quarta-feira

Receitas para ser feliz

É fácil ser feliz (coloquemos de lado as partidas inesperadas que a vida nos prega e que não ajudam nada)!
Estes dias tenho seguido algumas das minhas receitas habituais, umas mais económicas do que outras. (os livros dão cabo das minhas economias!)
Vejam como é simples:
São necessárias as palavras certas misturadas com mestria, página a página, num livro que me deliciou logo na primeira página.
"Inglaterra rural, uma quinta perdida no meio de nenhures (...) início da década de 1960. A casa (...) de estrutura de madeira (...)da chaminé sai fumo e, só de olhar, percebe-se que há qualquer coisa saborosa a cozinhar no fogão por baixo dela. (...) vegetais da pequena horta, plantada com desvelo nas traseiras da casa. (...)
Uma vedação rústica circunda a casa e um portão de madeira separa o jardim do prado que fica do outro lado e para lá do qual se estende o bosque. (...) um regato corre delicadamente sobre as pedras, esgueirando-se por entre a luz e a sombra(...)
A casa encontra-se isolada, aninhada ao fundo de um caminho (...) invisível da estrada rural(...)

Sendo da Kate Morton, "Amores Secretos" (títulos sempre lamechas e pirosos, mas enfim!) terá certamente uma pitada de cada um dos ingredientes que fazem dos seus livros uma saborosa leitura, não lhe faltando o fermento indispensável a um crescente enredo para um final imprevisto.

A acompanhar sigo a receita da Joji Locatelli para um projeto de malha.
Os ingredientes são selecionados e devidamente misturados. Uma pitada de cada cor de linha macia, cada qual na sua dose certa, para trabalhar com as minhas Chiagoo, que tanto aprecio!
Ao projeto de malha acresce o entusiasmo de não o estar a fazer sozinha mas acompanhada por todas as que aceitaram o desafio das Joanas e aderiram ao KAL, da Ovelha Negra!
Para finalizar sirvo, com as receitas anteriores, um chá e bolachas com doce de limão.
Os limões são alentejanos, da terra que piso e toco, o que para mim faz toda a diferença ter acompanhado, ainda que à distância, o seu crescimento.
Com a combinação destas receitas, fico mais do que satisfeita!
Venham comigo procurar mais "receitas", para ser feliz, no Yarn Along!

terça-feira

Partida, largada, fugida

Tal como as crianças estava ansiosa por mais um "jogo com agulhas", da Ovelha Negra  e 11 de abril, foi a data da "Partida" para mais um KAL, desta vez duplo!
Pensei em fazer nas cores originais, mas acabei por escolher as cores que veste o nosso Alentejo, por nestes dias.
Branco 4 Olívia e amarelo 9 Olívia.
A terceira cor escolho quando lá chegar, entre um verde 73 Olívia e um acastanhado 50 Olívia. (encontram todas guardadas no meu Ravelry. Ando muito organizada!)
Ao meu projeto chamei-lhe de "Olívia Alentejana" , o modelo é da designer  Joji Locatelli e tem o nome de Jujuy. 
A "Largada" espero dar hoje ao final da tarde! 
Quanto à "Fugida" espero fugir um sábado até ao Porto, talvez a 29 de abril, e ir visitar as Joanas da Ovelha Negra e à tarde juntar-me ao grupo das "Tricotadeiras do Porto"!

