sexta-feira

A avó blogger vai a Londres

Quinta-feira terminei as aulas, fui a casa despedir-me do meu filho, agradecer-lhe ficar a tomar conta dos cães e voei, com o meu marido, para Londres. Como chegámos muito tarde ficámos num hotel em Lutton e só seguimos para Londres na manhã de sexta-feira. Almoçámos com a expatriada o que deu para matar, um bocadinho, a saudade, o resto teria de ficar para mais tarde.
Como estávamos em Oxford Street decidimos ir ver roupa para o neto. A diferença dos preços ingleses, para os nossos preços é estupidamente absurda! Num país cujos vencimentos são superiores aos nossos, a roupa de bebé tem um preço muito mais justo. No meu bairro, tentei comprar camisinhas com gola para vestir por baixo das malhas que estou a fazer e só encontrei de 19 euros para cima. No Marks & Spencer uma camisa com calção de peitilho ficava por 12 libras! É apenas um exemplo para justificar a razão pela qual perdi a cabeça, ao ponto de ter de despachar, no regresso, uma mala para o porão e ter virado uma avó "mochileira", como  no tempo dos interrails. Só agora, a escrever, é que me apercebi que poderia ter comprado aqui de casa, como quase tudo, hoje em dia. Ainda assim, não me arrependo do tempo que andámos a escolher a roupa para o neto, não só porque na loja havia mais variedade e podia sentir o toque das peças, mas sobretudo porque foram momentos emotivos inesquecíveis. Pegar numa pequena peça de roupa fez nos sentir que o nosso neto está quase aí para dar um novo sentido às nossas vidas.
Mas não fomos a Londres com o propósito de andar nas compras, mas sim para estarmos com a minha filha mais nova, a noiva! Como vai sendo habitual quando a visitamos aproveitamos para explorar pequenas vilas/aldeias inglesas e a forma como se vive fora da grande cidade. Há muito que andava com curiosidade de conhecer a Cantuária  e como a família concordou fomos os quatro até Canterbury , com a ideia de ficarmos por lá todo o fim-de-semana, o que não veio a acontecer.
Inglaterra penso que sofre do mesmo mal que outros países, o abandono de pequenos locais como este. Muitas lojas fechadas, mais pedintes na rua do que em outros locais que visitámos, com um aspecto de que algo não está bem. Canterbury é bonito sem sombra de dúvida, construções lindíssimas carregadas de história, a catedral está a ser restaurada, mas não tinha muito para oferecer a quem visita, pelo menos no Inverno.
A minha camisola aqui no Ravelry
A camisola que fiz para a Madalena aqui, no Ravelry
Às cinco passámos pela experiência do verdadeiro chá inglês, muito mais em conta do que em Londres, e depois estávamos prontos para regressar a casa. O que Inglaterra tem de bom são os transportes, principalmente o comboio, o meu transporte favorito, que nos permite mudar de ideias, ir a quase todo o lado, praticamente a qualquer hora do dia.

Terminámos o dia em King's Cross, verdadeiramente de cara lavada, com uma nova dinâmica, onde no futuro serão as novas instalações da Google.
Um Brunch foi a melhor forma de começar o domingo, seguindo-se uma caminhada pelo bairro da minha filha, com paragem obrigatória na Loop e na Bird Blend.



Sempre a pensarmos nos filhos fomos explorar  Brick Lane e as lojas de música, numa tentativa frustrada de trazermos algo especial para o mais novo.

 Apesar de virmos de mãos a abanar, valeu o passeio e a vivência de todo aquele ambiente, com boa música a ecoar pelas ruas grafitadas. Para agradar a todos em vez de terminarmos a tarde numa casa de chá, fomos a um pub, uma BrewDog. 
Segunda-feira a minha filha tirou a tarde e foi nos dar a conhecer a loja física da Fresh, com os produtos favoritos para os cuidados da pele destes avós.
O xaile que estou a usar descrição aqui no Ravelry
Seguiu-se o circuito das fabulosas livrarias inglesas, com passagem pela Fortum Mason.

