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domingo

Na ausência do António

Quando a casa fica vazia a solidão invade e preenche todos os espaços da casa. Não consigo parar de pensar no que a minha mãe deve sentir todos os dias, desde que perdeu o meu pai e, com o passar do tempo, deixou também de ter as visitas diárias dos netos, agora com outras idades e mais ocupados. Outro dia perguntei-lhe porque se estava a deitar tão cedo, se ainda era dia. Compreendi tudo quando me vi sozinha e o crepúsculo caiu sobre o jardim. Até me sinto mal por falar de solidão, quando passo os meus dias numa escola que acolhe e acarinha todos. E, no entanto, bastaram dois dias de fim de semana, durante os quais até estive no Banzão em família, embora apenas por poucas horas, para sentir o peso do silêncio e da casa vazia. De forma a sentir-me acompanhada, ocupei o resto do meu tempo a rever vídeos. Pedi ajuda à IA, colei a transcrição de um vídeo sobre a Hannah Whitaker e pedi que traduzisse o texto e elaborasse uma biografia. O resultado foi o seguinte, ao qual acrescentei ligações para outros vídeos: um dos Samplers da Escola de Ackworth e outro com uma vista panorâmica da escola nos dias de hoje.

"Biografia de Hannah Whitaker

sábado

Home & Away

Gosto quando os livros têm os esquemas com todas as medidas!
Home&Away , da Hannah Fettig, foi um dos primeiros livros que quis comprar, junto com os da Kate Davies, tendo adiado o investimento por não estar certa se conseguiria seguir os modelos. Hoje sinto-me mais atrevida e segura (no caso de ter dúvidas a Hannah Fettig ajuda!) no que diz respeito a projectos de malha, como tal, finalmente comprei o livro da Hannah Fettig e foi um dos meus melhores investimentos. Gosto de todos os modelos e os textos são excelentes para quem não quer cometer excessos e simplificar o seu guarda-roupa juntamente com a sua casa/vida. Na sua página partilha uma aplicação útil para evitar a acumulação desnecessária de fios, bem como para evitar a situação de comprar as quantidades erradas para os modelos que pretendemos fazer. Já me inscrevi no seu grupo no Ravelry, mas ainda não decidi qual o modelo por onde quero começar! Aqui, no jardim dos meus pais, estava a folhear o livro e, como gosto imenso de coletes, senti-me tentada pelo Sycamore. A minha dificuldade em escolher um modelo é não só por gostar de todos mas também porque quero utilizar os fios que tenho. Não tenho muitos mas tomei a decisão, se não utilizar os que comprei para determinados projectos que nunca cheguei a fazer, não os vou guardar pois sinto-me sempre "acorrentada" aos fios em que gastei dinheiro e que apenas têm ocupado espaço lá em minha casa!
Enquanto não me decido vou ouvindo (alguns episódios já tinha ouvido há um tempo!) o seu podcast, produzido em parceria com a Pam Allen. Guardei na lista de livros que gostava de ter o Texture, pois identifiquei-me imenso com os modelos da Hannah Fettig e o seu livro simplesmente encheu as minhas medidas (todos os modelos têm instruções para construção com costuras e sem costuras)!
Por agora vou esvaziar a mente de tantos modelos que gostava de ter e fazer e vou apenas descansar, que bem preciso, após a primeira caminhada do Torrão.
Primeiro andou com trela, mas como deu provas mais do que suficientes de que não fugiria, fez a restante caminhada sem trela.
Chegaram cansados ao parque de estacionamento!

domingo

S de Setembro e de Sampler*

O plano inicial seria começar um Sampler em Setembro. Sendo o dia 4 de Setembro o dia em que se pensa que Hannah terá morrido, para celebrar a sua obra, teria sido uma boa escolha, iniciar o seu Sampler. Até porque é também o início de mais um ano letivo e a sua vida foi dedicada a um colégio. Com receio de que a cor do linho que já tenho para o Sampler da Hannah Whitaker seja demasiado escura, comprei, no dia 4 de setembro, o mesmo linho, mas num tom mais aberto, que estará à minha espera em casa da minha filha Madalena. Apesar de ter muita vontade de iniciar mais um Sampler, consegui resistir, uma vez que ainda tenho algumas “coisas” que quero fazer para a minha neta Teresa. Quero também focar-me no quarto dos netos, o que implica, igualmente, trabalhar num Sampler, o da Beatrix Potter**. 