domingo

Waiting for rain - KAL

Apesar da chuva prevista para o fim de semana, ainda assim fui explorar as cores, os sons e os cheiros desta terra alentejana.
Deliciei-me com a Branquinha, nome que o pastor lhe deu, que desde a última visita ainda não largou biberão, o que faz dela a "Fofinha" que é como a chamo.
Ainda houve tempo para ajudar, no que foi possível, a boa gente desta terra, o que para mim foi mais uma diversão e oportunidade para muita conversa e aprendizagem.
Ao final do dia, o arco-íris numa conspiração conjunta com as nuvens e um céu acinzentado ameaçavam uma valente carga de água, mas fui poupada e deu para fazer malha no jardim, tendo como pano de fundo a Serra D'Ossa. 
As flores do fundo da montagem das fotografias são para os lados do "Pomar" (Praia das Maçãs), um dos meus locais de sonho e de inspiração para os meus trabalhos de mãos.
Na manhã de domingo, a chuva tão esperada chegou! Mergulhada no cheiro da terra molhada com um sentido de tranquilidade, no alpendre dei as que pensava que seriam as últimas laçadas no xaile "Abril águas mil", mas não foi bem assim! A natureza chamava por mim, desconcentrava-me e o trabalho ritmado das agulhas, um combustível para a alma, era constantemente interrompido pela harmoniosa sinfonia da chuva, chocalhos dos animais e o canto de alguns pássaros. 
 Queria começar a semana com o KAL da Ovelha Negra, mas com este modelo terminado. Se tudo correr bem começarei o novo projeto e KAL, na 3°f!
Não sou de ficar sob stress com os KALs e a prova disso é, infelizmente, não ter acabado dentro da data prevista os modelos de "Malha a cores/ ColourWork" para o #soxceteracwKAL . Como já tenho dito, este tipo de desafios é interessante pelo que aprendemos umas com as outras e pela motivação, mas as datas é que complicam com o meu sistema nervoso e por isso acabo por as ignorar, falhando como no desafio proposto pela Shannon. Não há crise nem arrependimentos, a minha irmã é que ficou a perder porque ainda não foi desta que lhe acabei o prometido!
Antes de regressarmos a Lisboa, fomos apanhar o nosso filho e mais um amigo a um festival, em Fronteira.
 Fico com inveja das autocaravanas e da vida que algumas destas pessoas optaram por viver, os chamados, por alguns, de novos hippies. Muitas vezes sou apontada como a Mãe Hippie, pelos amigos dos meus filhos, pelas minhas próprias filhas e até pela minha Mãe, apenas por defender formas de vida mais sustentáveis, ecológicas e por muitas outras razões que vou passar à frente. Segundo a perceção que têm do que é ser hippie só me resta dizer, chamem-me hippie que eu gosto! Mais do que isso, espero um dia dar-vos 100% razão, pela minha forma de vida!

quarta-feira

Abril águas mil


Quando resolvi participar no KAL da Kristin, com o modelo Waiting for Rain, escolhi o nome "Abril águas mil" para o meu projeto, visto que o comecei num dia chuvoso e o tenho feito, quase sempre protegida da chuva na tranquilidade do meu lar! Apesar de ser primavera, hoje é o primeiro dia sem chuva que dedico a este xaile, além do dia que tentei fazer malha no jardim dos meus pais.
Levei um certo tempo a atinar com o modelo tudo porque quis fazer em liga (purl). Após troca de algumas mensagens decidi seguir a sugestão da Raquel, fazendo em liga as carreiras de Jarreteira (garter stitch) e de acordo com as instruções do modelo, a secção rendada (Lace). Não é que resultou mesmo! Ainda não o terminei, pois tive um dos meus cães muito doente, a precisar de cuidados e  retomei as aulas. Espero terminar ainda esta semana para começar mais um xaile, com o KAL da Ovelha Negra.
Quanto a leituras as minhas escolhas recaem, ultimamente, em obras que tenham como pano de fundo a Irlanda.
"Do lado de Canaã" está escrito na primeira pessoa, uma Irlandesa de 85 anos que recorda a sua vida num diário que escreve após a perda do neto. A descrição dos cheiros, cores e paisagens da Irlanda é fascinante. A descrição dos campos de urze branca, foi algo que me fez ter ainda mais vontade de visitar a Irlanda! Gosto da escrita, mas por vezes penso que deve haver erros na tradução quando encontro uma frase, por vezes parágrafos, que não parecem escritos pelo mesmo autor. Passei pelo menos por uma página inteira com uma infinidade de vírgulas, sem um único ponto, mas depressa pensei que, sendo um relato de um dia muito especial passado numa feira, talvez tenha sido a forma do autor nos tirar igualmente o fôlego! Gosto de ler pausadamente e sou fã de pontos finais, vírgulas e afins!
Já estou a fazer planos para a nossa viagem à Irlanda, que se misturam com muitos outros planos. Ao ver o último podcast da Fabi e depois de fazer umas quantas pesquisas, estou muito inclinada em adquirir um Bullet Journal. Mantenho o meu Diário mas sinto que falta algo mais simples, mas não tão simples como a minha agenda! As ideias vão surgindo e acabam por se perder numa mistura de cadernos e blocos em que as vou anotando. Por acaso lembrei-me de que, para a Irlanda, gostava de tentar fazer o xaile da Maria, mas nem sei onde anotei a razão pela qual queria fazer este modelo. E porquê este modelo?! Ando a querer fazer um modelo da Maria desde que vi todos os seus podcasts, sendo fácil concluir que a escrita dos seus modelos deve ser mesmo boa! Fiquei com dúvidas qual é que devia experimentar, mas depois de ler acerca dos modelos tinha de escolher este: 
"It kept me warm this summer on the west coast of Ireland!"
Entretanto encontrei um blogue Irlandês e tenho sempre esperança de encontrar mais uns quantos livros e blogues Irlandeses, nas partilhas semanais do Yarn Along, no blogue Small Things


