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quarta-feira

Como se cada ponto pudesse guardar um pedaço de tempo

Sou fã da Beatrix Potter desde que fui mãe. Gostaria de ter participado no Workshop realizado recentemente em Hill Top com a Nicki F., mas não me foi possível, já que ainda não estou reformada. Assim encontrei uma forma de me ligar a este universo: através das linhas, do linho e das agulhas.

Tenho ainda um kit da Nicki, inspirado nos contos da Beatrix Potter por bordar, embora confesse que ainda não ganhei coragem para pintar o linho. 

À falta de coragem para pintar o linho, pensei em bordar um esquilo da Stacy Nash — afinal, era a alcunha da minha filha Madalena, nascida em Maio. 

Entretanto, e quase por coincidência, ouvi a Nicole conversar com a Sarah sobre uma das suas visitas a Hill Top, onde viu o Quaker Sampler* que se encontrava no quarto de Beatrix Potter. 

Numa teia de linhas que unem designers, decoradoras, historiadoras e curiosas, cheguei ao vídeo da Kathleen Littleton enquanto estudava um quaker sampler (o da fotografia) que me levou a um outro vídeo da Jackie, Comfort Stitch. A Jackie fez, igualmente, referência ao sampler associado a Beatrix Potter, mas que não foi bordado por ela  o que me fez deixar em suspenso a ideia de o bordar.

Tudo isto para dizer que o plano para este mês será, finalmente, tentar bordar o esquilo, Miss Hazel, a que quero juntar o pequeno Ouriço (o da fotografia) a quem resolvi chamar Ned Nedlees, à conta da leitura durante a viagem que fiz, e uma raposa para assinalar a visita inesperada de uma ao jardim da minha filha, enquanto jantávamos.

Nos trabalhos em curso, quero tentar avançar com a casa do GH1857 e iniciar o terceiro bordado do projeto Loose Feathers, já que inclui um gato — igualmente apropriado para um mês que pretendo dedicar aos animais que ganharam vida e personalidade nas histórias da Beatrix Potter.

Claro que os planos não ficam por aqui!

Se a ambição derrubar a disciplina, gostava de começar um sampler da Nicole, da Hands Across the Sea. O mais sensato seria iniciar um projeto pequeno, e tenho dois Samplers na minha lista o da Sarah Spencer 1870 e o da Sarah  Fletcher 1841. Mas o atrevimento fala mais alto e sou sempre atraída por grandes desafios: sinto vontade de bordar o sampler Queen of the May, do ano passado — precisamente o ano em que retomei a paixão e dedicação pelo ponto de cruz. Atrai-me por ser a Rainha de Maio, pelo simbolismo ligado ao mês de nascimento da minha expatriada, e também pelos cisnes e flores. Por outro lado, há o sampler de Mary Wales Newson 1838, o SAL deste ano. Gosto particularmente do facto de não ter letras, de ser trabalhado em tons de verde — cores que combinarão com o novo quarto — e da sua ligação a Belgravia, em Londres. 

Olhando para os planos para Maio dá para perceber que penso no que quero bordar  como se cada ponto pudesse guardar um pedaço de tempo e lugar.

Com uma lista interminável de projetos aos quais gostaria de me dedicar, resta-me aprender a conciliar o entusiasmo com o tempo real que tenho para as minhas agulhas.

Felizmente, o meu tempo não é só preenchido ao ritmo das agulhas. Nos últimos dias, entre risos de netos, conversas demoradas, retoques na casa que se faz lar e celebração de mais uma volta ao Sol da minha filha Madalena, o tempo deixou de ser contagem para se tornar presença. 

Tolkien, escreveu sabiamente que tudo o que realmente podemos decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. Talvez seja essa a verdadeira sabedoria da vida: aceitar que não controlamos a duração dos dias, mas podemos escolher a forma como os enchemos. E eu escolho preenchê-los com afetos, com memórias que não cabem em relógios, porque o tempo, afinal, não se mede pelas horas que correm, mas pelos momentos que permanecem. Aqui guardo esses momentos em fotografias e tento guardá-los em cada ponto que faço, como se o próprio tempo pudesse ser tecido com as mãos e transformado em memória viva.