Quando voltei a pegar no Sampler da Hannah, lembrei-me novamente da série Um Veterinário de Província. Talvez porque a série é passada em Yorkshire, a mesma região onde viveu Hannah Whitaker. E ainda bem que me lembrei! Descobri entretanto que saiu mais uma nova temporada, a sexta, da série.

No episódio quatro, adorei a história por trás de uma manta de patchwork e o facto de Helen — casada com o veterinário James Herriot — ter acrescentado à manta um quadrado bordado que contava um pouco da sua história. E, como se isso não bastasse, desafiou também a irmã mais nova, Jenny, a colocar um quadrado que contasse a sua própria história.

Escolha do fio, com a carta de cores da D.M.C

As histórias contadas na ponta da agulha, traçadas com fios, são sempre algo que me fascina! Depois de ver a Helen acrescentar um bordado à manta, pensei que também eu poderia deixar a minha marca na manta que fiz mais recentemente, para que não se perdesse uma data especial. Decidi, então, que tinha de arranjar tempo para o fazer. Redigi a caneta, sem fazer um rascunho, e assinei para que a caligrafia ficasse o mais próxima possível da minha, embora escrita na ponta da agulha. Não fiz correções e bordei tal como saiu à primeira. Apliquei o coração e agora fiquei a pensar que gostava de ter mais tempo para fazer mais pontos de acolchoamento. Aliás, é algo que quero fazer, também, na manta que fiz para os netos. Um dia faço, com tempo!

Notas: 

* Em Inglês conhecido por Sweet Sampler September 

** Inscrevi-me num SAL, no grupo  Across The Pond, apesar de já ter começado o meu Sampler! Este será o segundo SAL em que estou a participar de ponto de cruz. Embora não lide bem com prazos, gosto da companhia virtual e das partilhas, uma vez que bordar é uma atividade que pode ser muito solitária.



sexta-feira

Ragamuffin 2: mais um entre os muitos projetos que quero bordar

Materiais reunidos para muitos anos. Um pequeno excesso, sem dúvida! Um arrependimento? Nem por isso. Escolher o primeiro projeto será, talvez, o maior desafio.

O meu recente regresso ao ponto de cruz tem-me deixado fascinada pela História. Estudar Samplers antigos e reproduzi-los é uma nova forma de olhar para o ponto de cruz.

Gosto de romances históricos e de policiais, acompanhando entusiasticamente o trabalho dos detetives.Talvez por isso me tenha rendido novamente ao ponto de cruz. Cada Sampler antigo levanta perguntas e convida à investigação. Gosto de acompanhar esse trabalho de pesquisa, de seguir o percurso de quem investiga essas pistas e de descobrir as pequenas histórias que delas emergem, quase como numa investigação policial. Esta nova dimensão do ponto de cruz é a que mais me tem interessado, talvez porque puxa mais pelo cérebro, uma preocupação que é uma constante no meu dia a dia.

Claro que tenho colecionado materiais para iniciar projetos que nada têm de histórico, como é o caso dos da Brenda Gervais, pelos quais fui atraída pelo equilíbrio das cores e do desenho, bem como pelas frases, cujo significado me diz bastante.


Escolhi alguns desses projetos para os novos quartos da casa que, finalmente, começo a sentir que é minha. Deixou de ser apenas a Casa no Pinhal para passar a ser a nossa casa Entre a Serra e o Mar.

