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terça-feira

24 dias de gratidão

Apenas coloquei um cartão na árvore, para escrever o motivo de gratidão — assim não tapa o trabalho, já basta a fraca qualidade da fotografia! Também não pus nenhum cartão nas casinhas porque só hoje terminei o painel. Mentira… ainda faltam as pegadas no caminho! Para o ano, quero completar tudo bordando as palavras “Feliz Natal”. Ainda tenho de bordar a etiqueta com a data deste ano e a minha assinatura, mas provavelmente só depois do dia 25.


16, uma casa especial, com uma árvore onde coloquei uma casa de pássaro. o Paizoco é do dia 16,
adorava ver os pássaros no jardim do Banzão e estava sempre a assobiar, parecia um passarinho a cantar.
casa do dia 6, porque éramos 6 em casa dos meus pais, tem um coração no telhado e fica ao lado da 5, porque éramos 5 cá em casa

crina do cavalo com lã que a minha Inês ofereceu-me da sua viagem à Islândia

Na casa onde coloquei os meus filhos, nas janelas optei por colocar palavras chaves para uma vida feliz em família.

5 botas penduradas na cama =3  para os meus filhos  e 2 para os pais; 2 cães, a Luna e o Torrão

tentei bordar um redemoinho no cabelo do António, mas ele disse que parece uma polpa e tem razão! Depois corrijo.

A árvore com os cartões a aguardar a escrita diária


O calendário do Advento transformei-o em 24 dias de gratidão. Todos os dias escrevo aquilo por que estou grata e coloco o papel na porta da casa correspondente a esse dia.
Este ano serão menos de 24 dias, uma vez que não consegui concluir tudo até ao dia 1. Ainda quero acrescentar alguns detalhes e quando estiver completo talvez volte para escrever o significado de cada escolha que fiz. A designer é a Joanna Colwill. Nos episódios de ponto de cruz que tenho visto, todas as inglesas — e não só — referem o seu espaço como algo mágico e que vale muito a pena conhecer. Tive a oportunidade de conhecer a simpática Joanna pessoalmente no Festival de Quilts de Birmingham.
Adorava ter conseguido fazer um “dois em um”: visitar a quinta da Joanna e conhecer também a Stacy Nash, que realizou lá um workshop
Este mundo das agulhas, apesar de abrangente e espalhado por vários continentes, acaba por ser pequeno quando nos focamos nos eventos que ocorrem em Inglaterra.
Com os modelos da Stacy, espero no novo ano aproximar-me mais do universo de Beatrix Potter. Tal como dizem todas as inglesas que já bordaram os seus animais, através deles sentimo-nos mais próximas das personagens da autora. A minha cabeça não pára, só pensa na quantidade de projetos que quero fazer já no início de 2026!

O sampler com quase 10 anos de abandono resultou num caos de linhas!

Para não perder o fio à meada, adquiri uma agenda onde anotei os esquemas de ponto de cruz que comprei recentemente. A maior parte são da Stacy Nash, mas com o Jingle Ball 2025 não podia perder a oportunidade de ter acesso exclusivo a modelos de algumas designers. Embora muitos  fossem alusivos ao Natal, comprei alguns que, com pequenas adaptações, servem para todo o ano.
O evento despertou o meu gosto por esta época, há muito adormecido. É um tempo em que sinto mais falta daqueles que enchiam estes dias de alegria. Por outro lado, também é uma altura que pode trazer algum stress, algo com que não lido bem.
Mas ter passado o fim de semana a viver o espírito natalício — rodeada de designers incríveis e de pessoas que, como eu, adoram ponto de cruz — foi especial. Destaco a Emma, da Rose Cottage Creates, com quem estive na International Stitchers, e a Annie Bezz, da Folk Art. Nesta sala foi partilhado o canal da Helen D. com tutorias para finalizar trabalhos de ponto de cruz. Entre músicas (destaco ao evento com Jack Shellac, Christmas Gramophone Hour), partilhas de receitas de doces de Natal, ideias de presentes e sugestões de decorações natalícias, fui bordando o meu Sampler, iniciado em 2016.
Tudo isto fez-me olhar para esta época como já não olhava há muito: cheia de entusiasmo e alegria!

 


A Stacy Nash adiantou que vai estar presente, em 2026, no Big Stitch, UK.


Graças ao fim de semana de “retiro de ponto de cruz”, apenas interrompido pela visita das minhas vizinhas favoritas - as ovelhas - tenho o sampler quase terminado!
Estou grata ao meu filho, a quem carinhosamente chamo Chefe António, que assegurou algumas das refeições destes dias e que foi o meu suporte tecnológico quando tive problemas em entrar na aula da Stacy Nash — num evento online desta dimensão era de prever um crash!




domingo

3 formas de fazer ponto de cruz!*

Recentemente tomei consciência da minha ignorância em relação ao ponto de cruz, apesar de ter horas a fio de ponto de cruz, feito a preceito (ao estilo dinamarquês) e convencida que era a única forma de bordar! Afinal havia um mundo inteiro por descobrir.

