domingo

Ainda assim...

uma mão-cheia de gratidão
quarto dos brinquedos da avó Sofia, partilhado com os netos

 O ano em que me dispus a sentir o espírito natalício e a procurar entusiasmo nesta época acabou por ser um ano de dor silenciosa. O espírito natalício não chegou sozinho e tive de o procurar, no novelo de preces sussurradas num zumbido contínuo que colocava os meus pensamentos em estado de dormência. Foi um Natal em que os adultos vestiram máscaras para que as crianças não vissem a dor que nos habitava. De coração partido, atenta, admirava pasmada a força interior da minha Inês! De entre todos, era a que mais sofria, mas também aquela que revelava a força bruta de uma mãe que faz tudo pela alegria dos filhos, com a dor da perda sempre presente, mais sentida, mas disfarçada.
A dor instalou-se entre nós, sentou-se à mesa, acompanhou-nos nos silêncios, tornou-se um lugar comum e  aproximou-nos. Mostrou-nos que os laços familiares não são apenas afetos: são cordas lançadas que se transformam numa corrente firme a que nos agarramos quando o chão parece faltar, um apoio silencioso que impede a queda quando tudo parece instável. Nestes dias frágeis a dor veio apenas reforçar uma certeza antiga: na nossa família nunca estamos sozinhos.
Todos os dias “reinventávamos a felicidade”, como dizia a minha avó Teresa, como quem sabe que a vida raramente é simples. Não era uma felicidade sentida, inteira, mas uma construção delicada, feita de gestos contidos e sorrisos ensaiados, para que nada se revelasse. Uma felicidade emprestada ao sorriso das crianças, para que, na sua inocência, pudessem viver a magia do Natal limpo da nossa tristeza.
E, mesmo no meio da dor, houve espaço para apreciar a vida. Consegui recolher e guardar pequenos instantes de alegria dos meus netos — risos, olhares curiosos, gestos simples,  momentos breves que me relembraram que a felicidade, por vezes, cabe em muito pouco.
Por isso escrevo, quase em voz baixa, com o coração mais calmo:
há sempre algo pelo qual devemos estar gratos.
Nestes dias difíceis houve amor, houve cuidado, houve presença.

Depois do Dia de Reis, ao arrumar as decorações de Natal, enchi um frasco com as frases de gratidão do Calendário do Advento. O frasco ficará à vista para me lembrar, ao longo do ano, que mesmo nos tempos mais difíceis, mesmo quando tudo pesa, ainda assim há sempre algo que merece ser celebrado com gratidão. 
aniversário da Inês 

A força dos pais, a alegria dos filhos!

Natal em casa da Avó Fátita e do avô Evandro

na noite de passagem de ano, antes de nos juntarmos à família no Banzão

Aniversários dos avós
Dia 1, 61 anos!


Dia 23/12 aniversário do avô Zé.





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