Consegui terminar a camisola para estrear a 9 de maio. A minha filha vestiu a camisola Teru que lhe ofereci há algum tempo
.




Ida ao teatro ver a peça Tortoise and the Hare 


Levar e ir buscar os netos à escola

 Passeámos por Chelsea onde nos foi possível ver as floristas, e não só, a preparem as montras para o Chelsea Flower Show 2026

Explorámos o Chelsea Physic Garden. Na minha lista de bordados que quero fazer está um com Snowdrop. Não fazia ideia que pode ser utilizada para combater Alzheimer






Antes de irmos buscar os netos à escola fomos lanchar ao Museu V&A


Notas complementares da IA:

  • Hill Top Farm: Beatrix Potter comprou esta quinta em 1905, no Near Sawrey, usando os lucros dos seus primeiros livros. Tornou-se o seu refúgio e o cenário de muitas das suas histórias.
  • Influência Quaker: Embora Potter tenha nascido numa família unitarista, muitos dos seus ideais de preservação da natureza e vida simples ressoavam com os princípios Quakers. O seu marido, William Heelis, que conheceu em 1909, trabalhava como notário em transações de terras, ajudando-a a adquirir e proteger vastas áreas do Lake District.
  • As instituições de ensino ligadas à Sociedade dos Amigos (Quakers) que estavam ativas na região durante a vida de Potter eram: Stramongate School (Kendal): Localizada em Kendal (a cerca de 20 km de Hill Top), esta foi uma das escolas Quakers mais famosas da época. O cientista John Dalton foi lá professor. Era um centro de excelência educativa que Beatrix Potter certamente conhecia, dado o seu envolvimento ativo na sociedade local e a proximidade geográfica. Brookfield School (Wigton): Também conhecida como Wigton School, ficava mais a norte em Cumbria. Fundada em 1815, funcionou durante todo o período em que Potter residiu no Lake District como uma escola de internato baseada nos valores de "verdade, justiça e tolerância". Beatrix Potter era uma figura respeitada por estas comunidades devido ao seu trabalho como conservacionista, protegendo milhares de hectares de terra que hoje pertencem ao National Trust.
  • sábado

    Calendário do Advento - parte III

    Dia 12 - parapeitos nas janelas da casa principal e as primeiras fachadas, no esquema equivalentes às casas 9, 10. Ao serão bordei contornos nas janelas da casa principal, com um fio da Loop, que andava para experimentar há imenso tempo.

    Dia 13 - aplicação das fachadas das casas 11, 12 e 13, também sem janelas. As portas serão todas colocadas no fim.

    Dia 14 - aplicação das fachadas das casas 14, 15 e 16.

    O método que utilizei foi com frezzer paper, seguidamente removi o papel, vinquei as costuras e colei, aplicando as casas sobre um traço feito sobre a caixa de luz. 





    As agulhas Apliquick são muito boas, mas é difícil, para mim, fazer o turn applique com estas agulhas
    Aguardo a chegada de agulhas Clover Black Gold Quilting Needles-Size 12, para experimentar dobrar o tecido com agulhas mais resistentes.

    Dia 15 - dedicado às lides domésticas e à família.

    Dia 16 - em luta pela defesa da qualidade da educação, nas escolas públicas. Ao serão, para conseguir desligar desta luta, ainda consegui aplicar mais uma casa, a número 7. Muito terapêutico!

    Os próximos dias serão de festa, chega a minha filha expatriada e a minha filha mais velha faz 32 anos, no dia 18. 

    domingo

    3 formas de fazer ponto de cruz!*

    Recentemente tomei consciência da minha ignorância em relação ao ponto de cruz, apesar de ter horas a fio de ponto de cruz, feito a preceito (ao estilo dinamarquês) e convencida que era a única forma de bordar! Afinal havia um mundo inteiro por descobrir.

