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domingo

3 formas de fazer ponto de cruz!*

Recentemente tomei consciência da minha ignorância em relação ao ponto de cruz, apesar de ter horas a fio de ponto de cruz, feito a preceito (ao estilo dinamarquês) e convencida que era a única forma de bordar! Afinal havia um mundo inteiro por descobrir.

Através da Rebecca descobri, a Periwinlke Stitcher, com quem aprendi num vídeo, outras formas de fazer o ponto de cruz. Também acrescentei mais algum conhecimento ao que sabia sobre linhos. Passei anos a bordar kits de Samplers Antigos, sempre guiada por instruções precisas, e por isso nunca tive necessidade de estudar linhos, contagens ou agulhas. 

Com as partilhas da Sian,Periwinkle, voltou a minha vontade de retomar o ponto de cruz mas com outro olhar, mais curioso, mais técnico, mais consciente. No Ano Novo iniciarei o GH 1857, participando, deste modo num Stitch Along, com a Sian (iniciou em Novembro, mas só terei as linhas quando a minha  filha expatriada vier no Natal).


Já tenho o linho escolhido para este sampler, onde o azul (do olhar do meu pai) é a cor predominante e o ponto de cruz trazem-me à memória as muitas horas ao lado do meu paizoco —  sempre presente nas pequenas coisas do meu dia a dia. Ele ao computador, paciente, a ajudar-me a melhorar a definição de esquemas; eu impaciente, desejosa de começar a bordar.

A ânsia de retomar o ponto de cruz e dos novos desafios levaram-me a tentar terminar um bordado que ficou esquecido, vítima de erros para os quais, na altura, não tive paciência. A idade, ensinou-me a ter calma e premiou-me com a certeza de que vale a pena persistir naquilo onde já investimos tempo e dinheiro. Corrigi quase tudo, menos uma linha teimosa — uma falha discreta entre a barra e o desenho central — e uma linha vertical que ficou a mais. Pequenos vestígios do percurso.

Com o Natal a aproximar-se e, querendo experimentar os linhos 32ct e 36ct, iniciei um pequeno esquema natalício para o centro de mesa de Natal, da Stacy Nash, tendo adquirido já outros esquemas em pdf para bordar, indo participar no seu workshop de Natal, para o qual já adquiri as linhas.

Neste meu novo percurso pelo ponto de cruz, conheci o trabalho da Brenda Gervais e adorava bordar um dos seus esquemas, mas só está disponível nos Estados Unidos, pode ser que venha a estar na The Stitchery Sisters, onde adquiri algumas linhas para o GH 1857. O blogue da Brenda Gervais é uma inspiração, tendo pequenos projetos de ponto de cruz com acabamentos e apresentação final original e de muito bom gosto.

Simultaneamente tive de acelerar o processo do Calendário do Advento, tendo já tudo preparado para adicionar os detalhes finais, após terminar o bindingDezembro aproxima-se, e com ele esta sensação reconfortante de criar, ponto a ponto, algo que acompanha a vida.

Quando a minha Inês estava de Erasmus, em Itália, enviei-lhe esta árvore de Natal para ter uma, no seu pequeno e partilhado apartamento.

* 3 formas de fazer ponto de cruz

sexta-feira

Ragamuffin 2: mais um entre os muitos projetos que quero bordar

Materiais reunidos para muitos anos. Um pequeno excesso, sem dúvida! Um arrependimento? Nem por isso. Escolher o primeiro projeto será, talvez, o maior desafio.

O meu recente regresso ao ponto de cruz tem-me deixado fascinada pela História. Estudar Samplers antigos e reproduzi-los é uma nova forma de olhar para o ponto de cruz.

Gosto de romances históricos e de policiais, acompanhando entusiasticamente o trabalho dos detetives.Talvez por isso me tenha rendido novamente ao ponto de cruz. Cada Sampler antigo levanta perguntas e convida à investigação. Gosto de acompanhar esse trabalho de pesquisa, de seguir o percurso de quem investiga essas pistas e de descobrir as pequenas histórias que delas emergem, quase como numa investigação policial. Esta nova dimensão do ponto de cruz é a que mais me tem interessado, talvez porque puxa mais pelo cérebro, uma preocupação que é uma constante no meu dia a dia.

Claro que tenho colecionado materiais para iniciar projetos que nada têm de histórico, como é o caso dos da Brenda Gervais, pelos quais fui atraída pelo equilíbrio das cores e do desenho, bem como pelas frases, cujo significado me diz bastante.


Escolhi alguns desses projetos para os novos quartos da casa que, finalmente, começo a sentir que é minha. Deixou de ser apenas a Casa no Pinhal para passar a ser a nossa casa Entre a Serra e o Mar.

Mas não me fiquei pela Brenda Gervais. Tenho ainda um esquema com uma frase da Jane Austen e muitos outros, sobretudo em formato digital. Uma verdadeira loucura, mas não resisto. Acabo por me deixar influenciar — ou, talvez mais justamente, inspirar — pelos Flosstubes que acompanho.


Como as obras da casa se atrasaram, sinto-me, talvez por isso, mais tentada a dedicar-me a projetos que contam uma história e me transportam ao passado do que a projetos pensados para o presente. Parece que preciso de algo mais do que apenas bordar para a casa; preciso de desafios maiores, de novas aprendizagens e de estimular o cérebro.

