sábado

Indisciplina/ ansiedade


Gosto de começar um projecto e de o levar até ao fim. Posso ter vários projectos nas agulhas mas de forma disciplinada, um de malha, um de patchwork, um de bordado. Em relação à malha nem sempre é verdade que tenho apenas um projecto nas agulhas, posso ter um projecto que implique alguma concentração e outro para momentos de espera e que pode andar comigo para todo o lado, o que chamo de um projecto portátil. De momento não é isto que acontece e por isso chego a sentir-me uma barata tonta a saltitar de projecto em projecto, não vendo progressos efectivos. 
Para sentir a satisfação de ver resultados finais peguei nos projectos que precisavam de adaptações e acabamentos. Terminei umas meias cujo cós estava muito apertado, cortei-o, levantei malhas e refiz o cós, uma experiência que resultou satisfatoriamente. Rematei as pontas do gorro da Shetland Wool Week. Nos projectos de Fair Isle não costumo rematar todas as pontas (nas Shetland não rematam nenhum fio!), assim fico com fio para se, com o tempo, precisar de remendar algum ponto. Terminei o xaile Void  no início do mês, mas só agora é que rematei as pontas e lavei-o juntamente com todos estes projectos. No xaile Horas a fio faltava fazer os Tiny Tassels, pois deixei para depois da lavagem do xaile, com medo que tingisse.
Ainda por terminar, tenho em mãos o xaile Pássaros na Praia Grande, tendo terminado todo o bordado mas ainda com dificuldade em terminar a costura das "margens". Chamo a atenção para o facto das aulas na Knit stars não funcionarem tão bem como as da bluprint. Coloquei as minhas dúvidas em comentários aos quais a designer nunca respondeu, nem sequer na página do Facebook criada para as aulas. As primeiras aulas abordam detalhes de como a designer cria os seus modelos e depois, uma vez iniciado o projecto,  os detalhes falham e há uma precipitação em terminar, não havendo nenhuma referência, nem nas aulas, nem nas instruções à forma como se devem fazer as costuras.
A razão pela qual andei a saltitar por tantos projectos prendesse ao facto de querer tudo "arrumado" tendo arranjado tempo para o fazer uma vez que a Loop, ao fim de quinze dias ainda não me enviou a lã que preciso para terminar o meu casaco. A verdade é que a experiência que tenho na loja física é de grande simpatia mas pouca eficiência, com excepção de uma vez que fui num dia de semana. A loja online nunca demorou tanto numa entrega. 
Cansada de tanto saltitar, mas satisfeita com a "arrumação" atingida, resolvi iniciar uma camisola para o Landmaníaco, contra o meu princípio de não iniciar nenhuma camisola/casaco tendo outro nas agulhas por terminar. Já aconteceu antes e ainda não tive cabeça para tentar perceber qual era o passo seguinte na camisola Branco Primaveril e no Cardigan Irlandês, daí ter prometido a mim mesma que não iria repetir a asneira porque, apesar das notas que registo, não me entendo passado um tempo!
No Patchwork também ando a saltitar entre dois projectos, Here, There and Everywhere e um Sol tendo colocado de parte a manta Farmer´s Wife (até ver!) que estava a fazer para a casa que "perdi" na Praia das Maçãs.
Tanto saltitar causa-me alguma ansiedade e não é isso o que pretendo quando ando de volta das agulhas, cores e texturas! Como o dia acordou chocho, motivou-me para "teclar" com o objectivo de arrumar as ideias, diminuir a ansiedade e perceber até onde ia a minha indisciplina, se era ou não aceitável. Estou mais tranquila, mas apenas em relação aos projectos de malha e, como tal, pronta para iniciar a camisola do landmaníaco. Termino com uma piada que o landmaníaco partilhou comigo agora mesmo:

terça-feira

Yarn Along (Setembro)





Retomei mais um ano lectivo, desta vez com uma acção de Burnout super interessante. As actividades que desenvolvemos fizeram sentir-me parte de um grupo coeso e permitiu reflexões individuais. Quanto a estratégias para o evitar tenho muitas e duas são a leitura e a malha. Este mês iniciei com a leitura da última obra de Joanne Harris e retomei o casaco "Em busca da felicidade".  
Do que li de Joanne Harris, transcrevo: 
" Também eu tenho cicatrizes de várias marcas. Essa ideia reconforta-me. Sou como a colher de pau; a tábua de cortar; a mesa. A vida pegou em mim e fez de mim algo diferente. Mas o que é que eu mudei? O que fiz para tornar as pessoas à minha volta diferentes?(...) Quando era nova, acreditava que podia passar pelo mundo como o vento pela erva, mal lhe tocando, nunca tocada, a espalhar as minhas sementes até ao céu. Quando era nova. (...) Cinquenta anos costumava parecer tanta idade. Cinquenta era meio século."
Quanto à malha, lançar padrões, brincar com as cores, desenhar com lã, ter fios nas duas mãos, uma a falar com a outra, tal como as mãos de um pianista é o tipo de projecto que mais gosto de ter nas agulhas.
Retomo assim a minha participação no Yarn Along.

