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sábado

Há coisas que não se explicam, apenas se sentem.

Não compreendia a falta do entusiasmo habitual para começar a tricotar os primeiros vestidos, embelezar os saquinhos de maternidade e bordar as primeiras fraldas, para a minha neta Teresa. Assim que iniciei este primeiro vestido, tive a resposta à minha questão. O pensamento fugia constantemente para a minha filha Inês e para a minha neta Sofia, que nunca conheci, mas que trago no meu coração. Cada ponto que dava era um esforço emocional grande, uma luta entre a mágoa da perda e o entusiamo da chegada desta neta. Para apaziguar o meu coração de mãe e de avó, iniciei um bordado que quero adaptar e oferecer à minha filha no dia 19 de Dezembro. Assim, dedico as minhas mãos e o meu tempo às minhas duas filhas e às minhas duas netas.


Iniciei-o, ou melhor, escolhi os materiais para o iniciar, no último dia de Julho, tendo em conta o que escrevi no A Stitcher's Diary, para seguir a tendência das redes sociais do Christmas in July ou, fazendo um trocadilho, celebrar um Jolly July — um Julho com memórias alegres. Acima de tudo, desejo que essa alegria volte a estar presente no dia a dia da minha Inês.

O esquema é de fraca qualidade. Adquiri-o no eBay, pensando que estava a comprar o PDF original da Brenda Gervais, mas é uma cópia e a vendedora, muito provavelmente, não pagou os respetivos direitos de autor. No entanto, colocou um carimbo para proteger o seu PDF. Ridículo e revoltante!

Antes de pegar na malha, tentarei bordar, pelo menos, um fio neste projeto, garantindo que o terminarei antes de 19 de Dezembro, por muitos projetos em que tropece pelo caminho.

Para terminar escrevo a tradução de uma frase que vi num esquema de ponto de cruz: Ninguém consegue olhar para a agulha sem emoção. Ela é uma companheira constante ao longo da peregrinação da vida. (E ali está ela, bem diante de mim).

quarta-feira

Biscornu para bodas de prata

 

Filhas /"meninas" das alianças 

Nas mãos da Fátita após a renovação dos votos
Embrulhado em tule

O desenho escolhido para este Biscornu, segundo a designer, teve como inspiração a Música da Sara Groves. De acordo com o que li  a letra  é um cântico de Natal, originário da Baviera do século XV e baseia-se em Lucas 2:11.

Tradução do cântico:

Que a nossa alegria não tenha fim, Aleluia!
Pois à terra Cristo desceu, Aleluia!
Neste dia Deus nos deu
Cristo, o Seu Filho, para nos salvar.
Cristo, o Seu Filho, o Seu Filho, para nos salvar.

Vede a mais bela rosa em flor, Aleluia!
Que brota do ramo de Jessé, Aleluia!
O Verbo fez-Se carne, Aleluia!
Ele é o nosso Refúgio, Cristo Senhor, Aleluia!

Enquanto bordei, não pensei na frase com este sentido, mas sim como um desejo de que a minha irmã, o Miguel e as filhas permaneçam felizes, continuando este caminho ao lado de todos nós, a família mais alargada; que a alegria que ontem partilhámos não tenha fim.

Há tradições que atravessam gerações. Para uma noiva, os ingleses dizem: "Something old, something new, something borrowed, something blue." . O "velho" era para ser o botão do vestido de noiva da minha irmã, mas, infelizmente, não deu. O "novo" é o biscornu para as alianças das bodas de prata. Para o "emprestado", ainda pensei num botão do meu vestido de noiva, mas também não consegui encontrar. O "azul" foi a cor escolhida para o fio de bordar. No fim de contas, consegui cumprir dois dos meus objetivos: o azul e o novo. Já não é nada mau e é motivo suficiente para ficar feliz com o resultado final, apesar de a frase que bordei mal se ler, por ter retirado, sem o substituir, o esquema exterior que a enquadrava. Para que a frase pudesse ser lida corretamente, teria de ter feito uma almofadinha em vez de um biscornu. Mas, se há coisa de que gosto, é de me desafiar e de aprender novas técnicas. Por isso, preferi arriscar e concluir o meu primeiro biscornu, mesmo sabendo que isso iria comprometer o resultado final. E não faz mal, porque o sentimento que quis bordar continua lá, que é, afinal, o que realmente importa.

