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domingo

Deixei por Acabar… Porque andei a Celebrar

O mês de março é bem recheado e, por isso, sobra pouco tempo para as agulhas. Ainda assim, fui dando um ponto aqui e acolá, mantendo um frágil equilíbrio, mas sem deixar a tristeza  e ansiedade conquistar terreno.

Março começou com o aniversário do António — 31! Dá sempre para fazer o trocadilho com a expressão “agora é que é um 31!”. Na véspera do seu aniversário, tirou um bocado da sua tarde para me ajudar a projetar o molde, numa tentativa de finalizar o Coco’s Garden a tempo da Páscoa e da chegada da Primavera. Já me vou habituando à pobreza de instruções de acabamentos por parte de algumas designers de ponto de cruz. Ainda bem que pude contar, como sempre, com o António, tal como contei com ele para desenhar o 6 no sampler Each New Day is a Blessing. Deixei o Coco’s Garden por terminar, não só porque me faltaram materiais para os acabamentos, mas também porque queria estreá-lo no dia 4, já que foi o António que construiu o molde final. 

O “peixinho” seguinte foi o Vasco, que completou uma mão cheia de anos — 5! Voámos todos para Inglaterra, menos o António, que ficou a cuidar dos animais e do jardim. Valeu pela alegria dos netos e, principalmente, pela felicidade do Vasco!Tão pequeno e já aprendeu o que significa "saudade"!

Manhã no Design Museum


Tarde no Holland Park

O Vasco, vestido de médico, a finalizar o bolo de anos para o nosso lanche

Em Londres a Primavera ja se fazia sentir!
Na segunda-feira, com os netos a regressarem às rotinas da semana, aproveitámos e fomos fazer uma rápida visita à Liberty.

Abajours, telas pintadas à mão

Na secção de papelaria tinham algumas sugestões de decoração

Para fugirmos à agitação londrina, fizemos um piquenique no Wimbledon Park e depois fomos buscar os netos à escola, para passarmos a última tarde com eles, antes de regressarmoa a Portugal.
Ando a selecionar sampler de ponto de cruz com cisne. Infelizmente perdi a oportunidade de comprar um no mercado de Nashville!


As galinhas foram muito bem tratadas, tal como tudo o que reteve o António em casa

No dia 16, os Amarais celebraram a missa de natividade do meu Paizoco. Gostei da sensibilidade e atenção do padre, que salientou no fim da missa, olhando para nós, o quanto apreciava ver as famílias reunidas, continuando a celebrar a natividade de um ente querido. Sei que o Paizoco, onde quer que esteja, nos observava de coração cheio de alegria.

Os manos jantaram com a Fátita e, mais tarde, os netos que conseguiram juntaram-se a nós. A minha irmã teve o cuidado de fazer um centro de mesa com Hortências (o  nosso pai nasceu nos Açores) e de o vinho ser marca EA (as suas iniciais). Foi uma noite especial e ajudou a suavizar a ausência física do meu pai,  sentindo-o presente nas lágrimas da minha irmã, nas expressões do meu irmão mais velho, na brincadeira do meu irmão mais novo, no sorriso da minha mãe. Foi tão bom — para todos! O plano agora é almoçarmos ou jantarmos os nove, pelo menos uma vez por mês — algo que quero integrar na rotina mensal.

O Dia do Pai foi mais difícil de ultrapassar, e isso refletiu-se em mais pontos bordados — o meu refúgio. Queria terminar o sampler no dia 16, depois percebi que seria impossível e apontei para o dia 19, acabando por o concluir apenas no dia 21. Assim que partilhei aqui a fotografia, dei logo conta da falta de pequenos apontamentos — tão pequenos que passam despercebidos. Queria muito terminar este projeto numa data especial para mim, como gosto de fazer sempre que começo ou concluo todo o tipo de trabalho de mãos.

Não consegui cumprir o plano exatamente como idealizei, mas consegui escrever, na ponta da agulha, memórias do dia 16, ao ritmo das histórias da minha vida que fui contando à minha mãe nessa tarde.

Sei que, cada vez que olhar para este sampler, vou lembrar-me de que foi intencionalmente pensado para ser terminado na semana do meu pai — com quem aprendi a fazer desta frase, Each new day is a blessing, uma base do meu dia a dia. Entretanto, quero concluir mais um pequeno projeto de Primavera antes de iniciar um grande projeto, Loose Feathers Series que me irá ocupar durante largos meses. A ideia era fazer um desenho por mês, dos 9 do modelo, mas sei que um plano é isso mesmo — apenas um plano e bastante ambicioso! Comecei logo por falhar a data em que queria iniciar o projeto: o dia em que começou a Primavera.