Mas não me fiquei pela Brenda Gervais. Tenho ainda um esquema com uma frase da Jane Austen e muitos outros, sobretudo em formato digital. Uma verdadeira loucura, mas não resisto. Acabo por me deixar influenciar — ou, talvez mais justamente, inspirar — pelos Flosstubes que acompanho.


Como as obras da casa se atrasaram, sinto-me, talvez por isso, mais tentada a dedicar-me a projetos que contam uma história e me transportam ao passado do que a projetos pensados para o presente. Parece que preciso de algo mais do que apenas bordar para a casa; preciso de desafios maiores, de novas aprendizagens e de estimular o cérebro.

Andando perdida, sem saber por onde começar, vou esperar pelos linhos que a minha filha me vai trazer. Depois, juntas, escolheremos o projeto — ou os projetos — a iniciar.

De Samplers históricos, estou a participar no SAL GH 1857. Quero também participar no da Hannah Whitaker, bordar para o quarto dos netos o Sampler da Beatrix Potter e, mais recentemente, adquiri mais um esquema quaker: Ragamuffin 2.

Imagem copiada da loja onde se pode adquirir o esquema

Este último distingue-se por fugir aos tradicionais medalhões quakers*. Adorei as cores pastel, a simplicidade do rebordo e o aspeto rendado do alfabeto, bordado em Algerian Eye, podendo também ser executado em Double Cross Stitch ou seguindo um tutorial que encontrei no youtube.

Para este modelo ainda não tenho nem linhas nem linho. Talvez opte por linhas DMC, para ficar mais em conta, atendendo aos meus gastos — ou, melhor dizendo, aos meus investimentos recentes. 

Escrevo para arrumar ideias, guardar informações a que quero voltar, exercitar a escrita e, já agora, conservar esta imagem que retirei de um vídeo da Jackie. Daqui a algum tempo, sei que será mais fácil recordar por que razão este modelo me chamou a atenção e o que me inspirou quando decidi incluí-lo na lista dos projetos que gostaria de bordar.

O estado de estar completamente absorvido num projeto de ponto cruz, felizmente alheio ao mundo exterior e às suas preocupações triviais - pausa mental, respiro cognitivo, fuga ao stress

Hoje passei o final da tarde, uma vez mais, presa ao ecrã. Vi, na Netflix, o filme A Head Full of Honey. Não o escolhi por acaso. Fui atraída pela relação do avô com a neta, que vislumbrei no trailer do filme, e, como tenho pensado mais no meu Paizoco, quis compreender um pouco melhor o que é viver com Alzheimer, embora isso me deixe sempre angustiada. Lembrei-me da tarde em que juntos ouvimos músicas do seu tempo. Sabia todas as letras e cantou, fazendo a minha mãe feliz outra vez. Vi o filme fazendo malha. Chorei, ri, voltei a estar com o meu Paizoco e voltei a sentir medo. Muito medo de um dia vir a ter Alzheimer e de sentir o meu cérebro transformar-se, lentamente, numa pasta de mel. Fica a questão: será que, se esse dia chegar, a leitura do meu blogue me poderá ajudar? Juntamente com o "Calendário da Gratidão", com todas as memórias que fui guardando em papel e com todos os pontos que fui tecendo e bordando com as minhas agulhas!

*Nota: recentemente descobri, nas minhas pesquisas, a ligação dos Quacker à família Cadburry.

domingo

Bordar memórias para o futuro

 Tenho cada vez mais a certeza de que gosto de fazer trabalhos de mão intemporais, sejam bordados ou patchwork. Projetos que não são apenas para me satisfazer, mas que podem permanecer muito para além de mim (até as malhas se alguém as vier a vestir!). Gosto da ideia de criar peças que contem a minha história, a da minha família e a vida que vivi. 

