vocês, o que vão fazer por casa? Fica a pergunta porque estou certa que, se em termos profissionais for possível, também vão ficar em casa! pela nossa saúde.

segunda-feira

Ao ritmo da Vida

Tudo o que faço de trabalhos manuais está condicionado pelo tempo que tenho disponível na minha rotina diária e nos fins-de-semana. No decorrer do ano lectivo, o tempo escasseia e os momentos do dia que tenho para os trabalhos manuais são quase sempre ao final do dia, sem luz natural, com horas de cansaço acumulado e coincidente com as horas de momentos em família, quer isto dizer que são horas no sofá da sala e de muita distracção. Para estes momentos guardo a malha. Gosto de pegar num trabalho e de o levar até ao fim, mas de facto nem sempre acontece. Há trabalhos cuja conclusão é adiada porque exigem mais atenção ou luz. De momento tenho duas camisolas inacabadas e um xaile. Tal não se deve à necessidade de concentração e de luz mas porque a vida também comanda os meus trabalhos. Com a chegada do neto, as peças que estava a fazer para mim, passaram para o fundo da cesta da malha, escondidas entre novelos e projectos para o neto. Ficarão por lá até ao doce ritmo da vida lhes dar uma hipótese de serem terminadas.
Mas a vida também se intromete nos bordados e no patchwork, e neste tipo de trabalhos as condições de luz são uma forte condicionante, ainda mais do que na malha!
Para me ajudar a arrumar ideias e projectos, faço aqui um ponto da situação.
Retomei um trabalho de ponto de cruz que estava parado desde a minha última viagem aos Açores. Este fim-de-semana, à semelhança do tempo em que os meus filhos eram crianças e brincavam no jardim dos avós enquanto eu fazia o ponto de cruz ao sol, dei uns pontos neste trabalho que quero concluir, e decidi que estava na altura de concluir os trabalhos de ponto de cruz, fazer um kit que ainda não iniciei e bordar uma fralda para o neto.
A manta Farmer's Wife foi empurrada para o lado pela vida. O entusiasmo que lhe estava a dedicar, pensando no dia em que ia mudar-me para "aquela" casa nas Maçãs, morreu no dia em que perdi a casa. Este fim-de-semana, conversando com o meu marido, concluímos que não vamos abandonar o nosso sonho e, por isso, acho que em breve vou ressuscitar este projecto.
Com a chegada do neto retomei a manta Here, There and Everywhere imaginando um quarto para os netos em casa dos avós, com este painel na parede ou mesmo numa cama de grades. Os mapas estão a ser desenhados pelo avô Zé e a avó Sofia ficou responsável por bordar e juntar os retalhos da manta.
A Vida abençoa-me regularmente com visitas da minha expatriada e para ela quero terminar este painel, com a certeza que lhe irá colorir os dias mais acinzentados de uma Londres carente de sol.
Com uma certa urgência terei de terminar a colcha do berço do neto.
A Vida é uma desculpa para a indisciplina que reina nos meus trabalhos manuais, Vida que se mete sempre no caminho de todos os trabalhos, sem excepção, mas é a Vida que é responsável pelo triunfo de tarefa cumprida. É a Vida que me inspira, que me motiva, que me empurra para a meta. Não me recordo de fazer por fazer, talvez fazer para aprender, mas quase tudo o que faço tem sentimentos, sonhos e emoções em cada ponto.
Em relação à malha, com a excepção das peças que fiz para o neto, servem apenas o objectivo de ter momentos de descontracção no final do dia, de não me enervar em filas de espera ou em horas mortas entre aeroportos. Ainda assim a malha dá-me imenso prazer durante o processo e quando termino um projecto. Visto com orgulho as peças que fiz e fico feliz quando vejo a família usar as malhas que fiz.