Com a chegada das novas aquisições de esquemas da Brenda Gervais, não sei qual será o projeto vencedor desta “batalha”, nem a qual me vou dedicar primeiro e durante mais tempo.


Entretanto, o stitch-along descansa no bastidor — já sem desculpa para este abandono, uma vez que consegui trazer o pé do bastidor numa mala de porão.

Voltei em força ao ponto de cruz e fiz uma brincadeira com o meu filho, recorrendo a IA ele criou um perfil atualizado para mim - uma professora com mais de 60 anos, sempre com a sua cadela branca por perto, a sonhar com uma sala de aula de outros tempos onde se ensinavam as meninas, a bordar e não só, com samplers.

terça-feira

Personalizar um painel





Foi quando consegui dar verdadeiro sentido às palavras do meu pai — e senti-las no coração — que percebi que precisava de deixar essa marca registada nas minhas memórias físicas. Ou seja, em palavras escritas… traçadas com a ponta da agulha. Aproveitei o facto de estar a fazer o Prince Quilt e, no painel central, decidi que irei bordar as palavras do meu pai: “Um caminho para andar”. Estou a acrescentar alguns elementos que têm um significado especial para mim. Foi também uma forma de disfarçar pequenos traços que não saíram como queria e de algo que me propus aplicar e que se revelou demasiado desafiante, dado o nível de detalhe. Assim, optei por bordar por cima dessas manchas ténues.

Significados dos desenhos bordados:

A casa - o Lar, a Família; 

A Vieira - símbolo do Caminho de Santiago (onde estive com os meus pais, a agradecermos a minha recuperação do meningioma);

O peixe - o signo do meu pai;

O gato - representando a Jade (a nossa primeira gata), o Picasso (gostava de repousar nos ombros do meu Pai e o gato que gostava de ter!);

O carrinho de linha- as minhas horas a fio, passadas comigo mesma; não são horas solitárias, são horas partilhadas com quem trago em pensamento e no coração. 

A agulha - desmanchei

A galinha  e a ovelha- ainda por decidir, representam a minha mudança para Entre a Serra e o Mar, onde tenho galinhas e por onde passa um rebanho. A ovelha também representa o meu gosto pela malha.

Apesar de ter feito um teste com o fio de seda num pedaço de tecido e o ter molhado, quando dissolvi o papel estabilizador com água, os desenhos desbotaram! Ainda não decidi o que vou fazer! Provavelmente vou apenas desmanchar a casa e aplicar uma em tecido.

sábado

O Outono a chegar


Passo mais tempo em casa do que no jardim!

Tudo por terminar! Apenas início projetos!
O EPP  em que tenho trabalhado
A abóbora tomou conta do canteiro!

Iniciei a preparação do canteiro para culturas de Outono

Iniciei a limpeza mas não terminei a preparação do canteiro para o Outono

Lúcia-lima a reclamar a minha atenção!

A angústia da ausência é inimiga da concentração, a falta de serenidade faz-me saltitar de tarefa em tarefa, pouco realizando. A casa e a horta ressentem-se, as galinhas também! As agulhas são as minhas amigas, ainda assim pouco tempo fico com o mesmo trabalho em mãos. Para me concentrar escolho projetos para receber o Outono e que me impõe alguma disciplina. 

A malha preenche, principalmente, os serões. Contínuo com o colete Keris, da Marie Wallin.  

Livros também são meus amigos! Sendo fã da Jane Austen não me passou ao lado o livro, Jane Austen Investiga da Jessica Bull. Ainda não tenho uma opinião formada, foi a leitura na minha viagem de comboio de hoje e só esta noite é que irá ocupar o lugar nas leituras de cabeceira (a história tem início no Outono).

Durante o dia vou dando uns pontos, mas nada com consistência. Iniciei uma grinalda de Outono para ver se consigo ficar concentrada num mesmo projeto. Quando me foco no trabalho que tenho em mãos a abstração da realidade é quase perfeita, viajo até ao dia em que verei aquele trabalho a dar um toque especial a algum canto cá de casa, ou de casa dos meus filhos. Essa é a  motivação para acabar, embora desfrute do processo de fazer. Um projeto terminado a ocupar um espaço, um momento, é algo que me dá alegria pois irá pertencer à minha coleção de memórias físicas. Talvez por associar projetos e sentimentos é que tenho sido tão pouco produtiva. Anseio por alguma serenidade! As agulhas nunca me falharam, tenho de confiar no seu poder calmante!

Certos dias  fica mais real o toque do meu Pai que nunca mais sentirei, o beijo na careca que nunca mais darei e é esmagadora a certeza do vazio!

sexta-feira

Em casa, numa tarde fresca






Antes da chegada do calor, tento fazer um casaco para me acompanhar na próxima ida a Inglaterra, onde um casaco é sempre bem-vindo, mesmo em Agosto! Faz parte dos meus planos passear pelo campo Inglês, o que me levou a adquirir, finalmente, o audiobook Rural Hours. Estou ainda no início mas certamente será um livro que irei recomendar.

