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sábado

Bolo para o Pai, Diário de Gratidão e materiais para #euficoemcasa


Quando fui ao Edinburgh Yarn Festival, tive a oportunidade de descobrir o Café Larder onde comi um bolo de cenoura* delicioso! Quando estava a ver o podcast The Bakery Bears, episódio 141 (ao minuto 50) reconheci o bolo que tanto tinha apreciado. Traduzi a receita, experimentei no Dia do Pai, em vez de levar o jantar à hora habitual, levei à hora do lanche para mimar o meu paizoco com bolo e chá. Nunca entro em casa, mas tenho de me sentir grata pois tenho a oportunidade de ver os meus pais de oitenta anos, todos os dias. Não lhes posso tocar com as mãos, mas posso "tocar" com um olhar, algo digno de registo num Diário de gratidão
O Diário de Gratidão, que escrevo durante o isolamento, tem sido uma fonte de inspiração em termos criativos. É um caderno de apontamentos com imagens de trabalhos da Sue Spargo. Na casa da minha expatriada tenho o Sampler Chick Play à espera que termine o isolamento, que temos de respeitar, e recebi de Espanha o livro Folk Tails que, por agora, está de quarentena na minha marquise, junto com alguns tecidos para a manta Here, There and Everywhere e flanelas
Tenho muito com que ocupar as mãos e dar asas à criatividade, nas horas de isolamento em que não estarei a trabalhar com e para os meus alunos. Esta primeira semana de adaptação, à nova realidade de vida escolar, foi difícil e não me permitiu ter muito tempo para mim.

* Receita adaptada, mas não deixem de visitar o podcast The Bakery Bears

Numa taça colocar:
250gr de farinha (peneirada, substitui 50gr por farinha de avelã),
1 colher de chá de canela,
1 colher de chá de gengibre  (bom para o sistema imunitário),
230gr de açúcar castanho mascavado,
250gr de cenoura ralada grosseiramente;
3 ovos batidos com um garfo num prato de sopa e só depois é que são adicionados,
150 ml de óleo de girassol,
raspa de uma clementina (como não tinha foi raspa de meio limão e de meia lima- fica delicioso!).

Vai ao forno a 170ºC por uma hora

Recheio e, se gostar, cobertura:
50gr de manteiga batida, acrescentar 200gr de queijo Philadelfia, 100gr de icing sugar e raspa de uma laranja.
Vai para o frigorífico durante 1h e só se coloca no bolo depois de este arrefecer.

Mãos criativas, são mãos ocupadas

Dificilmente conseguimos evitar levar as mãos à cara! A avó Sofia escolheu ocupa-las fazendo uma manta de patchwork para o berço do neto. É extremamente fácil, mesmo para quem nunca fez este tipo de trabalhos e, apesar de isoladas/os em casa, é seguro aprender na companhia da Maura. Investi num pacote de aulas e recomendo para quem nunca fez este tipo de trabalhos.
Para quem quer evitar gastos, fica a sugestão dos tutoriais gratuitos da Rita (um dia ainda vou fazer esta manta) e da Missouri Star Quilt Company com uma infinidade de tutoriais. Para quem não tem máquina de costura recomendo os vídeos da Jude, sempre com trabalhos extraordinariamente criativos!
Voltando à manta, já tinha os tecidos que adquiri na At Home, juntamente com etiquetas que ajudam a organizar o trabalho, para quem não faz tudo de empreitada e tem de guardar blocos já cortados.

Alfinetes sem plástico  da Tulip. As minhas agulhas são também Tulip e adoro a apresentação em tubos de ensaio, para o meu "laboratório" de costura e bordado

