sexta-feira

Fintar a saudade!

A alcunha da mãe é esquilinho, daí a escolha destes botões para o casaco
Na véspera da coroação, de mochila às costas, agulhas e livro à mão, fui ter com os meus filhos mais novos a Wimbledon. Enquanto atravessava os céus, desde o Tejo ao Tamisa, voava nas minhas agulhas o primeiro casaco para o 4º neto, não tendo descansado, nem por um breve momento, as mãos no livro companheiro das agulhas.
Descansei os olhos numa Londres que me recebia iluminada para a coroação.



A leitura de cabeceira, em casa da minha filha, foi o livro de Diana Boston. Fiquei motivada para a leitura com o kit que esperava por mim.


Além do Patchworkof The Crosses Quilt Kit, tecidos, agulhas e Quenns Walk Quilt kit, estavam reunidos para a minha chegada. Quando estiver a fazê-los será uma forma de viajar na linha do tempo, regressando a estes dias vividos com os filhos mais novos, fintando a saudade enquanto crio e, uma vez concluídos, estes projectos terão um acumular de memórias físicas.



Os dias foram passados tranquilamente em família. No primeiro dia passeei pelo bairro com o meu filho e neto, para "estudar" jardins.


 



Cumplicidade entre tio e sobrinho

O dia da mãe festejámos num pub, seguido de uma visita muito interessante ao Museu Wimbledon Windmill  e de um passeio por um dos muitos parques ingleses.

Baden- Powell - fundador do escotismo

Os manos a recordarem o tempo de escoteiros

O António a admirar uma oficina de marcenaria, dentro do Moinho


A fadiga venceu o Vasco e dormiu uma parte do passeio pelo parque/bosque

Na segunda-feira o roteiro incluiu visita a livrarias, como é o costume, aproveitando para escolher livros para os netos que ficaram em Portugal.



Tive dúvidas e não cheguei a comprar!

Ainda houve tempo para irmos ao parque infantil e estudar o futuro do jardim dos meus filhos.




9 de Maio, antes de regressar festejei a Vida com a Fofinha e, junto com o irmão, plantámos flores para dar vida à janela da sala.





Finto a saudade tecendo memórias. Soprando dentes de leão, desejo em breve sentir os abraços e beijos dos que não estão Entre a Serra e o Mar.
o jardim da casa da minha filha tinha um tapete de dentes de leão que encantou o Vasco!

quinta-feira

Lucy e Diana Boston

É com enorme agrado  e interesse que leio os comentários que fazem nas minhas partilhas. Não é a primeira vez que alguém me indica algo que vai de encontro aos meus interesses. Uma vez mais, foi a Chookyblue que apontou um caminho por desvendar, quando escrevi que gostava de adquirir o Kit Patchwork Of the Crosses

No fim-de-semana iniciei um percurso muito interessante, para quem gosta de uma boa história de vida, livros e EPP. 

Kit de viagem, livro e malha

Vi o vídeo acerca da Manta da Lucy Boston, da Eleanor, que me motivou a procurar mais informação sobre a Lucy Boston, os seus livros e a sua casa. Decidi presentear-me, pelo dia da mãe, com o livro sobre os seus trabalhos de patchwork, cuja a autora é a sua filha Diana Boston.

Para as férias do verão delineei e programei uma visita à inspiradora casa da Lucy e aos seus jardins.

O fim-de-semana prolongado, pelo dia do trabalhador, deu-me tempo para tudo. Bons momentos em família, jardinagem, caminhadas, malha e um filme,  Comboio nocturno para Lisboa, que recomendo.


O próximo será passado com os expatriados da familia. Já tenho a mochila pensada, onde não falta leitura e agulhas para o tempo infinito de espera nos aeroportos! Estou feliz por ter conseguido terminar o casaco que queria estrear num dia especial e por ter conseguido o efeito pretendido, um casaco extremamente leve, suave e quente. Certamente não pesará na mochila!



quarta-feira

Preencher o vazio da ausência

Com o meu filho em Inglaterra, a casa ficou vazia, a sua ausência deixa um vazio silencioso, que tento preencher com horas a fio, ao ritmo melodioso das agulhas.

Luna (Lua em latim), a cadela resgatada no Monte da Lua, que me cobre de mimos o tempo todo e que exige atenção o tempo todo!