Após ter concluído a frase, optei por bordar a data e copiar de um outro esquema o motivo central, uma vez que este era alusivo ao Natal, com numerosos sinos. Ainda tentei bordar as iniciais dos noivos e das filhas, sobre um fio de linho. Enganei-me a fazer o espelho da letra C. Resultado? Tive de desmanchar e vi o caso mal parado! É extremamente difícil desfazer um ponto tão pequeno sem cortar o linho! Acabei por desistir, até porque a família expatriada estava para chegar e corria sérios riscos de não conseguir terminar o biscornu a tempo das bodas.

Consegui este resultado seguindo um tutorial de onde tirei dicas bastante úteis : (traduzido com IA  a partir de um vídeo, texto adaptado ao passo a passo que desenvolvi neste projeto)

criei uma bordadura que me facilitou a contagem dos pontos e só depois fiz o ponto atrás
C desmanchado. O esquema das letras deve de ser invertido, de cima para baixo e em espelho.É um excelente exercício de ginástica mental! Esta inversão é indispensável porque, ao unir os dois lados do biscornu, só assim as letras ficam na posição correta para serem lidas.  
tirei um fio do linho para ter um guia para o corte
dobragem dos cantos

A linha exterior de ponto atrás (backstitch) tem de ter exatamente o mesmo número de pontos em ambas as peças.

Neste caso, o esquema indicava usar dois fios (confere mais resistência) da meada DMC para fazer o ponto atrás à volta de todo o desenho, mas, por esquecimento não foi isso que fiz em ambas as peças, tendo utilizado o fio de seda - também resistente - com que bordei o esquema.

Depois tirei um fio e cortei o tecido deixando uma margem de cerca de 10 mm (aproximadamente  3/8 de polegada) à volta de toda a peça.

Antes de aplicar a entretela,  era recomendado marcar o centro de cada lado do desenho com um marcador de malha, para ajuda a manter o desenho perfeitamente centrado durante a montagem. Um cuidado extra, que despensei visto que com a bordadura que optei por bordar era fácil localizar o centro, contando pontos. Também era recomendado marcar o centro do desenho, para facilitar a colocação do botão, mas como descentrei o desenho com as datas, também não fiz este passo do tutorial.

A seguir, adicionei entretela termocolante. Cobri o verso do bordado para prender os fios no lugar para faciltar o enchimento da peça. Assim os fios mantêm-se no sítio e nada se solta enquanto estamos a encher o biscornu.

Importante: não se deve aplicar a entretela em todo o tecido. Ela deve ser colocada apenas na área interior da linha de ponto atrásIsto porque, quando cosemos as duas partes, estamos a trabalhar exatamente sobre essa linha de ponto atrás e não queremos que a entretela fique nessa zona, pois criaria volume extra e dificultaria dobrar a margem. Basta medir a área interior, cortar a entretela ao tamanho certo e passá-la a ferro.

De seguida, dobrei as margens do tecido para dentro. Não é necessário passar o ferro para vincar; basta dobrar cuidadosamente. Uni ambos os quadrados com ponto de alinhavo, usando o mesmo fio, e na mesma cor, que utilizei no ponto atrás, desta vez duplo.

Para coser o botão utilizei, como era recomendado, linha de costura, porque oferece mais resistência, o que é necessário dado que temos de puxar as duas partes centrais uma contra a outra e a linha precisa de aguentar essa tensão.

Por fim, enchi o biscornu com mistura de alfazema e enchimento que utilizo nos bonecos que faço para os netos.  Recomendavam casca de noz, mas como não vi necessidade de lhe conferir peso extra, guardei-a para os bonecos que bordei da Stacy Nash.

sexta-feira

Quacker Sampler - Beatrix Potter



No dia Mundial do Bordado, dediquei um tempo ao Sampler da Beatrix Potter. Este tipo de desenho, dentro dos Quacker Samplers, com medalhões monocromáticos e fáceis de memorizar, é o ideal para bordar descontraidamente no período de férias, quando a casa se enche de família.

O primeiro fio com que bordei, é da marca Dinky-Dies. O seu toque é macio e suave nas mãos, proporcionando uma satisfação maior do que outros fios com que tenho bordado. 