    Através da Rebecca descobri, a Periwinlke Stitcher, com quem aprendi num vídeo, outras formas de fazer o ponto de cruz. Também acrescentei mais algum conhecimento ao que sabia sobre linhos. Passei anos a bordar kits de Samplers Antigos, sempre guiada por instruções precisas, e por isso nunca tive necessidade de estudar linhos, contagens ou agulhas. 

    Com as partilhas da Sian,Periwinkle, voltou a minha vontade de retomar o ponto de cruz mas com outro olhar, mais curioso, mais técnico, mais consciente. No Ano Novo iniciarei o GH 1857, participando, deste modo num Stitch Along, com a Sian (iniciou em Novembro, mas só terei as linhas quando a minha  filha expatriada vier no Natal).


    Já tenho o linho escolhido para este sampler, onde o azul (do olhar do meu pai) é a cor predominante e o ponto de cruz trazem-me à memória as muitas horas ao lado do meu paizoco —  sempre presente nas pequenas coisas do meu dia a dia. Ele ao computador, paciente, a ajudar-me a melhorar a definição de esquemas; eu impaciente, desejosa de começar a bordar.

    A ânsia de retomar o ponto de cruz e dos novos desafios levaram-me a tentar terminar um bordado que ficou esquecido, vítima de erros para os quais, na altura, não tive paciência. A idade, ensinou-me a ter calma e premiou-me com a certeza de que vale a pena persistir naquilo onde já investimos tempo e dinheiro. Corrigi quase tudo, menos uma linha teimosa — uma falha discreta entre a barra e o desenho central — e uma linha vertical que ficou a mais. Pequenos vestígios do percurso.

    Com o Natal a aproximar-se e, querendo experimentar os linhos 32ct e 36ct, iniciei um pequeno esquema natalício para o centro de mesa de Natal, da Stacy Nash, tendo adquirido já outros esquemas em pdf para bordar, indo participar no seu workshop de Natal, para o qual já adquiri as linhas.

    Neste meu novo percurso pelo ponto de cruz, conheci o trabalho da Brenda Gervais e adorava bordar um dos seus esquemas, mas só está disponível nos Estados Unidos, pode ser que venha a estar na The Stitchery Sisters, onde adquiri algumas linhas para o GH 1857. O blogue da Brenda Gervais é uma inspiração, tendo pequenos projetos de ponto de cruz com acabamentos e apresentação final original e de muito bom gosto.

    Simultaneamente tive de acelerar o processo do Calendário do Advento, tendo já tudo preparado para adicionar os detalhes finais, após terminar o bindingDezembro aproxima-se, e com ele esta sensação reconfortante de criar, ponto a ponto, algo que acompanha a vida.

    Quando a minha Inês estava de Erasmus, em Itália, enviei-lhe esta árvore de Natal para ter uma, no seu pequeno e partilhado apartamento.

    * 3 formas de fazer ponto de cruz

    quarta-feira

    Bonecos de malha e remendos

      

    O Tsutsu veio até Portugal para uma cirurgia, após um ataque de traças. Consultei o livro Darning e vídeos tendo optado por seguir um tutorial da minha primeira professora de malha, encontrando-se o Tsutsu totalmente recuperado. 

    Fui apanhando uma malha lateral em cada carreira, tricotando a última malha de cada carreira junto com a malha lateral

    Chegando ao topo utilizei a técnica que costumo utlizar nas biqueiras e algumas costuras de ombros, 

    Mas o Tsutsu teve de levar um penso, como o Vasco gosta de fazer nas feridas. Fiz com um hexágono do EPP do quilt The Prince e com um tecido com uma pinha, porque a avó Sofia vive num pinhal, como alguns ursos.

    Ao remendar o Tsutsu apercebi-me que tinha fio Vovó suficiente para tentar fazer um colete para o Francisco. Adquiri o esquema da Sandra, Agasalhos e Bugalhos, fiz pesquisas nos meus livros de Fair Isle e escolhi um esquema a três cores, utilizando fios que tinha em casa.