Numa tarde chuvosa, como a de hoje, de agulhas nas mãos escuto Rural Hours e penso nas férias. No que diz respeito a Virginia Woolf, fiquei com vontade de caminhar e observar com outros olhos Richmond e, quem sabe, encontrar a casa onde Virginia Woolf viveu. Com a mudança de casa da Madalena, tive a oportunidade de conhecer lugares que até então me passavam despercebidos mas dos quais há imensas referências nas minhas leituras mais recentes, como por exemplo Putney, onde o marido da Virginia Woolf viveu com a família, antes de casar. 

Antes de retomar as agulhas digo que sou feliz com a nossa mudança para uma aldeia entre a Serra e o Mar. Embora não viva 100% no meio rural, vivo horas de felicidade rural, com uma planta que de repente floriu, a roseira que me presenteou com as suas flores, uma árvore que deu fruto, os pássaros que ao final da tarde aceitam o meu convite para um banho, as galinhas que se manifestam à minha chegada, a estrelinha que fez ninho na casa de cortiça que deixei no pinheiro manso, tantos e tão grandes detalhes que fazem parte de uma rotina diária vivida longe da agitação, do ruído, da luz e do ar citadino!



Notas (assim consigo guardar fotografias e vídeos):
1. Qualquer pausa que faça é uma oportunidade para os meus cães abusarem e conquistarem um lugar que não é deles!

2 . Enquanto teci os pontos de uma das mangas, em Felted tweedvi o documentário sobre a Beatrix Potter e um visionamento leva sempre a mais outro vídeo.

Horta de Outono

Em primeiro plano, Lúcia-lima, no primeiro canteiro várias espécies de couves e espinafres

Finalmente deitei mãos à terra, guiada pela Susana Caseiro, quer seguindo as instruções das aulas no Youtube, quer consultando o seu livro, A minha Horta em casa. Estou a ponderar inscrever-me num dos cursos da Susana. Por agora apenas plantei e nada semeei, tendo adquirido os exemplares na cooperativa agrícola de Colares e de Sintra. O Zé trouxe a couve chinesa e a rúcula da Cooperativa Agrícola de Loures. A primeira dificuldade foi identificar os pés de couve, já que misturaram tudo no mesmo saco. Fiquei mais descansada quando percebi que até o jardineiro tinha dificuldade em identificar cada espécie de couve. 

Perpétua roxa, alfaces, rúcula

Amores-perfeitos, cebolas, acelgas, nos canteiros. Ao fundo maracujás, erva príncipe, fisálias e orégãos (ainda por plantar, por estar a aguardar a chegada de mais aromáticas)

Outra dúvida foi a que distância devia plantar as cebolas. Felizmente o jardineiro apareceu nesse momento e ajudou-me a definir os espaços entre cebolas, alfaces, acelgas e couves. Na passagem pelo Horto da Praia Grande não resisti à perpétua roxa, hortelã da ribeira (a pedido do jardineiro não vou plantar por ser praga) e à citronela (pareceu-me erva príncipe e é!) acreditando que vai evitar mosquitos na zona destinada à leitura, onde foi plantado um medronheiro para criar sombra. 

Deitei mãos à terra, já no final do dia, as últimas plantações foram quase às escuras. Ainda assim, acho que resultou! A couve chinesa, a rúcula e os espinafres foram plantados dois dias depois, quando a chuva nos deu tréguas. Ansiosa para ver os resultados!


A próxima tarefa será adaptar o galinheiro para a chuva. Terei de podar o que coloquei para proteger as galinhas do sol de Verão, para que possam ter acesso ao sol de Inverno. Entretanto o meu filho já iniciou a tarefa de podar.

As galinhas também vão ficar a ganhar com a horta porque parte das couves e espinafres foram plantadas a pensar nelas. 

A construção de uma Horta e jardinar são actos de esperança, de acreditar que a natureza a seu tempo vai nos deslumbrar. Quase tudo foi plantado pequeno, agora é esperar para ver. A opção foi um jardim de baixa manutenção e com pouco relvado. Dele escreverei num outro dia. Fica a fotografia do canto dos netos, onde poderão brincar com areia e à vontade. Aqui foram plantadas algumas árvores, limoeiro, marmeleiro e macieira. A romãzeira e a oliveira estão noutra zona do jardim. A citronela afinal vem para aqui a fim de tentar afastar os gatos da areia onde os meus netos brincam.

O canto para os netos reinarem