 O linho, Moonstone (Pedra da Lua), em que estou a bordar, foi o sugerido pela Jackie  em substituição daquele que ela utilizou, uma vez que é difícil de encontrar, principalmente na Europa. O nome também me conquistou, uma vez que a "minha" Serra também é conhecida pelo Monte da Lua. Tinha pensado, inicialmente, em bordar no linho Swan by fabrics, mas houve confusão por parte da distribuidora e acabei por nunca receber a encomenda onde tinha a cor que pretendia.

O que não correu tão bem logo no início? A falta do esquema em papel! No PDF, os esquemas dos dois medalhões, por onde iniciei, estão divididos. No primeiro, só tive de refazer uma pequena parte, até porque é fácil detetar o erro neste tipo de esquema. Já no segundo medalhão correu mesmo mal! Como ampliei a imagem e me esqueci de verificar se o esquema estava completo, insisti no erro, o que resultou num padrão diferente, ainda assim em espelho. Mas como lhe faltava equilíbrio, senti que algo estava errado ... e estava mesmo! Felizmente, este segundo medalhão estava a bordar com linha DMC, à qual tenho fácil acesso, por isso acabou por ser apenas uma perda de tempo, sem o risco de me faltar linha no fim. Vou ter mesmo de imprimir este esquema, para não quebrar tanto o ritmo nem voltar a repetir este tipo de erro!

esquema errado!

Nota:Paizoco, continuas sempre presente, mesmo nas pequenas coisas do meu dia a dia. Às vezes, basta um gesto tão simples como imprimir um esquema para me lembrar de ti, do teu perfeccionismo e do carinho com que fazias tudo, por mim e para mim. Com a tua ajuda, não havia mesmo maneira de eu falhar!

segunda-feira

O Sampler da Beatrix Potter e o Dia dos Avós

Na noite de sábado chegaram os netos de Inglaterra e, no domingo, consegui reunir os quatro netos à volta da mesma mesa, para um almoço e uma tarde em família, com todos os avós. Foi um dia memorável e, por isso, apesar do cansaço, ao serão empenhei-me e consegui energia extra para iniciar o Sampler da Beatrix Potter. Até porque já tinha todos os linhos e pude escolher aquele cujo tom melhor valorizava as cores dos fios que selecionei para este projeto.

Fiz apenas meia dúzia de pontos, mas o importante é que o comecei num dia* muito especial, como sempre gosto de fazer, criando assim memórias físicas, memórias que ficam para sempre ligadas aos bordados. Quando finalizar este trabalho, recordarei o dia em que deixei aqui a minha agulha, à espera de ser retomada, e todos os dias que se lhe seguiram até ao último ponto.

Tenho esperança de que os muitos pontos que ainda irei bordar neste linho fiquem entrelaçados com memórias tão felizes como as dos primeiros, nascidos de um dia vivido plenamente, em família. 

Na hora de dormir há sempre tempo para "um livro", dizem estes dois netos; "uma história do Peter Rabbit", dizem os outros dois netos, que é como quem diz, da Beatrix Potter

Cucu... quem está aí?
 

Os Avós, por D. José Tolentino de Mendonça: (Mensagem de Fátima  de 2021)

“Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar e olhar-nos sem pressas, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas de nada. Nunca consideram que quando se entretêm connosco estão a perder tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor dá-se bem com essa gratuita codivisão. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham a nosso lado sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas e de detalhes para divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que passamos a identificar com eles. Os avós já foram muitas vezes aos lugares onde nos levam pela primeira vez.

Chamam a atenção para coisas incalculáveis, como a forma de uma nuvem ou a cor diferente que ganham as folhas. Ensinam-nos com serenidade, colocando-se a nosso lado. Nunca acham despropositada a fantasia, nem os medos, nem o mimo. Têm o sentido das pequenas coisas e colos onde cabem as grandes. Eles não separam, como o resto das pessoas, aquilo que é útil do que é inútil. Fazem-nos sentir que é assim, que já passaram por isso e que existe uma solução que nos vão revelar, só a nós, como um grande segredo. Amparam os nossos desequilíbrios com o corrimão invisível e seguro do seu afeto, disponíveis degrau a degrau. Adivinham o que não dizemos sem se confundirem com a nossa confusão. Quando não estão connosco, pensam em nós, repetem aos amigos as frases que dissemos, disputam-nos, orgulham-se de coisas parvas, como o modo como sorrimos ou respiramos. Penso que se sentimos tão intensamente que os devemos salvar é porque percebemos, desde muito cedo, que somos salvos por eles”. 