Através da Rebecca descobri, a Periwinlke Stitcher, com quem aprendi num vídeo, outras formas de fazer o ponto de cruz. Também acrescentei mais algum conhecimento ao que sabia sobre linhos. Passei anos a bordar kits de Samplers Antigos, sempre guiada por instruções precisas, e por isso nunca tive necessidade de estudar linhos, contagens ou agulhas. 

Com as partilhas da Sian,Periwinkle, voltou a minha vontade de retomar o ponto de cruz mas com outro olhar, mais curioso, mais técnico, mais consciente. No Ano Novo iniciarei o GH 1857, participando, deste modo num Stitch Along, com a Sian (iniciou em Novembro, mas só terei as linhas quando a minha  filha expatriada vier no Natal).


Já tenho o linho escolhido para este sampler, onde o azul (do olhar do meu pai) é a cor predominante e o ponto de cruz trazem-me à memória as muitas horas ao lado do meu paizoco —  sempre presente nas pequenas coisas do meu dia a dia. Ele ao computador, paciente, a ajudar-me a melhorar a definição de esquemas; eu impaciente, desejosa de começar a bordar.

A ânsia de retomar o ponto de cruz e dos novos desafios levaram-me a tentar terminar um bordado que ficou esquecido, vítima de erros para os quais, na altura, não tive paciência. A idade, ensinou-me a ter calma e premiou-me com a certeza de que vale a pena persistir naquilo onde já investimos tempo e dinheiro. Corrigi quase tudo, menos uma linha teimosa — uma falha discreta entre a barra e o desenho central — e uma linha vertical que ficou a mais. Pequenos vestígios do percurso.

Com o Natal a aproximar-se e, querendo experimentar os linhos 32ct e 36ct, iniciei um pequeno esquema natalício para o centro de mesa de Natal, da Stacy Nash, tendo adquirido já outros esquemas em pdf para bordar, indo participar no seu workshop de Natal, para o qual já adquiri as linhas.

Neste meu novo percurso pelo ponto de cruz, conheci o trabalho da Brenda Gervais e adorava bordar um dos seus esquemas, mas só está disponível nos Estados Unidos, pode ser que venha a estar na The Stitchery Sisters, onde adquiri algumas linhas para o GH 1857. O blogue da Brenda Gervais é uma inspiração, tendo pequenos projetos de ponto de cruz com acabamentos e apresentação final original e de muito bom gosto.

Simultaneamente tive de acelerar o processo do Calendário do Advento, tendo já tudo preparado para adicionar os detalhes finais, após terminar o bindingDezembro aproxima-se, e com ele esta sensação reconfortante de criar, ponto a ponto, algo que acompanha a vida.

Quando a minha Inês estava de Erasmus, em Itália, enviei-lhe esta árvore de Natal para ter uma, no seu pequeno e partilhado apartamento.

* 3 formas de fazer ponto de cruz

quinta-feira

Será desta!






Com grande entusiamo preparo o Natal.

No livro de Gill Hornby, Miss Austen, Cassandra, falando com os seus botões, diz:

“These are the things by which most of us are remembered, these small acts of love, the only evidence that we, too, once lived on this earth. The preserves in the larder, the stitch on the kneeler (no meu caso os pontos no painel de Natal). The mark of the pen on the page.”

É nisso que penso quando volto a este painel, estarei sempre presente em todos os Natais da minha família através da coleção de memórias guardadas nas minhas horas a fio.



Nota: melhoro o meu inglês ouvindo o audiobook do livro e lendo-o simultaneamente. São assim as minhas viagens de comboio semanais, para visitar a minha mãe.

terça-feira

Personalizar um painel





Foi quando consegui dar verdadeiro sentido às palavras do meu pai — e senti-las no coração — que percebi que precisava de deixar essa marca registada nas minhas memórias físicas. Ou seja, em palavras escritas… traçadas com a ponta da agulha. Aproveitei o facto de estar a fazer o Prince Quilt e, no painel central, decidi que irei bordar as palavras do meu pai: “Um caminho para andar”. Estou a acrescentar alguns elementos que têm um significado especial para mim. Foi também uma forma de disfarçar pequenos traços que não saíram como queria e de algo que me propus aplicar e que se revelou demasiado desafiante, dado o nível de detalhe. Assim, optei por bordar por cima dessas manchas ténues.

Significados dos desenhos bordados:

A casa - o Lar, a Família; 

A Vieira - símbolo do Caminho de Santiago (onde estive com os meus pais, a agradecermos a minha recuperação do meningioma);

O peixe - o signo do meu pai;

O gato - representando a Jade (a nossa primeira gata), o Picasso (gostava de repousar nos ombros do meu Pai e o gato que gostava de ter!);

O carrinho de linha- as minhas horas a fio, passadas comigo mesma; não são horas solitárias, são horas partilhadas com quem trago em pensamento e no coração. 