Em Agosto fiz...

 Malha
Em Busca da Felicidade, um casaco da Marie Wallin, foi o projecto de malha que ocupou a maior parte do meu tempo e o que me deu mais satisfação. Interrompi não só por causa do calor, mas também por falta de lã.
Fiz o gorro de esquema gratuito durante este ano, até à Shetland Wool Week.
Como andámos bastante irrequietos, tive de pegar numas meias, um projecto mais portátil e aproveitei para terminar um par para o qual tive de inventar uma forma de conseguir calçar!
Mais irrequieta andei eu, que iniciei projectos antes de terminar o que tinha nas agulhas. O último projecto do mês foi o xaile Void, que andava para fazer há imenso tempo e que aproveitando um knit Along da Melanie Berg, resolvi que era a altura certa para dar destino a três meadas de Malabrigo, adquiridas na Auri e às instruções que já tinha comprado. 


Patchwork
Iniciei o primeiro bloco do meu novo projecto, mas como parte é à máquina, pouco adiantei este mês que andei a saltitar de um lado para o outro, Here, There and Everywhere



Livros
Li mas não tanto como é costume durante as férias, talvez por ter feito tanta malha, o que não é usual no Verão, mas quando ele é quente!
Como já referi outras leituras, partilho apenas a estreia em romances da Jennifer Ryan, As Mulheres do Coro de Chilbury, um livro com os ingredientes necessários para me agradar a sua "degustação", campo inglês, histórias de mulheres "comuns" com papel marcante na comunidade onde vivem e na história da Guerra e escrita sem floreados. Recomendo para quem aprecia uma leitura ligeira para um bom descanso. Este Verão a leitura foi só de autoras inglesas algo que penso continuar a fazer, sendo uma forma de me sentir mais perto da minha expatriada.

segunda-feira

Por todo o terreno








Nos passeios de todo o terreno tenho verificado que o pó e lama não ligam com agulhas, por isso troquei as minhas agulhas por livros. O Zé retomou os seus desenhos. O ideal é termos vários passatempos para que possamos adaptar a qualquer situação! Na realidade o que mais gosto de fazer, nestes passeios, é gozar a natureza e mergulhar no encanto dos seus sons.









O nosso grupo de Avis, e não só, a tentar tirar uma fotografia de grupo!
A primeira noite acampámos com o grupo e depois, apesar de deixarmos a tenda montada, mudámos-nos para um monte.


Camas da piscina sem colchões, candeeiros partidos, arca frigorífica abandonada, mesas por levantar...
Fotografias como estas que tirei escondem o verdadeiro estado em que se encontra a Herdade!

Nunca mais reservo nada sem ler os comentários do Booking! Li apenas depois de ter reservado com receio de perder o quarto, uma vez que, atendendo ao Overland, em Avis estava tudo a ficar esgotado. Contrariamente ao que está escrito e anunciado, quis cancelar mas não deu, teria de perder 50% do dinheiro equivalente à estadia (quando chegámos à recepção disseram-nos logo que já tinham cobrado toda a estadia, algo deselegante!). Pela fotografia da piscina parece que o lugar é excelente, o que se deve à sua localização, e apenas isso é que não me fez perder a cabeça. O que valeu é que não ia com expectativas muito altas, uma vez que tinha lido os comentários. No booking já está a nossa opinião detalhada, ainda assim gostava de alertar para os potenciais interessados em ficar na Herdade da Fonte Ferreira, que vão encontrar um Monte condenado ao abandono dos seus proprietários. Para nós serviu porque pretendíamos apenas um sítio para dormir e tomar um bom banho, o resto do dia andávamos por todo o terreno.
E assim terminei as férias "que não tive" , por todo o terreno.