Andando perdida, sem saber por onde começar, vou esperar pelos linhos que a minha filha me vai trazer. Depois, juntas, escolheremos o projeto — ou os projetos — a iniciar.

De Samplers históricos, estou a participar no SAL GH 1857. Quero também participar no da Hannah Whitaker, bordar para o quarto dos netos o Sampler da Beatrix Potter e, mais recentemente, adquiri mais um esquema quaker: Ragamuffin 2.

Imagem copiada da loja onde se pode adquirir o esquema

Este último distingue-se por fugir aos tradicionais medalhões quakers*. Adorei as cores pastel, a simplicidade do rebordo e o aspeto rendado do alfabeto, bordado em Algerian Eye, podendo também ser executado em Double Cross Stitch ou seguindo um tutorial que encontrei no youtube.

Para este modelo ainda não tenho nem linhas nem linho. Talvez opte por linhas DMC, para ficar mais em conta, atendendo aos meus gastos — ou, melhor dizendo, aos meus investimentos recentes. 

Escrevo para arrumar ideias, guardar informações a que quero voltar, exercitar a escrita e, já agora, conservar esta imagem que retirei de um vídeo da Jackie. Daqui a algum tempo, sei que será mais fácil recordar por que razão este modelo me chamou a atenção e o que me inspirou quando decidi incluí-lo na lista dos projetos que gostaria de bordar.

O estado de estar completamente absorvido num projeto de ponto cruz, felizmente alheio ao mundo exterior e às suas preocupações triviais - pausa mental, respiro cognitivo, fuga ao stress

Hoje passei o final da tarde, uma vez mais, presa ao ecrã. Vi, na Netflix, o filme A Head Full of Honey. Não o escolhi por acaso. Fui atraída pela relação do avô com a neta, que vislumbrei no trailer do filme, e, como tenho pensado mais no meu Paizoco, quis compreender um pouco melhor o que é viver com Alzheimer, embora isso me deixe sempre angustiada. Lembrei-me da tarde em que juntos ouvimos músicas do seu tempo. Sabia todas as letras e cantou, fazendo a minha mãe feliz outra vez. Vi o filme fazendo malha. Chorei, ri, voltei a estar com o meu Paizoco e voltei a sentir medo. Muito medo de um dia vir a ter Alzheimer e de sentir o meu cérebro transformar-se, lentamente, numa pasta de mel. Fica a questão: será que, se esse dia chegar, a leitura do meu blogue me poderá ajudar? Juntamente com o "Calendário da Gratidão", com todas as memórias que fui guardando em papel e com todos os pontos que fui tecendo e bordando com as minhas agulhas!

*Nota: recentemente descobri, nas minhas pesquisas, a ligação dos Quacker à família Cadburry.

domingo

Preencho o vazio do tempo, ponto a ponto, pensando a casa como refúgio e herança emocional



Depois da pausa da Páscoa, da partida dos expatriados e do regresso ao ritmo das aulas, preenchi a mente — e um caderno de apontamentos — com projetos para tornar a nossa casa mais acolhedora, um refúgio e herança emocional. Uma casa com espaços pensados para cada um, personalizada com peças bordadas ou costuradas por mim, para que um dia as herdem e eu permaneça, de alguma forma, em todas as casas.
Capa do caderno de notas bordada e feita por mim, há uns anos. Entretanto já caíram as missangas do bordado!

Valfenda, refúgio élfico , um lugar de descanso, sabedoria e cura- um verdadeiro porto seguro, o que explica porque a expressão Last Homely House é tão evocativa para quem pensa a casa como refúgio e herança emocional
 

Tenho grandes planos de renovação para a casa, mas sinto-me de mãos atadas pela falta de profissionais disponíveis para trabalhar em obras de remodelação. Enquanto espero vou registando ideias e afinando as escolhas de materiais. 

Mas as mãos estão livres para bordar — e é isso que tenho feito. Vou iniciar o segundo esquema da  Loose Feathers Series — For the Birds, embora ainda não tenha concluído o primeiro esquema It's Spring Time. O título do segundo esquema, The Light Upon The Lawn, foi inspirado num poema de Emily Dickinson,  A Light Exists in Spring.


A Light exists in Spring
Not present on the Year
At any other period –
When March is scarcely here
A Color stands abroad
On Solitary Fields
That Science cannot overtake
But Human Nature feels.
It waits upon the Lawn,
It shows the furthest Tree
Upon the furthest Slope you know
It almost speaks to you.
Then as Horizons step,
Or noons report away
Without the Formula of sound,
It passes, and we stay –
A quality of loss
Affecting our content
As Trade had suddenly encroached
Upon a Sacrament.

Esta semana será dedicada The Light Upon the Lawn. Os azuis, verdes, cremes/beges deste projeto são muito semelhantes às do SAL, GH 1857, em que estou a participar. Não estou a seguir a sequência proposta mensalmente, sem disciplina alguma, vou bordando onde sinto curiosidade de ver surgir determinado desenho e jogo de cores. Finalmente tenho um bastidor de pé, o que me dá imenso conforto e permite-me estar horas a fio a bordar.


Adquiri o pdf para não me enganar nos símbolos das cores, algo que aconteceu logo no início. Não fui a única a enganar-me e a sugestão do pdf li no grupo do SAL.