Neste centro de mesa ainda não decidi se dou por terminado ou se acrescento uns pontos decorativos, à semelhança do que fiz nesta almofada, bordada a ponto de cruz.




De malha vou fazendo mais um casaco para mim, para dar destino a meadas e novelos antigos e ter algo para estrear no aniversário da minha filha Madalena ou no Dia da Mãe.

Todas as noites, na cabeceira espera por mim, a história da Zoe, de fácil leitura e com ela regresso às Terras Altas da Escócia, conseguindo desligar da falta que sinto dos sons de uma casa cheia. 

Antes de viajar o António fez um novo abrigo para as galinhas. Neste os cães, e possíveis predadores, não conseguem rebentar com a rede! Ficou só a faltar a fechadura


Antes de viajar, ofereceu-nos o trabalho que andou a fazer em madeira.



Um guerreiro para ter presente que o meu filho foi à luta, encontrar o seu caminho. Tenho de enganar a tristeza da saudade com a felicidade da certeza que encontrará o que tanto anseia. 

terça-feira

EPP, Applique e Patchwork

Louceiro português antigo, recuperado e limpo durante as férias da Páscoa

Quando não viajo, nas pausas lectivas, para não andar a bater com a cabeça nas paredes, tento ocupar os meus dias com aquilo que mais gosto de fazer e os resultados estão à vista. Durante as férias da páscoa fiz uma camisola de meia estação, terminei a manta das aprendizagens, avancei bastante no mini projecto de EPP e applique e no desenho a ponto de cruz.

A camisola, Emma versão A.

A Manta das aprendizagens, com Edyta Sitar.



Com a Emma reaprendi Binding, tendo seguido o seu passo-a-passo. 



Ficou por decidir se dou caminho a estas meadas antigas fazendo um ponto decorativo, como a Emma sugere. Por via das dúvidas adquiri as agulhas  que facilitam a execução de um ponto regular.

Projecto ainda em mãos


Adoro EPP e applique, considerando uma das melhores formas de aproveitamento de sobras de tecido, de relaxamento e de criação de peças únicas. Com a Emma é extremamente fácil aprender EPP! Este projecto adquiri há um tempo na Sew&Quilt. Inspirada pelos trabalhos da Emma fiquei com vontade de adquirir o kit para a manta de Lucy Boston!

Comecei com pequenos projectos, como forma de treino, tendo-se tornado um vício, o que me levou para projectos maiores, como a colcha "Queens Walk"que espero iniciar assim que receber os tecidos e o papel que foram enviados para casa da minha filha expatriada.

Quanto ao ponto de cruz, tenho cometido muitos erros por falta de vista e muita distração, sendo um projecto que pretendo fazer nos intervalos das aulas, na recta final de mais uma ano lectivo. Anos de prática dão-me segurança e facilidade de detectar e corrigir erros. Ainda tenho alguns projectos que quero fazer para esta nova casa, entre a Serra e o Mar.

 Pequenos vídeos, relativos a estes projectos, podem ser vistos no meu canal do YouTube.

quarta-feira

Luke´s English Podcast - aulas de Inglês e muito mais!

 Há um par de anos encontrei o Luke e elegi-o como meu professor de Inglês. Já substitui uma colega de Inglês na escola e, sendo eu de biologia, decidi levar o Luke para a aula e os alunos adoraram! Gosto de ouvir as short stories ao pequeno-almoço, tendo mais tempo, a minha escolha vai para as aulas de conversas entre pai e filho. No domingo de Páscoa, enquanto preparava os bolos para a família ( do livro da Constança Cabral), ouvi a última gravação que o Luke fez com o Pai, sobre o livro que o pai escreveu. Interrompi o que estava a fazer e de imediato adquiri, como presentes de Páscoa Park life: A Year in the Wildlife of an Urban Park, para mim e A River Avon Year: The Wildlife and History of "Shakespeares's Avon", para o Zé. 

Sonhei com a reforma e com a possibilidade de partir em viagem guiada por livros, como estes. Infelizmente, a situação actual dos professores e do nosso país impede-me de sonhar alto, de planear uma reforma em que possa viver plenamente, como recompensa de anos de dedicação ao ensino. O melhor é tentar continuar a fazer uma ginástica em termos de poupança, com grandes acrobacias, para no final conseguir uma reforma, no mínimo, digna.