    A raposa, finalmente, está terminada para ir fazer companhia à coruja Amarela, nome escolhido pelo Vasco.



    No jardim a raposa calçou os sapatos e apertou o colete


    O novelo que o Vasco escolheu na visita a uma das minhas lojas favoritas, The Craft Company, também já foi transformado num gorro, escondido no saco da raposa.

    Juntos prontos para viajarem!

    Além da roupa interior, escova de dentes, artigos de higiene pessoal, um livro e um projecto de agulhas, penso que é tudo o que preciso de colocar na mochila para viajar, uma vez mais, até casa da minha filha expatriada.

    (Infelizmente deixei passar o prazo para solicitar votação antecipada, mas este país precisa de uma mudança radical e urgente, caso contrário a minha geração investiu na formação da geração mais nova que está a procurar melhores soluções de vida além-fronteiras, deixando famílias divididas, as crianças cedo têm de lidar com sentimentos de saudade e os  pais e avós da minha geração têm de aprender a lidar com a ausência de afectos presenciais, sendo a maioria trocada por mensagens e vídeo chamadas. Espero que o futuro mude, caso contrário ainda vamos viver a fase de uma velhice solitária, sem bons profissionais de saúde, governados por incompetentes egoístas! Vou ficar por aqui, porque política não é algo com que desperdice o meu tempo. Foi só um desabafo momentâneo, um grande parentese!)

    segunda-feira

    Mudança de planos

    No quarto dos netos onde me encontro muitas vezes com as agulhas na mão

    Planos são isso mesmo, apenas planos! No meu caso são uma forma de listar os materiais adquiridos e de levar a bom porto os investimentos que faço. Assim que saiu o painel de Natal da Jo, sabia que queria fazer. Adquiri o kit e juntei-lhe mais uns quantos tecidos que tinha em casa. Acreditei que conseguiria fazer a tempo do Natal de 2022, mas há tanta coisa boa na vida em que tropeço no caminho que percorro, que o traçado de um plano, rapidamente sofre desvios. Em Julho retomei o Calendário do Advento a pensar que terminaria para este Natal mas, entretanto, outros projectos chamam por mim. Irei dar prioridade ao que quero fazer para os netos para eles desfrutarem enquanto têm idade para isso. Por vezes atrasar um ano os modelos que gostaria de oferecer aos netos, significa que quase já não faz sentido. Como tal, vou iniciar We are family e adiar o painel de natal para 2024, pois um Calendário do Advento fará sempre sentido terminar em qualquer altura e, sempre que quiser treinar a aplicação de tecidos ou desafiar a criatividade em termos de bordado, posso sempre regressar a este painel que me tem permitido experienciar novas técnicas.

    Em termos de malha tenho tentado usar o que tenho em casa, tendo terminado o colete Galanta,da Carol Feller. Iniciei uns bonecos que há muito tempo estavam na minha lista de coisas que quero fazer e um cardigan, Cloud Peak, da Joji Locatelli, para usar a alpaca da Drops, uma das minhas primeiras aquisições, quando regressei à malha.

    Enquanto aguardava a chegada dos novelos em falta, para iniciar os bonecos, fui tecendo mais quadrados para a manta da Carol Feller.

    Estes são os planos do momento. Será que os vou manter?! Estou constantemente a ser aliciada pelo que me rodeia. Ontem foi o filme que revi, The Guernsey Literary & Potato Peel Pie Society que me fez ter imensa vontade de regressar ao patchwork. Adoro este filme, frases e pensamentos maravilhosos, de uma intensa sensibilidade, campo inglês e desta vez mais atenta a detalhes, como as colchas de patchwork. Deu-me uma certa nostalgia, porque tinha começado a rever este filme na última visita à minha filha expatriada. Mergulhada nestas ondas de nostalgia só me apetece fazer os bonecos para os netos e patchwork para embelezar a casa para as próximas visitas. 

    Esperar  para ver o que farei nos próximos tempos!