"Apenas" grata


Praia do Barril



Muxama




Pedras d'El Rei

Santa Lúzia

Tavira



Não me atrevo a escrever, uma vez mais, "Grata pelas férias que não tive", por isso escrevo "apenas" que me sinto grata. Seria um abuso vergonhoso insistir nas férias "que não tive"! 
O meu irmão, tendo regressado de Pedras, segunda-feira apareceu em minha casa com as chaves de sua casa para se nós quiséssemos gozá-la até ao fim do Verão. Somos apaixonados pela Ria Formosa, as suas praias e por Tavira. Ainda assim o Zé quis ficar apenas por uns dias pois tem outros planos para o final de Agosto. Apesar de ter sido por pouco tempo a nossa estadia em Pedras deu para "virar peixe" por uns dias, passando o tempo todo num mar um bocado mais quente e calmo do que aquele a que estou habituada, petiscar alguns pratos tipicamente algarvios e matar saudades dos amigos. 
Terminámos a semana em casa da Família, com os meus pais, todos os meus irmãos e sobrinhos. Quem tem uma casa cheia tem tudo! "Apenas" grata aplicasse apenas ao título!

Calor a quanto obrigas!

a tricotar inteiramente á inglesa praticando assim mais uma forma de tricotar, para poupar lesões resultantes de trabalhar horas a fio sempre com a mesma posição de mãos

O calor chegou e tive de colocar de lado o casaco que tanto gozo me estava a dar. Com uma manga feita até à secção colorida e a outra começada, por agora terá de ficar em casa, não só porque não é um projecto fácil de andar para todo o lado, como também fica desagradável trabalhar numa peça grande com este calor. Troquei-o por umas meias para o Zé. O fio foi escolhido por ele na feira de Edimburgo. (a ideia é transformar em peças os 8 kits que adquiri, antes de uma próxima feira! Já fiz dois gorros, um xaile e estou a fazer um casaco). O modelo é o que costumo fazer para ele, desta vez com 7 malhas em meia e uma em liga.

Além das meias iniciei o projecto Here, There and Everywhere, retomando assim o patchwork, o bordado e desta vez com uma nova experiência, aplicar feltro!

domingo

Grata pelas férias "que não tive" - parte 2



Mais uma semana pelo Banzão, mais uma semana grata pelas férias "que não tive"!
O ter ficado por aqui resultou em dias de praia com a expatriada, em dias gozados em família e num dia de praia com os três (agora 5 e espero que em breve mais!) como quando eram pequenos, uma época em que tinha dias e dias assim e andava a rebentar pelas costuras de cansaço e de felicidade! Sempre soube que aqueles dias não iriam durar para sempre e por isso fiz questão de os viver intensamente, tal como faço agora nestes momentos em família. Deveria o fazer permanentemente mas a realidade é outra, só tomo consciência da "forma de vida" quando paro para pensar, para escrever. Vivo as minhas rotinas, como a maioria das pessoas, em "piloto automático". Ainda assim, a Happpiness Planner ajudou-me a ter mais consciência do que faço, no meu dia-a-dia, através do projecto "The Farmer's Wife Quilt". Um projecto que está parado por falta de motivação, resultado de ter despertado do sonho, que esteve perto de ser uma realidade, que seria viver nas Maçãs. Ainda não vai acontecer, ainda não é o momento e, como tal,  ainda não é a altura de dar toda a minha atenção a este projecto. Vou virar-me para um outro que a minha filha me trouxe "Here, There and Everywhere", da Anni Downs, nome igual à música dos Beatles e para mim, a letra aplica-se a todas as formas de viver um grande amor, incluindo o amor que tenho pelos meus filhos.
Estes dias vividos com os meus filhos fez-me sentir extremamente grata pelas férias "que não tive"! 

Grata pelas férias que "não tive" -Parte 1







Este ano, sem a perspectiva de uma viagem (este Verão, gostava de ter explorado Inglaterra) ou mesmo de uma estadia "lá fora, cá dentro", estou com a sensação de que não tenho férias! Para não me lamentar, mais tarde, das férias que "não tive", registo por palavras aqui e imagens no "Diário Fotográfico", um pouco dos meus dias. Hoje fiz um balanço e conclui que há muito não tinha uns dias de férias assim! Não tenho horários, o ritmo dos meus dias é marcado pelo que mais me apetece fazer no momento, tenho as 4 estações do ano num dia e em função disso leio, faço malha, vejo e oiço podcasts, cozinho e vou "vadiar" para o pinhal ou até ao mar. Tenho por companhia o silêncio, o meu marido e os meus cães. Ainda não dei os meus mergulhos, ainda assim sinto-me grata pelas férias" que "não tive".