Quando penso nos bordados que faço hoje, imagino-os daqui a muitas décadas. Quem sabe se um dia os meus descendentes não pegarão numa dessas peças e começarão a fazer de detetives? Talvez tentem descobrir quem bordou aquelas iniciais e, depois, com a curiosidade aguçada, se questionem sobre onde é que eu vivia, como era a minha vida e o que me inspirava. É exatamente isso que fazemos hoje quando observamos os antigos samplers: procuramos pistas sobre as pessoas que lhes deram vida, onde e como viviam, o que torna todo o processo ainda mais fascinante.  

Depois de muito ponderar, abandonei, por agora, alguns planos que tinha feito em Maio, porque neste momento estou entusiasmada e, ao mesmo tempo, dividida entre dois projetos (também de inglesas) que quero muito começar. E a culpa é da Jackie Ahistrom, com o seu entusiasmo contagiante, as descobertas que vai partilhando e as histórias que vai recontando. Por um lado, quero fazer o Sampler da Beatrix Potter, adaptando-o à minha realidade alterando as iniciais, talvez bordando apenas as dos meus filhos, as minhas e as do Zé. Por outro, sonho com o Sampler da Hannah Whitaker, mas transformando-o numa peça da família Amaral, com as iniciais dos meus pais e dos meus irmãos, acompanhadas por uma frase escolhida por mim. Seria uma adaptação significativa do modelo original, mas faria todo o sentido para as gerações futuras da  nossa Família. Aguardo os linhos que encomendei, para escolher entre os que tenho e os que estão para chegar, não tendo, infelizmente, encontrado o linho recomendado.

Enquanto penso nestes novos projetos, lembro-me também de um outro que continua à espera de ser terminado. É um painel muito especial, onde quero bordar uma frase do meu pai: "Só quero um caminho para andar". Nessa peça já comecei a escrever, na ponta da agulha, uma parte da minha própria história. Falta apenas continuar, mas o entusiasmo do meu regresso ao ponto de cruz foi tão grande que acabou por se tornar uma barreira para os outros projetos.

E há ainda outro projeto, uma manta de patchwork feita com as camisas do meu pai, onde quero aplicar/ montar, com retalhos de tecido, aviões. Ainda me falta a força emocional para pegar na tesoura e começar a transformar as camisas do "pilotaço" em aviões. Sei que um dia o farei, mas ainda não chegou o momento.

Todas estas ideias deixam a minha cabeça a mil, o coração com palpitações e vou tendo algumas insónias. Tenho uma certa ansiedade por sentir que o tempo nunca chega para tudo aquilo que gostaria de fazer. Mas também tenho aprendido uma coisa importante: não preciso de esperar pela reforma para me dedicar a estes projetos, na companhia dos meus irmão, na nossa Casa de Família. Não preciso de os terminar rapidamente, posso fazê-los ao ritmo da minha vida. No fundo, o que importa é continuar a fazer, estimular o cérebro e alimentar a minha paixão pelas agulhas. E talvez um dia, quando alguém pegar numa destas peças e se interrogar sobre quem a bordou, encontre ali muito mais do que um bordado. Encontre uma vida vivida em família, numa família numerosa, onde estão presentes pais, avós, filhos, netos, irmãos, tios e sobrinhos. O que me levou a terminar assim este exercício de escrita, que já vai longo e que era só para arrumar ideias e desacelerar?* Porque queria terminar a minha linha de pensamento, não com um ponto final, mas com fotografias que hoje partilhámos entre irmãos, sinalizando o Dia dos Irmãos — o melhor presente que os meus pais me podiam ter dado! 




*Nota: Este espaço serve para organizar ideias, guardar recursos e, mais recentemente, tem sido pensado como um exercício de escrita e como um álbum de fotografias. Um dia irei tentar imprimir parte do que aqui partilho, para leitura dos meus filhos e netos. Se, com a idade, a memória me falhar, e aos meus irmãos também, talvez estas palavras me  nos ajudem a recordar! O plano é simples: envelhecermos juntos.