Na terça feira, após as compras/investimentos na Loop, em materiais necessários para os meus trabalhos  manuais decidimos fazer uma caminhada ao longo do Regent's Canal, até ao parque Victoria.

Para experimentar aplicar o feltro na manta Here, There and Everywhere

Linhas para acolchoar manta de patchwork, ver como e se resulta!

Há barcos muito giros e originais ao longo de todo o canal, fotografei apenas este pela forma como escreveram o nome do barco. À hora do almoço, de um dia de semana, há imensa gente a correr nas margens do canal e a andar de bicicleta.  


O melhor destas idas a Londres é estarmos com os nossos filhos, sim, sou como a minha avó Teresa, os genros são filhos que ganho. Desta vez a nossa estadia teve um gostinho especial porque serviu para conversarmos sobre o casamento. A última noite foi particularmente especial, uma ida ao teatro, ver um musical, o Mamma Mia, Recomendo vivamente e, surpreendentemente, o avô também!
A vida cultural e social de Londres é fascinante! Foi a forma ideal de aproveitar as férias do Carnaval.

segunda-feira

A avó blogger faz exercício e a Bisavó pensa nos bordados







Segunda-feira é o meu dia sem componente lectiva e aproveito para fazer uma lista de assuntos para tratar, planificar a semana e organizar a casa. Melhor dizendo, deveria ser o dia para fazer tudo isto mas penso sempre, deixa-me mas é prolongar o fim-de-semana só mais um bocadinho! 
Cheia de vontade de zelar pela saúde para ter pedalada para os netos, estava mesmo decidida a ir ao ginásio, mas ainda não foi desta. Para compensar resolvi ir a pé até Campo de Ourique, fazendo uma boa caminhada. Peguei no telemóvel consultei o meu destino e o tempo de caminhada. Já fui até à escola a contar passos, assim fiz exercício físico e mental. Como sou distraída tenho de abandonar esta prática. A questão é que não sei se quero ter uma pulseira que me dá ordens para andar, que controla o meu exercício, calorias e sei lá o que mais! Tenho de ponderar se é mais uma tecnologia dos "novos loucos anos 20" a que devo aderir, ou se continue a contar apenas o tempo de duração das minhas caminhadas. Pensei na pulseira como forma de evitar o ginásio, mas não dá! Caminhar é um complemento ao ginásio. Azar Sofia, tens mesmo de ir ao ginásio.
Voltando à minha caminhada, ponto de partida, zona do Areeiro, consultei o telemóvel e vi que a caminhada teria a duração de 51min, 3,9 Km.  Fui bem até ao Corte Inglês, onde apanhei o autocarro que estava a passar. À medida que o autocarro fazia o seu percurso sentia-me perdida com a volta que estava a dar e simultaneamente divertida pensando nos nomes que os portugueses dão às paragens de autocarro "Cruz das Almas", "Terramotos", "Prazeres" (para um cemitério)!
Cheguei ao destino certa que se tivesse continuado a minha caminhada teria chegado mais ou menos na mesma altura, como tal, regressei a pé*!
Antes de ir para casa fui até à Auri escolher botões para o neto. Como não levei os trabalhos de malha não deu para escolher os botões, mas a minha mãe conseguiu arranjar tecido de algodão para bordar os lençóis do bisneto. Os lençóis das fotografias (a qualidade das fotografias está muito má, ainda assim não quis deixar de partilhar os bordados da minha mãe) são  de 3 dos 11 netos, que serviram para a minha filha escolher os desenhos e cores. Para fazer conjunto com os lençóis, bordei uma, duas, três, quatro capas de edredom para os berços.
*Foi uma excelente caminhada e sinto-me cheia de energia para mais uma semana de aulas.

domingo

Matemática e malha, a simbiose perfeita!

Espero que a nota dos direitos de autor seja referente às instruções do modelo, pelo menos, foi assim que eu o entendi!