* dia 26/7/26. Gosto do equilíbrio dos números da data: 26...26. Não é 26/6/26, mas também serve!

sexta-feira

Ragamuffin 2: mais um entre os muitos projetos que quero bordar

Materiais reunidos para muitos anos. Um pequeno excesso, sem dúvida! Um arrependimento? Nem por isso. Escolher o primeiro projeto será, talvez, o maior desafio.

O meu recente regresso ao ponto de cruz tem-me deixado fascinada pela História. Estudar Samplers antigos e reproduzi-los é uma nova forma de olhar para o ponto de cruz.

Gosto de romances históricos e de policiais, acompanhando entusiasticamente o trabalho dos detetives.Talvez por isso me tenha rendido novamente ao ponto de cruz. Cada Sampler antigo levanta perguntas e convida à investigação. Gosto de acompanhar esse trabalho de pesquisa, de seguir o percurso de quem investiga essas pistas e de descobrir as pequenas histórias que delas emergem, quase como numa investigação policial. Esta nova dimensão do ponto de cruz é a que mais me tem interessado, talvez porque puxa mais pelo cérebro, uma preocupação que é uma constante no meu dia a dia.

Claro que tenho colecionado materiais para iniciar projetos que nada têm de histórico, como é o caso dos da Brenda Gervais, pelos quais fui atraída pelo equilíbrio das cores e do desenho, bem como pelas frases, cujo significado me diz bastante.


Escolhi alguns desses projetos para os novos quartos da casa que, finalmente, começo a sentir que é minha. Deixou de ser apenas a Casa no Pinhal para passar a ser a nossa casa Entre a Serra e o Mar.

Mas não me fiquei pela Brenda Gervais. Tenho ainda um esquema com uma frase da Jane Austen e muitos outros, sobretudo em formato digital. Uma verdadeira loucura, mas não resisto. Acabo por me deixar influenciar — ou, talvez mais justamente, inspirar — pelos Flosstubes que acompanho.


Como as obras da casa se atrasaram, sinto-me, talvez por isso, mais tentada a dedicar-me a projetos que contam uma história e me transportam ao passado do que a projetos pensados para o presente. Parece que preciso de algo mais do que apenas bordar para a casa; preciso de desafios maiores, de novas aprendizagens e de estimular o cérebro.

Andando perdida, sem saber por onde começar, vou esperar pelos linhos que a minha filha me vai trazer. Depois, juntas, escolheremos o projeto — ou os projetos — a iniciar.

De Samplers históricos, estou a participar no SAL GH 1857. Quero também participar no da Hannah Whitaker, bordar para o quarto dos netos o Sampler da Beatrix Potter e, mais recentemente, adquiri mais um esquema quaker: Ragamuffin 2.

Imagem copiada da loja onde se pode adquirir o esquema

Este último distingue-se por fugir aos tradicionais medalhões quakers*. Adorei as cores pastel, a simplicidade do rebordo e o aspeto rendado do alfabeto, bordado em Algerian Eye, podendo também ser executado em Double Cross Stitch ou seguindo um tutorial que encontrei no youtube.

Para este modelo ainda não tenho nem linhas nem linho. Talvez opte por linhas DMC, para ficar mais em conta, atendendo aos meus gastos — ou, melhor dizendo, aos meus investimentos recentes. 

Escrevo para arrumar ideias, guardar informações a que quero voltar, exercitar a escrita e, já agora, conservar esta imagem que retirei de um vídeo da Jackie. Daqui a algum tempo, sei que será mais fácil recordar por que razão este modelo me chamou a atenção e o que me inspirou quando decidi incluí-lo na lista dos projetos que gostaria de bordar.

