Não concordo, em grande parte, com a
Elizabeth Gilbert, nem gostei do seu livro
"A Grande magia". Sem dúvida que o processo criativo tem por vezes momentos e resultados em que sinto que pura magia acontece, resultado de uma entrega total a algo que me apaixonou. Se consigo sentir estes momentos mágicos é porque comecei por duvidar que seria capaz. Depois começo a acreditar que o estudo, a pesquisa, a observação, as aulas e a prática me irão conduzir ao meu objecto de sonho. Num acto de fé, como dizem por aí, "deito fogo à peça". Desespero e espero conseguir! Desfaço e faço e volto a desfazer e refazer. Zango-me, afasto-me, duvido. Procuro outros caminhos. Reconcilio-me e finalmente consigo (nem sempre, mas ainda assim fico feliz por ter tentado!). O processo em si mesmo é o caminho, vou desvendando segredos, truques e técnicas. Copio e moldo à forma que me faz sentir mais confortável. Ganho coragem e solto-me. Sou atrevida. Acredito em mim, porque sei que me esforço, que trabalho e invisto para conseguir concretizar peças que idealizo e não são livros de auto ajuda que me fazem ser criativa, mas sim o simples acto de criar.
Acredito também em seguir o caminho devagar e muito lentamente ir passando pelas várias fases do processo criativo. Para quê ter pressa se não tenho de chegar a nenhum lado em particular, já que nem o defini?! Apenas me interessa tirar o máximo de gozo do que vou fazendo e assim estou certa que no final ficarei feliz.
Tenho uma ideia a fermentar há um tempo, como disse nada definido, mas preciso dos meus filhos já que por base terei as memórias das suas infâncias. Profundamente atenta, observo, fascino-me com as transições no crepúsculo, desvendo o efeito da luz e da sombra, sinto e registo.
Enquanto espero que o ritmo deles se sincronize com o meu vou explorando as técnicas que estou a pensar utilizar, como o
Boro,
Patchwork, Shibori e
tingimento de têxteis de uma forma sustentável.
A primeira etapa desta experiência passa pela "descoberta" de tecidos japoneses. Tinha de começar por algum lado, a experimentar e a sentir texturas dos tecidos e linhas.
Evitando projectos ambiciosos, optei por uma bolsa japonesa, que
já fiz anteriormente mas sem utilizar retalhos.
Utilizo retalhos do direito e do avesso destes tecidos japoneses tão diferentes na textura e na cor!
As primeiras leituras começaram pelo livro do projecto
"Aldeia" e acredito que para a "Magia" acontecer, pelo menos no meu caso, o melhor é seguir o ditado "Usa e serás mestre"!
No
Yarn Along partilho
o livro "Usa e serás mestre", juntamente com as
"Caneleiras de sonhadora" que me apercebi nunca ter partilhado o trabalho final. Ainda não as molhei, mas estiquei suavemente com o vapor do ferro de engomar.
A história da criação deste projecto é simples! Começou pela
minha paixão pela Escócia e o sonho em ir à
Shetland Woll Week, que me fez seguir o blogue, onde vi este modelo. Como um gorro teria pouca utilidade já que por aqui nunca faz um frio excessivo, optei por adaptar o desenho a umas caneleiras que também se podem usar como "mangas". Para me sentir à vontade a fazer malha a cores, além de ler
alguns livros, frequentei um
workshop de
tricotar a cores.
"Moral" da história?! Palavras chaves deste processo?!
"A grande magia"?!
Apaixonar-me (por um lugar- Escócia).
Construir um sonho (ir à Shetland woll week) e
criar (um projecto com os pés na terra, adaptando à minha realidade)
percorrendo um caminho de aprendizagem.
Nota: desisti de escrever com o acordo ortográfico e de impor um limite a mim mesma quando estou a "teclar", porque dizem por aí que não é bom escrever grandes textos! Mas eu estava a gostar de divagar por isso continuei e vai ficar mesmo assim!