segunda-feira

"Como uma criança no ToysRus!"

Foi assim que as minhas sobrinhas me descreveram na nossa saída de Campo ao Pinhal. O objetivo era a observação e recolha de líquenes, mas eu entusiasmei-me e passei para o musgo e do musgo para os fetos e dos fetos para os cogumelos! Há uns anos falava-lhes, tal como fiz com os meus filhos, no Mundo Mágico de pequenos duendes e fadas que habitam no Bosque e que fazem dos cogumelos os seus lares. Desta vez falei na magia da reciclagem, das sucessões ecológicas, do ciclo da matéria e da vida. Nunca mais me calava!
Quando finalmente me calei escutámos os sons do pinhal, o vento nas folhas, os pássaros, a caruma a estalar a cada passo que dávamos. O nosso silêncio neste monólogo com a natureza, em que ela nos segredava os seus mistérios, foi interrompido por uma das minhas sobrinhas "-A tia parece uma criança no ToysRus!" A verdade é que elas entraram na minha "onda" e paravam para aprisionarem os raios do sol espreitando pelas copas das árvores, as borboletas nas suas danças primaveris, os pequenos insetos...
Se já estava feliz, fiquei super feliz com o passeio da tarde com o meu Pai e as minhas sobrinhas. A primeira paragem foi na escola do bairro, para cumprimentar os novos habitantes.
Continuámos a nossa saída de campo junto à Ribeira.
No regresso parámos junto do portão da Quinta vizinha para recolha de mais material!
 Perante o que vislumbrei não resisti e meti conversa com um dos trabalhadores que transpunha o portão. Com orgulho, entre sorrisos e brincadeira foi-nos contando a sua vida e o privilégio que tinha sido crescer ali, no meio dos animais. Apresentou-nos  o simpático burro Jerónimo, a galinha Maria e suas familiares e os patos dos quais já não recordo os nomes. Despedimo-nos com a promessa de voltarmos.
Para culminar o dia em grande fiz malha com o meu novo grupo, as minhas sobrinhas. 
Depressa perdi o interesse pelas agulhas, não havia agulhas que me seduzissem rodeada de tantos sobrinhos curiosos e fascinados com as histórias da tia Sofia. Discutem entre eles se são verdadeiras ou não, quem é que acredita em quê e os mais séticos exigem-me provas!
( falta o fotógrafo e um dos mais novos!)
A Vida é uma constante aprendizagem e com os mais novos tornam-se únicas, tal como este novo novo conceito de felicidade, "ser criança no ToysRus!".
Tenho pena de ter estado tão pouco tempo na casa dos meus pais, mas enquanto tiver nem que seja apenas um dos meus filhos em casa, sinto que é aí o lugar a que pertenço.