O estado de estar completamente absorvido num projeto de ponto cruz, felizmente alheio ao mundo exterior e às suas preocupações triviais - pausa mental, respiro cognitivo, fuga ao stress

Hoje passei o final da tarde, uma vez mais, presa ao ecrã. Vi, na Netflix, o filme A Head Full of Honey. Não o escolhi por acaso. Fui atraída pela relação do avô com a neta, que vislumbrei no trailer do filme, e, como tenho pensado mais no meu Paizoco, quis compreender um pouco melhor o que é viver com Alzheimer, embora isso me deixe sempre angustiada. Lembrei-me da tarde em que juntos ouvimos músicas do seu tempo. Sabia todas as letras e cantou, fazendo a minha mãe feliz outra vez. Vi o filme fazendo malha. Chorei, ri, voltei a estar com o meu Paizoco e voltei a sentir medo. Muito medo de um dia vir a ter Alzheimer e de sentir o meu cérebro transformar-se, lentamente, numa pasta de mel. Fica a questão: será que, se esse dia chegar, a leitura do meu blogue me poderá ajudar? Juntamente com o "Calendário da Gratidão", com todas as memórias que fui guardando em papel e com todos os pontos que fui tecendo e bordando com as minhas agulhas!

*Nota: recentemente descobri, nas minhas pesquisas, a ligação dos Quacker à família Cadburry.

segunda-feira

Sampler da Beatrix Potter ( que não é da BP!)


fotografia tirada na visita à exposição


Visitei a exposição da Beatrix Potter, no museu V&A, em 2022. Tenho o livro da exposição, mas não encontrei a fotografia do Sampler reproduzida nas suas páginas. Na altura da visita, também não lhe dei grande atenção. O meu interesse estava sobretudo centrado no trabalho de Beatrix Potter como ilustradora, em especial nas ilustrações de carácter científico — como bióloga que sou — e no trabalho que desenvolveu na recuperação e conservação da raça de ovelhas Herdwick. Nessa fase, estava muito mais interessada em malha e ainda não tinha regressado ao ponto de cruz.
Tive de rever o meu registo fotográfico para encontrar o Sampler que esteve exposto e, agora, fica aqui guardado juntamente com o texto escrito pela I.A. com base na transcrição de vários episódios da Jackie, da Comfort Stitching.

I.A:

O sampler foi exibido numa exposição do museu Victoria and Albert Museum em 2022, dedicada à vida e à obra de Beatrix Potter.

O bordado inclui espaços para iniciais personalizadas - irei utilizar as iniciais dos meus filhos. O sampler é valorizado não apenas pela sua beleza decorativa, mas também pela ligação histórica à vida de Beatrix Potter.

Biografia resumida de Beatrix Potter

  • Nasceu em 28 de julho de 1866, em Kensington, Inglaterra.
  • Cresceu numa família abastada ligada à indústria do algodão de Lancashire.
  • Foi educada em casa juntamente com o irmão, Bertram.
  • Desde jovem demonstrou grande talento artístico, especialmente para a pintura em aguarela.
  • Desenvolveu um profundo amor pela natureza durante as férias da família na região dos Lagos (Lake District).
  • Tornou-se conhecida mundialmente pelos livros infantis de Peter Rabbit, que continuam a ser publicados atualmente.
  • Além de escritora e ilustradora, era estudiosa de fungos (micologista) e produziu detalhadas ilustrações científicas de cogumelos.
  • Começou a criar histórias ilustradas através de cartas enviadas à sua antiga governanta.
  • Ficou noiva de um colaborador da editora dos seus livros, mas ele faleceu pouco depois do anúncio do noivado.
  • Com os rendimentos das suas obras, comprou a propriedade Hill Top, no Lake District.
  • Dedicou grande parte da sua vida à conservação da paisagem rural da região, adquirindo terrenos para os proteger da exploração excessiva.
  • Mais tarde casou-se com William Heelis, advogado que a ajudava nas aquisições de propriedades.
  • Doou vários milhares de acres de terra ao National Trust, ajudando a preservar essas áreas para usufruto público.
  • Contribuiu para a preservação da raça de ovelhas Herdwick sheep, típica da região onde vivia.
  • Após casar com William Heelis, dedicou-se também à atividade agrícola.
  • O seu legado contribuiu significativamente para a preservação do Lake District, hoje uma das zonas mais emblemáticas de Inglaterra.

