segunda-feira

O Sampler da Beatrix Potter e o Dia dos Avós

Na noite de sábado chegaram os netos de Inglaterra e, no domingo, consegui reunir os quatro netos à volta da mesma mesa, para um almoço e uma tarde em família, com todos os avós. Foi um dia memorável e, por isso, apesar do cansaço, ao serão empenhei-me e consegui energia extra para iniciar o Sampler da Beatrix Potter. Até porque já tinha todos os linhos e pude escolher aquele cujo tom melhor valorizava as cores dos fios que selecionei para este projeto.

Fiz apenas meia dúzia de pontos, mas o importante é que o comecei num dia* muito especial, como sempre gosto de fazer, criando assim memórias físicas, memórias que ficam para sempre ligadas aos bordados. Quando finalizar este trabalho, recordarei o dia em que deixei aqui a minha agulha, à espera de ser retomada, e todos os dias que se lhe seguiram até ao último ponto.

Tenho esperança de que os muitos pontos que ainda irei bordar neste linho fiquem entrelaçados com memórias tão felizes como as dos primeiros, nascidos de um dia vivido plenamente, em família. 

Na hora de dormir há sempre tempo para "um livro", dizem estes dois netos; "uma história do Peter Rabbit", dizem os outros dois netos, que é como quem diz, da Beatrix Potter

Cucu... quem está aí?
 

Os Avós, por D. José Tolentino de Mendonça: (Mensagem de Fátima  de 2021)

“Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar e olhar-nos sem pressas, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas de nada. Nunca consideram que quando se entretêm connosco estão a perder tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor dá-se bem com essa gratuita codivisão. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham a nosso lado sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas e de detalhes para divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que passamos a identificar com eles. Os avós já foram muitas vezes aos lugares onde nos levam pela primeira vez.

Chamam a atenção para coisas incalculáveis, como a forma de uma nuvem ou a cor diferente que ganham as folhas. Ensinam-nos com serenidade, colocando-se a nosso lado. Nunca acham despropositada a fantasia, nem os medos, nem o mimo. Têm o sentido das pequenas coisas e colos onde cabem as grandes. Eles não separam, como o resto das pessoas, aquilo que é útil do que é inútil. Fazem-nos sentir que é assim, que já passaram por isso e que existe uma solução que nos vão revelar, só a nós, como um grande segredo. Amparam os nossos desequilíbrios com o corrimão invisível e seguro do seu afeto, disponíveis degrau a degrau. Adivinham o que não dizemos sem se confundirem com a nossa confusão. Quando não estão connosco, pensam em nós, repetem aos amigos as frases que dissemos, disputam-nos, orgulham-se de coisas parvas, como o modo como sorrimos ou respiramos. Penso que se sentimos tão intensamente que os devemos salvar é porque percebemos, desde muito cedo, que somos salvos por eles”. 

* dia 26/7/26. Gosto do equilíbrio dos números da data: 26...26. Não é 26/6/26, mas também serve!

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