quarta-feira

"Um Caminho para andar"




2º dia: Crer com Esperança

3º dia: Amar com Esperança 







Os 3+1 manos, fizemos O Caminho e levámos connosco toda a Família. A mana desafiou-nos, o pai deu-me o empurrão e seguiu comigo, de vez enquando acotevelava-me e chamava-me a atenção "Sofia pára de falar comigo, segue as pistas de oração, escuta quem te chama!". 

O primeiro dia foi difícil, não fisicamente, mas espiritualmente, viver O Caminho. Talvez só ao terceiro dia, tenha finalmente, conseguido orar com Amor (Fé sem amor é fanatismo).

Entre momentos de silêncio, para interiorizar as palavras A peregrinação é a oração dos pés, e  momentos de partilha, fomos trilhando O Caminho.

Dividiram-nos em grupo, cada irmão num grupo diferente, e no meu grupo partilhei com confiança e senti esperança. Escrevi no meu caderno, todos tinhamos um caderno, "Escrevam"- dizia a Núria. Sim é importante registar para depois poder voltar aquele momento. Obriga-nos a refletir profundamente nas pistas de oração.

Todos os dias houve espaços preenchidos com sorrisos e brincadeiras, que alegraram O Caminho e que me deram a certeza que devo fazer O meu Caminho sem nunca me esquecer de sorrir à Vida. 

No companheirismo tolerei até o ressonar de alguns, o ruído de outros e alguns écrãs à noite. Os desconhecidos  tornei-os irmãos na oração, ancorei-me aos meus manos e tudo se tornou simples. O silêncio perturbado pelos  passos de 103 caminheiros, a que se misturavam os sons da natureza aproximou-me do essencial.

Ao fim de três dias compreendi as palavras do meu Pai "Só quero um caminho para andar".

Começámos a peregrinação apresentando-nos e eu disse:

" Sou mãe de 3, avó de 4 e professora de muitos. Venho com os meus irmãos e venho porque o meu Pai sempre disse que só queria Um caminho para andar". 

Não me recordo de qual de nós disse, na apresentação:

"O nosso irmão mais velho ficou a cuidar da nossa mãe!"

 E pensei para comigo: "Carlos fica descansado porque estás connosco"
Eu e a minha irmã levámos tatuados nos tornozelos aviões e o Zé foi-nos buscar a Fátima usando um boné da Força Aérea! Todos estes pequenos Grandes gestos, carregados de simbolismo, marcaram-me... como uma tatuagem no coração. 

Quando caminhei com a cruz, chorei- e, nas minhas lágrimas senti parte da dor que carrego comigo. Noutras lágrimas mergulhei a minha esperança... e acreditei. Paizoco, esta parte do nosso caminho foi de perfeita união. Obrigada! Senti que dei um passo em frente. Acredito que posso mudar, basta deixar-me transformar


Já passaram muitos dias, mas só hoje* - depois de uma troca de mensagens entre irmãos - senti vontade de partilhar que finalmente descobri o sentido das palavras do meu pai:

 "Só quero um caminho para andar" e farei delas a essência da minha Vida!

Construo o mapa da minha Vida, onde traço o meu caminho, tentando fazer da minha vida uma peregrinação.



1º Dia

* não sei se, consciente ou inconscientemente, estava a aguardar  pelo dia 21!

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