Ideia principal

Beatrix Potter foi muito mais do que uma autora de livros infantis. Foi uma talentosa artista, naturalista, estudiosa da natureza e defensora da conservação ambiental. O sampler associado ao seu nome representa uma ligação material à sua época e à sua história, razão pela qual continua a despertar interesse entre bordadores e admiradores da sua obra.

domingo

Na ausência do António

Quando a casa fica vazia a solidão invade e preenche todos os espaços da casa. Não consigo parar de pensar no que a minha mãe deve sentir todos os dias, desde que perdeu o meu pai e, com o passar do tempo, deixou também de ter as visitas diárias dos netos, agora com outras idades e mais ocupados. Outro dia perguntei-lhe porque se estava a deitar tão cedo, se ainda era dia. Compreendi tudo quando me vi sozinha e o crepúsculo caiu sobre o jardim. Até me sinto mal por falar de solidão, quando passo os meus dias numa escola que acolhe e acarinha todos. E, no entanto, bastaram dois dias de fim de semana, durante os quais até estive no Banzão em família, embora apenas por poucas horas, para sentir o peso do silêncio e da casa vazia. De forma a sentir-me acompanhada, ocupei o resto do meu tempo a rever vídeos. Pedi ajuda à IA, colei a transcrição de um vídeo sobre a Hannah Whitaker e pedi que traduzisse o texto e elaborasse uma biografia. O resultado foi o seguinte, ao qual acrescentei ligações para outros vídeos: um dos Samplers da Escola de Ackworth e outro com uma vista panorâmica da escola nos dias de hoje.

"Biografia de Hannah Whitaker

sábado

Descubra as diferenças

De manhã
À tarde

Quando dei por terminado o ponto de cruz e mudei para a malha.

Os cães foram os meus companheiros, as agulhas a minha distração para ajudar a passar este dia. Um dia que viverei sempre com o peso da angústia, apesar de pouco me recordar de como vivi tudo há seis anos atrás.

A sucessão de acontecimentos não importa, por isso a minha memória fez-me o favor de os apagar. Mas o início da perda ficará para sempre marcado neste dia.

E que saudades tenho de dar um beijinho na minha carequinha favorita e de chamar "Pai".

segunda-feira

Celebrar o Dia Mundial da Criança com Beatrix Potter

ainda falta bordar apontamentos que não são a ponto de cruz

Encontro uma ligação ainda mais especial ao trabalho de  Beatrix Potter e ao legado que nos deixou, desde que a minha filha teve de ir viver em Inglaterra. Tudo o que me aproxima da terra que agora acolhe a minha filha desperta em mim um sentimento de pertença e proximidade. É uma forma de me sentir ligada aos caminhos que ela percorre diariamente. Mas a minha ligação a Beatrix Potter já vinha de muito antes. Quando estava grávida do meu filho, apaixonei-me pelo seu Mundo imaginário através dos seus contos. Comprei seis posters com imagens retiradas da obra de Beatrix Potter para decorar o quarto do António, juntamente com vários outros pequenos detalhes. Ainda hoje guardo com carinho essas memórias e tenho os quadros, em molduras diferentes (mudadas para habitarem o quarto dos meus sobrinhos), no espaço onde costumo dedicar-me aos trabalhos de mãos.

Agora, como avó, continuo ligada ao Mundo criado pela Beatrix . Escrevo cartas para os meus netos em papel ilustrado com personagens de Beatrix Potter e, quando eles ficam cá em casa, leio-lhes os seus contos antes de adormecerem. 

Há dois fins de semana, os netos que vivem aqui perto passaram cá a noite. Antes de dormirem, li-lhes dois contos e contei-lhes também que estou a bordar algumas personagens, que tão bem conhecem, para decorar o quarto dos netos — um espaço muito especial que irá nascer no quarto onde atualmente tenho os meus hobbies. Muitas mudanças estão para acontecer! A ideia é mudar, com as linhas e agulhas, para o jardim de Inverno, que quero construir. Assim, o quarto ficará disponível para acolher os netos quando cá vierem dormir, rodeados por algumas das personagens que já fazem parte do seu imaginário e que agora começam também a ganhar forma nos meus bordados.

Sábado consegui terminar o ponto de cruz, mas faltam ainda as linhas a ponto atrás do Ned Neddles, o PIP da Stacy Nash e da Esquilinho Miss Hazel, para acompanharem as leituras dos contos de Beatrix Potter. Falta escolher o enchimento para os bonecos, nos quais pretendo fazer um bolso nas costas, com o molde de coração da Sarah, para colocar mensagens para aos netos, para lhes ler após a leitura dos contos - sempre a construir memórias com e para eles! A estes bonecos irei juntar uma raposa e, talvez, um sapo, um ratinho e um ganso, conforme correr o enchimento dos bonecos. O coelho não sei se vou fazer porque o Petter é um coelho muito especial.