Talvez consiga ter tempo para descer o rio de Avon utilizando os desenhos do início dos capítulos para traçar com linhas e agulhas, em linho, o que me fará também feliz embora de uma forma diferente. Nada como caminhar nas margens de um rio, nas aldeias que o ladeiam, trocando experiências com os locais e deslumbrando-me com a natureza!

terça-feira

O Ponto de cruz, a grande encruzilhada do imaginário



No momento em que conheci a Rebecca, da Hedgerow Stitching voltei ao ponto de cruz! Será que sou facilmente influenciável pelas redes sociais, ou serei inspirada com os trabalhos que vejo? A verdade é que retomei um Sampler há muito guardado, como se pode ver pelas datas que fui escrevendo no kit, tendo ido mais longe ao adquirir dois pdfs de esquemas de ponto de cruz

Experimentei envelhecer linhos com café e chá, após ter visto os linhos da Rebecca.



Optei por não bordar no linho tingido, estando a bordar numa peça que já tinha, semelhante às que adquiri hoje na Trapos e Rendas.

Estes dois linhos serão para futuros trabalhos.

O regresso ao ponto de cruz apontou-me a estante de livros para os quais há muito não olhava (farei um vídeo para partilhar alguns dos livros, semelhante ao deste livro). Viajando no tempo, sorri ao recordar uma exposição a que fui há anos e onde adquiri o livro que me ensinaria parte da História do ponto de cruz e de onde retiro os seguintes excertos:

Ao londo da vida muito bordou (...) E sempre o seu pensamento voou de lembrança em lembrança, de recordação em recordação. E à medida que o tempo avançava a sua imaginação tornara-se cada vez mais prodigiosa, cruzando fios, cores, tons, matizes e sobretudo cruzando a vida, o destino, o desconhecido. (...)

Tecer/bordar é realmente um trabalho lunar, pois para o executar é necessário reunir vários "ingredientes" comuns ao feminino.

Brandura para que os pontos saiam perfeitos. Paciência para que o tempo não seja um entrave. Sensibilidade ao jogo de tons e cores para que o trabalho surja harmonioso e com graça. Doçura para reiniciar cada dia o trabalho abandonado na véspera. Persistência para não se deixar abater pelo cansaço e levar a acabo o trabalho começado.Interioridade para que a brandura, a paciência, a sensibilidade, a doçura e a persistência activem a prodigiosa imaginação, para que esta "re-crie" continuamente formas arquétipicas existentes na sua memória ancestral. (...)

E ela tinha também mais uma vez bordado as suas margaridas...Afinal com elas tinha tecido o seu destino...":

E os dedos corriam sobre o pano cruzando o fio á esquerda e à direita, tirando efeitos mágicos com as matizes dos diversos tons, enquanto o pensamento voava para longe. Novamente a agulha oi enfiada e o trabalho recomeçado ao ritmo dos pensamentos e recordações dos seus muitos encontros com o destino. 

No mesmo livro há referências às camisolas Poveiras:

As de cor castanha, mais adequadas às árduas fainas do mar, agasalhando e protegendo o pescador constituíam parte da roupa de polé, isto é, de trabalho. As brancas pelo contrário, decoradas com desenhos alusivos à temática piscatória e marítima, estavam reservadas para serem usadas em terra, em ocasiões especiais.

Quem começou a bordá-las a ponto de cruz? Possivelmente, segundo Santos Rocha, os velhos Lobos do Mar, que também marcavam outras peças de vestuário. Posteriormente foram as mulheres (...) começaram a dedicar-se a bordá-las, aparecendo, então, desenhos muito belos, bordados (...)

Um dia quero fazer uma camisola Poveira, provavelmente para a minha afilhada Leonor, uma apaixonada pelo mar e barcos.

A propósito de malha, a Rebecca, também tem um gosto muito semelhante ao meu, tendo tricotado algumas peças que também já tricotei. Estarei atenta às suas escolhas que, no futuro, poderão também ser as minhas escolhas.

 Outra podcaster que há anos me cativou e influenciou, quer na malha, quer noutros trabalhos de mão, foi a Sarah. Faço das suas palavras, do  último episódio, as minhas palavras, quando diz que a criatividade conecta tempo e espaço. Nem mais!