Enquanto lia um dos livros da EZ, deparei-me com um texto onde ela diz que, tal como eu, nunca se interessou por peças de bebé até ao dia em que soube que ia ser avó. Quando estava a acampar com a família desenhou um modelo extremamente engenhoso com o ponto garter stitch (tecer meia em todas as carreiras) que a EZ considerou perfeito matematicamente falando, uma vez que o número de carreiras e de pontos por carreira, resulta sempre num quadrado perfeito, ou seja, se 10 malhas corresponderem a 2.5 cm, 10 carreiras também corresponderão a 2.5 cm.
Com a curiosidade aguçada iniciei um novo projecto. Tendo por companhia a filha de EZ, Meg e, simultaneamente, lendo as suas instruções passei uma belíssima tarde a fazer o primeiro casaco para o meu neto. Tal como já tinha dito (aqui) a EZ tem uma forma muito particular de escrever as instruções dos modelos, a título de exemplo, "See what you are doing? (...) Hope you are still with me. (...) Funny-looking objet, isn't it? (...) and hey presto eureka!When you know it's a boy or a girl, sew buttons over buttonnholes on appropriate side. The baby will probably be UNMOVED by this offering, but the mother may well be charmed, and your friends will be AMAZED"
Já com o casaco fora das agulhas, não o terminei e levei-o para a festa dos meus sobrinhos para ver quem é que descobria o que era aquela peça que a avó Sofia tinha tricotado e se a conseguiam montar, um desafio que se tornou bastante divertido! Ninguém conseguiu montar correctamente o casaco e alguns nem sequer adivinharam que daqui sairia um casaco!
Este modelo, com o apoio da Meg é o ideal para uma avó principiante em malha, até pode ser um primeiro projecto de muitos outros, só é necessário tricotar meia, o que dá para aprender no decorrer das aulas. Um dos truques que aprendi, para um melhor acabamento quanto estamos a rematar as malhas é tecer as duas malhas finais juntas, algo que gostaria de ter feito nas alças do fofo, talvez ainda refaça!
Posso afirmar que foi um projecto extremamente económico dado que o fio é "lã para peúgas" do ALDI, ao preço de 6.99 euros um pacote de 4 novelos; um fio cuja composição é 75% lã e 25% poliamida, não o podendo classificar como ecológico, mas bastante compatível com a vida dos meus filhos. O projecto foi feito com um novelo e, talvez, aproximadamente 5gr de um segundo novelo. Não gostei de trabalhar este fio, não o considero agradável ao toque, mas nada que não se resolva com uma boa camisinha de algodão por baixo do casaco. As cores são as favoritas da minha filha, daí eu ter tido a ideia de utilizar este novelo guardado há tempo demais.
Apenas dobrado, sem acabamentos!
Ainda não sei se vou aplicar o i-cord (a EZ utilizava para fazer os dedos das luvas. Ideia genial|). Comecei com fio branco mas não gostei.
Quem diria que uma avó dos novos anos 20 iria tricotar um modelo de 1968! 

segunda-feira

Avó blogger

Fiz 55* anos no dia 1 de Janeiro de 2020.  Mãe de 3 jovens adultos, bióloga, filha e irmã de uma família presente e numerosa, tenho por lema de vida olhar cada dia como mais uma oportunidade de "Reinventar a felicidade", frase que ouvi um dia na minha avó Teresa.
A minha vida profissional é uma troca constante de aprendizagens com um bando de adolescentes, que me fazem pensar, rir, zangar-me, desesperar, sentir-me viva. Com eles visito museus, exposições e lugares numa visão interdisciplinar, leio e revisito livros e filmes/documentários e muito mais. Independentemente do que me fazem sentir, dão um outro sentido à minha vida, com a certeza que, de alguma forma, nem que seja ao de leve, toquei nas suas vidas.
Escondida atrás deste teclado venço a minha timidez e a Sofia, que acabei de descrever, sente-se segura para partilhar a jornada da Avó Sofia, uma avó forçada a adaptar-se à vida na cidade, com o pensamento numa fuga para o campo.
Serei avó nos novos "loucos" anos 20. Que avó serei? O que os meus filhos esperam de mim? Com o que é que os meus netos podem contar? E eu, que tipo de avó quero ser, que tipo de avó é que posso ser?
A "loucura" destes anos 20 gira à volta das novas tecnologias, redes sociais e gestão do tempo, muito diferente de alguns anos para cá. As avós de agora olham para a alimentação de uma forma diferente, consultam receitas nos blogs (barra lateral - culinária e hábitos saudáveis) e no YouTube, o exercício físico é uma constante  (no meu caso, fiquei saturada do ginásio, por falta da companhia das minhas irmãs), contam os passos, com apps ou pulseiras (vou contando de cabeça ou na pulseira do avô), roupa e calçado são práticos.
A avó Sofia não passa sem uns ténis, dispensa saltos altos e adora passeios de Land Rover (desculpa meu querido planeta). Como avó, e não só, quando vou às compras tento ter presente  as novas preocupações em termos de impacto na saúde e no ambiente, tentando gerir o consumo num suposto equilíbrio entre o sustentável e ecológico, compatível com a vida prática e atarefada dos meus filhos. Enfim, será um grande desafio que abraço cheia de entusiasmo e, como tal, quis registar algumas das minhas escolhas/experiências.