A agulha - desmanchei

A galinha  e a ovelha- ainda por decidir, representam a minha mudança para Entre a Serra e o Mar, onde tenho galinhas e por onde passa um rebanho. A ovelha também representa o meu gosto pela malha.

Apesar de ter feito um teste com o fio de seda num pedaço de tecido e o ter molhado, quando dissolvi o papel estabilizador com água, os desenhos desbotaram! Ainda não decidi o que vou fazer! Provavelmente vou apenas desmanchar a casa e aplicar uma em tecido.

domingo

Arquivo memórias com receio* de as perder.

 


Ontem, quis assinalar os 85 anos da minha mãe nos trabalhos de mão que trago comigo - as minhas memórias físicas como lhes gosto de chamar: pequenos fragmentos retalhos do passado, cuidadosamente guardados, que encerram em si os momentos e dias especiais que vivi. À minha mãe devo a minha paixão pelas agulhas. Recordo-me de a ver, toda a minha vida, com algum trabalho de agulhas, fosse malha, crochet ou bordado. Tinha de ser minha convidada especial para bordar no painel da Tapeçaria da Diáspora Escocesa! E não se ficou por aí: foi também professora das participantes que se juntaram já na reta final deste projeto..

A minha mãe a ensinar a bordar

Assinalei os 85 da minha mãe, retomando um trabalho iniciado por ela, nas nossas aulas de bordado. Foram aulas que serviram para a minha recuperação* da motricidade fina. A minha mãe enfiava-me os fios nas agulhas e juntas bordávamos: eu, almofadas para o Menino Jesus em Castelo Branco, ela, lenços de namorados, um para cada um dos filhos mais um para ela e o meu pai. 

Fica aqui também o registo: terminei o 16ºbloco do Queens Walk Quilt, no dia de anos da minha mãe, durante o serão. 

Antes quis terminar o bordado da Vieira, símbolo do Caminho de Santiago, onde fui com os meus pais agradecer o sucesso da cirurgia ao meningioma. Este é um dos vários bordados que decidi incluir no painel central do Prince Quilt. A história das alterações deste painel fica para um outro dia.


Para bordar por cima de um bordado, utilizei tela solúvel em água.

Uma vez mais juntámos a família que estava por cá, mas a minha irmã teve de sair mais cedo, pois voltou ao palco. 

A avó Fátita com alguns netos e bisnetos. Faltavam os expatriados ( não os considero emigrantes porque sinto que os nossos sucessivos governos chutam os jovens para longe das famílias!)

Foi com orgulho que voltei a ver a minha irmã a dançar no Palácio de Seteais, no fim de semana passado.


Nota: receio e não medo; Quem já passou por um meningioma sabe a importância de guardar num lugar seguro as memórias que se podem apagar de um dia para o outro.

Retomar o Fio à Meada

Em abril estive afastada das agulhas e com nada para partilhar em termos de trabalhos manuais. Foi um mês intenso: celebrei a Páscoa em família e até recebi os expatriados por cá.

O mimo na hora de dormir.

 Na escola os dias também foram exigentes, com avaliações intercalares e, enquanto diretora de turma, enfrentei situações nada fáceis.

Felizmente, no final de abril fiz a minha primeira peregrinação a Fátima, o que me trouxe uma grande serenidade e paz interior, que tenho mantido com "pistas de oração"!

três gerações de Mães

Maio começou com a celebração do Dia da Mãe e com mais uma viagem a Inglaterra, desta vez para celebrar os 33 anos da Madalena.




Tive a oportunidade de, no primeiro dia da exposição comemorativa dos 150 anos da Liberty, a visitar e, sendo mais forte do que eu, fiz algumas aquisições. Tinha de trazer um tecido dos 150 anos da Liberty! 


Tenho de deixar registado, para quando a memória me falhar, uma frase destes dias do Vasco "Vamos fazer coisas de "adolts", por exemplo, plantar uma árvore"!


Ainda deu tempo para visitar Kensington Palace e a exposição Dress Code, bem como uma exposição de trabalhos em madeira, na loja do Japão. 

Ursos feitos por uma tribo. Não faziam parte da exposição, mas foi o que mais me encantou  tentou!

No regresso da viagem esperava-me dose redobrada de trabalho na escola, mas finalmente, este domingo abrandei o ritmo e voltei às agulhas. 

Adiantei as almofadas para o quarto da Família, iniciadas em abril, e voltei ao bordado, experimentando personalizar guardanapos com desenhos que fotocopiei para um papel estabilizador. Se resultar, tenciono usar o mesmo método no Quilt Prince e em bases para bules ou centros de mesa.







Hoje chegou um novo bastidor de mesa. Ainda o usei pouco para conseguir dar uma opinião, mas, para já, estou a gostar

Vir aqui escrever serviu para organizar as minhas ideias e guardar algumas fotografias destes últimos dias.