sábado

Há coisas que não se explicam, apenas se sentem.

Não compreendia a falta do entusiasmo habitual para começar a tricotar os primeiros vestidos, embelezar os saquinhos de maternidade e bordar as primeiras fraldas, para a minha neta Teresa. Assim que iniciei este primeiro vestido, tive a resposta à minha questão. O pensamento fugia constantemente para a minha filha Inês e para a minha neta Sofia, que nunca conheci, mas que trago no meu coração. Cada ponto que dava era um esforço emocional grande, uma luta entre a mágoa da perda e o entusiamo da chegada desta neta. Para apaziguar o meu coração de mãe e de avó, iniciei um bordado que quero adaptar e oferecer à minha filha no dia 19 de Dezembro. Assim, dedico as minhas mãos e o meu tempo às minhas duas filhas e às minhas duas netas.


Iniciei-o, ou melhor, escolhi os materiais para o iniciar, no último dia de Julho, tendo em conta o que escrevi no A Stitcher's Diary, para seguir a tendência das redes sociais do Christmas in July ou, fazendo um trocadilho, celebrar um Jolly July — um Julho com memórias alegres. Acima de tudo, desejo que essa alegria volte a estar presente no dia a dia da minha Inês.

O esquema é de fraca qualidade. Adquiri-o no eBay, pensando que estava a comprar o PDF original da Brenda Gervais, mas é uma cópia e a vendedora, muito provavelmente, não pagou os respetivos direitos de autor. No entanto, colocou um carimbo para proteger o seu PDF. Ridículo e revoltante!

Antes de pegar na malha, tentarei bordar, pelo menos, um fio neste projeto, garantindo que o terminarei antes de 19 de Dezembro, por muitos projetos em que tropece pelo caminho.

Para terminar escrevo a tradução de uma frase que vi num esquema de ponto de cruz: Ninguém consegue olhar para a agulha sem emoção. Ela é uma companheira constante ao longo da peregrinação da vida. (E ali está ela, bem diante de mim).

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