Reciclei um lençol velho, sobre o qual apliquei as tiras de tecido de uma forma aleatória. Estudei a forma como queria dispor os quadrados, uni-os obtendo um conjunto de quatro tiras e estou na fase do acolchoamento. Pensei em acolchoar com Linha de Sashiko mas não tinha a cor que queria. Experimentei as linhas que comprei na minha última visita à Loop, mas não apresentam a resistência desejada, acabei por acolchoar com linha própria para acolchoamento.
Na parte de trás usei um tipo de flanela suave ao toque do bebé 
Sei que fui vaga mas tenho de respeitar o trabalho da Maura!
Quem ainda não sabe o que oferecer no dia do Pai, fica a partilha das instruções de uma Manta, por uma blogger do país vizinho, da qual estava a contar receber uns materiais, mas estamos as duas a reconsiderar e a pensar o que fazer, aguardando uma resposta da distribuidora para mais esclarecimentos em relação às medidas que estão a tomar para o coronavírus.
Para quem não aprecia este tipo de trabalho e gosta mais de trabalhar com papel, recomendo o tutorial mais recente da Kate, sobre encadernação. A Kate tem também videos de patchwork e não só, sendo uma companhia bastante agradável quando tenho as mãos ocupadas com trabalhos manuais.
Volto a recomendar a série da Netflix, Alias Grace, para quem gosta de Patchwork e o filme How to Make an Americain Quilt, sempre bom de ver e rever.
Sejam criativos/as e mantenham as vossas mãos ocupadas, longe da cara.

segunda-feira

Ao ritmo da Vida

Tudo o que faço de trabalhos manuais está condicionado pelo tempo que tenho disponível na minha rotina diária e nos fins-de-semana. No decorrer do ano lectivo, o tempo escasseia e os momentos do dia que tenho para os trabalhos manuais são quase sempre ao final do dia, sem luz natural, com horas de cansaço acumulado e coincidente com as horas de momentos em família, quer isto dizer que são horas no sofá da sala e de muita distracção. Para estes momentos guardo a malha. Gosto de pegar num trabalho e de o levar até ao fim, mas de facto nem sempre acontece. Há trabalhos cuja conclusão é adiada porque exigem mais atenção ou luz. De momento tenho duas camisolas inacabadas e um xaile. Tal não se deve à necessidade de concentração e de luz mas porque a vida também comanda os meus trabalhos. Com a chegada do neto, as peças que estava a fazer para mim, passaram para o fundo da cesta da malha, escondidas entre novelos e projectos para o neto. Ficarão por lá até ao doce ritmo da vida lhes dar uma hipótese de serem terminadas.
Mas a vida também se intromete nos bordados e no patchwork, e neste tipo de trabalhos as condições de luz são uma forte condicionante, ainda mais do que na malha!
Para me ajudar a arrumar ideias e projectos, faço aqui um ponto da situação.
Retomei um trabalho de ponto de cruz que estava parado desde a minha última viagem aos Açores. Este fim-de-semana, à semelhança do tempo em que os meus filhos eram crianças e brincavam no jardim dos avós enquanto eu fazia o ponto de cruz ao sol, dei uns pontos neste trabalho que quero concluir, e decidi que estava na altura de concluir os trabalhos de ponto de cruz, fazer um kit que ainda não iniciei e bordar uma fralda para o neto.
A manta Farmer's Wife foi empurrada para o lado pela vida. O entusiasmo que lhe estava a dedicar, pensando no dia em que ia mudar-me para "aquela" casa nas Maçãs, morreu no dia em que perdi a casa. Este fim-de-semana, conversando com o meu marido, concluímos que não vamos abandonar o nosso sonho e, por isso, acho que em breve vou ressuscitar este projecto.
Com a chegada do neto retomei a manta Here, There and Everywhere imaginando um quarto para os netos em casa dos avós, com este painel na parede ou mesmo numa cama de grades. Os mapas estão a ser desenhados pelo avô Zé e a avó Sofia ficou responsável por bordar e juntar os retalhos da manta.
A Vida abençoa-me regularmente com visitas da minha expatriada e para ela quero terminar este painel, com a certeza que lhe irá colorir os dias mais acinzentados de uma Londres carente de sol.
Com uma certa urgência terei de terminar a colcha do berço do neto.
A Vida é uma desculpa para a indisciplina que reina nos meus trabalhos manuais, Vida que se mete sempre no caminho de todos os trabalhos, sem excepção, mas é a Vida que é responsável pelo triunfo de tarefa cumprida. É a Vida que me inspira, que me motiva, que me empurra para a meta. Não me recordo de fazer por fazer, talvez fazer para aprender, mas quase tudo o que faço tem sentimentos, sonhos e emoções em cada ponto.
Em relação à malha, com a excepção das peças que fiz para o neto, servem apenas o objectivo de ter momentos de descontracção no final do dia, de não me enervar em filas de espera ou em horas mortas entre aeroportos. Ainda assim a malha dá-me imenso prazer durante o processo e quando termino um projecto. Visto com orgulho as peças que fiz e fico feliz quando vejo a família usar as malhas que fiz.