No iníco de cada história do livro que tenho traduzido, e lido aos netos, há sempre informação adicional a cada conto: 

imagem do pinterest

O conto do Esquilo Papa- Nozes: Em 1901, Beatrix Potter passou o Verão com a sua família em Lingholm, uma casa à beira do Derwentwater, na região dos Lagos. Enviou uma carta sobre os esquilos que ali vira a Norah Moore, a filha de oito anos da sua antiga precetor: "Uma velha senhora que vive na ilha pensa que les atravessam o lago quando as nozes ficam maduras; mas como é que eles conseguem ultrapassar a barreira da água? Talvez façam pequenas jangada!" A carta passa depois a contar a história do Papa-Nozes, o esquilo atrevido que acaba por ser castigado pelo Velho Castanho, a coruja com a aqual Beatrix substitui a velha senhora da sua carta. O livro resultante foi dedicado a Norah. Contém várias paisagens do belo lago Derwentwater, que continua bastante inalterado até hoje.

imagem do pinterest

O conto da Senhora Toca-E-Foge: Embora vários animais dos livros de Beatrix Potter tenahm sido baseados nos prórios animais de estimação, muitas vezes ela também lhes atribuía qualiades humanas. A personagem da Senhora Toca-e-foge foi inspirada em Kitty McDonald, uma velha lavadeira escocesa, "uma senhora baixinha, rechonchuda e engraçada, tão morena como uma baga, que usava vários saiotes. Beatrix contou a história pela primeira vez à sua prima Stephanie Hyde Parker, em 1901 mas esta acabou por ser dedicada, quando publicada em 1905, a Lucie Carr, filha do vigário de Newlands, o vale em que o conto se passa. O ouriço domesticado de Beatrix, Mrs. Tiggy-Winkle (Senhora Toca-E-Foge), serviu-lhe de modelo: "Desde que possa dormir nos meus joelhos, está tudo bem, se for preciso ficar imóvel e de pé durante meia hora, primeiro começa a bocejar pateticamente, e depois morde mesmo! No entanto, é uma criatura muito querida.

Os contos de Beatrix Potter fazem-me recordar também os vários ouriços que fomos salvando aqui pelos terrenos. Construi no jardim abrigos para os proteger, mas a nossa Luna, com a sua energia e curiosidade, infelizmente, mantem-nos afastados. Ainda assim, continuo a olhar para estes pequenos animais com ternura, querendo protegê-los, e vou deixando no pinhal água na altura de maior calor.

O que admiro na obra de Beatrix Potter são as suas aguarelas (não apenas as dos contos, como tive o privilégio de admirar numa exposição no V&A) e a capacidade de transformar a simplicidade da natureza, dos animais e da vida familiar em memórias que atravessam gerações.

Estou ansiosa por iniciar o Sampler da Beatrix Potter, não bordado por ela, mas que estava no seu quarto de dormir. Acumulo projectos que quero fazer e projectos já iniciados, ao contrário de há 30 anos, ou mais, quando iniciei a minha jornada pelo ponto de cruz. Na altura iniciava e terminava um projecto, sem partir para outro, mas hoje é algo impossível estando a ser constantemente bombardeada com imagens inspiradoras nas redes sociais. Falta de disciplina? Provavelmente não! Ouvi dizer (minuto 24 a 26) que até é bom para a saúde mental ter vários projectos em curso. A ser verdade a minha saúde mental em breve ficará fortemente robusta! 

Fotografias de livros da minha Biblioteca:




Manta de patchwork e papel de William Morris no quarto de Beatrix Potter


Aguardo a chegada, em Julho, do livro da exposição Drawn to Nature. Após as minhas pesquisas encontrei o melhor preço na Fnac e ainda fico com pontos no cartão.

No dia da criança recordo a frase da Lya Luft

A Infância é um chão que a gente pisa a vida inteira

Tão verdade! "A infância não passa completamente...ela permanece como uma base invisível de tudo o que sentimos, acreditamos e construímos na vida adulta"