Ancorada a tradições faço malha para o meu neto. Comparando com a minha mãe, a diferença começou na escolha dos fios e dos modelos, que veio a revelar-se mais difícil do que eu esperava! A minha filha vive numa corrida e sei que, tudo o que eu faça irá ser lavado na máquina da roupa, mas não queria usar fios sintéticos e, quando escolher um fio, quero ter presente a minha pegada verde no planeta.
O primeiro modelo que tricotei é da Filipa Carneiro, fiz questão de escolher uma designer portuguesa na primeira peça que fiz para o meu neto. O fio é da Rosários4 e a avó Sofia encontrou o modelo gratuito no site da marca (a minha mãe criava os seus próprios modelos!), sendo o fio Belmonte (passou no teste de lavagem na máquina, programa de lãs a 0ºC) e, na compra do desenho, contribui para Associação Portuguesa de apoio ao bebé prematuro. Escolhi o símbolo do Super Homem, para um Super Neto cujo o apelido começa por um S.
Fofo antes da correcção do desenho
O primeiro S ficou muito pequeno, erro meu na leitura das instruções. Penso que seria mais claro se, onde diz Rnds 4 to 6, e 8 to 12 knit, estivesse escrito Knit every even rnds. Para as mais distraídas, a meu ver, onde diz Divide for straps: slip 6, penso que devia constar para antes de passarmos as malhas que as mesmas devem ser primeiro tricotadas, pelo menos, foi o que fiz e resultou. Saliento que perante as minhas dúvidas enviei mensagem à Filipa Carneiro que prontamente me respondeu, de uma forma muito clara. Se tivesse visto primeiro o vídeo Fofo baleia, não me teria enganado no desenho e não teria incomodado a Filipa!
O próximo modelo terá de ser com um fio para Primavera/Verão, Ecofriendly . Sinto-me mesmo uma avó dos novos anos 20! Contem com uma avó sem filtros e/ou patrocinadores. Uma avó com escrita ao correr da pena, ou melhor, das agulhas e, muito provavelmente sem acordo ortográfico.

* ligo imenso a números, sou daquelas avós que coloca o despertador não para as 7:15 ou 7:30, mas para as 7:17! 

domingo

Shetland sweater - o corpo


Consultei o projecto antes de iniciar o corpo da camisola Shetland Sweater e remetia para a errata, mas a errata estava errada, a versão original é que estava certa! Achei estranho porque durante a montagem das malhas vi logo que não tinha um número múltiplo de 4. Tive de montar menos 2 malhas do que constava na errata. Como tal, tive de fazer 2 aumentos na primeira carreira após o cós, mais 2 aumentos quando iniciei o lançamento do desenho, resultando no número inicial de malhas que indicam para a montagem. O padrão mais pequeno não bate certo mas, a meu ver, não se deve alterar o número de malhas em cada secção, evitando assim zonas em que a camisola ficaria ligeiramente mais estreita ou mais larga, só para acertar o desenho! Terminada a camisola logo vejo se, na zona lateral, de mudança de carreira, é necessário duplicar o ponto, ou seja, bordar por cima numa tentativa de disfarçar uma imperfeição que implica perfeição no molde da camisola.