sexta-feira

Vidas cor-de-rosa

Aqui, na blogosfera (mas mais no Facebook) as vidas são cor-de-rosa. Sejamos verdadeiros, a Vida NUNCA é cor de rosa. Claro que todos gostamos mais de ler sobre as coisas boas da vida, mas não nos devemos deixar iludir pelas vidas virtuais!
Confesso que a minha vida não é cor de rosa, embora me sinta abençoada pela Vida, pois tenho sempre um lugar para ir e alguém para amar.
Uma vida verdadeiramente vivida, em que nos entregamos aos outros, pode ser um caminho ladeado de rosas, o que não é o mesmo que ser cor-de-rosa. Embora as rosas seduzam com o seu aroma, cativem com a sua cor, magoam com os seus espinhos. Por muito cuidado que se tenha, caminhando numa estrada ladeada de rosas, inevitavelmente por vezes  arranhamo-nos, picamo-nos... O importante é aprender que tudo faz parte da Vida.
Tento seguir uma estrada no sentido da Felicidade! Nem sempre com um passo seguro, mas sigo em frente.

quinta-feira

Bordando umas calças de ganga - #1

Comecei por pensar num desenho. Foi fácil, pois  há muito tempo que queria bordar cornucópias na roupa. Lembrava-me de uns desenhos que arranjei, numa das minhas visitas à "Trapos e Rendas" e fiquei toda satisfeita quando me apercebi não só que tinha o desenho ideal, como também que a minha memória estava em forma!
Na impossibilidade de utilizar a minha caixa de luz, recorri ao papel químico Pelikan, para transferir o desenho.

Para mim, um desenho bem traçado e com boa definição, é meio caminho para o bordado sair bem. Recorrendo a uma caneta que adquiri recentemente na livraria Barata, seguindo o conselho de uma colega do meu curso de bordados, defini melhor o traço. Não sendo uma caneta para este efeito, serve perfeitamente pois o traço sai com o calor do secador de cabelo! Podem escolher a grossura do bico, conforme o tipo de tecido e a cor, por isso recomendo vivamente!
caneta pilot frixion ball
A etapa seguinte, a escolha das cores, dá-me imenso gozo!
Tendo a colecção completa das cores da D.M.C, torna-se uma etapa demorada e de difícil escolha. Mas tenho sempre a oportunidade de mudar de ideias enquanto bordo.

Finalmente, comecei a bordar!
(nota: todos os pontos remetem para vídeos explicativos da Mary Corbet. É só clicar nos respectivos nomes)
Comecei pelo contorno de uma das cornucópias, a ponto caseado, a duas cores, de um e outro lado do risco, ficando os pontos intercalados.
Passei para o traço central, com o ponto de cadeia "duplo".

Passei para as folhas, que adaptei do desenho, já que as instruções era de aplicar aqui missangas, o que não é aconselhável numas calças de ganga, para serem muito usadas e sujeitas a numerosas lavagens! Preenchi a folha bordando o ponto pé de galo muito junto, contornei a ponto pé de flor e salientei o centro com o mesmo ponto, mas numa cor mais viva, amarelo.
Bordada a primeira cornucópia passei para a segunda. Entretanto mudei de ideias e repensei as cores, para não ficarem exactamente iguais.

A segunda foi mais difícil bordar, pois tive a Sushi que, ronronando, reclamava mimos e atenção!
 
 Cheguei a mudar de mesa, mas não resultou!

 Voltarei com a segunda cornucópia.
Fiquem bem!

terça-feira

...

Um dia a lágrima disse ao sorriso: "Invejo-te porque vives sempre feliz." O sorriso respondeu: "Enganas-te, pois muitas vezes sou apenas o disfarce da tua dor."

segunda-feira

Tarte de framboesas

O meu filho está sempre a pedir-me para lhe fazer uma tarte que, um dia, inventei era ele pequenino. O problema é que quando se inventa, anos mais tarde é impossível repetir, por isso inventei de novo (porém, desta vez,  fica aqui o registo)!
Fiz a base da tarte de limão e de quase todas as minhas tartes doces:
  • 1 pacote de bolacha Maria esmigalhada
  • Aproximadamente 150 gr de manteiga.
Forrei a tarteira e deitei, directamente sobre a base da tarte, uma lata de leite condensado. Aprendi esta técnica, de não sujar loiça, num encontro de bordadeiras luso brasileiras. Nesse encontro a receita de uma tarte de laranja, é que me deu ideias de como fazer esta tarte de framboesas.
Ao leite condensado juntei 3 gemas.
Por cima deste preparado coloquei framboesas,  bem lavadas e escorridas.
Bati as 3 claras em castelo, adicionando açúcar, para fazer suspiro. Cobri a tarte com uma fina camada do preparado de suspiro e levei ao forno. Apesar de ser uma camada fina, "afundou" no leite condensado. Para a próxima primeiro levo ao forno a tarte sem suspiro, para ganhar consistência! 
Finalmente foi  arrefecer no frigorífico. 
Como a tarte, das memórias e sonhos do meu filho, levava chocolate,  servi com um chocolate quente, como quem serve um semifrio.


Enquanto se deliciavam os meus filhos partilharam connosco algumas das suas memórias, tentando chegar às suas memórias mais antigas. O António confessou:
"No dia em que a Mãe fez a "tal" tarte pela primeira vez, eu fiz mais uma das minhas birras para comer a sopa. Sabia que a Mãe não ia ceder, por isso, apesar de ter levado muito tempo a comer a sopa, parei com a birra e comi toda só para comer a tarte da Mãe! Esta está boa, mas gostei mais da outra. A base da tarte era forrada com o chocolate e a Mãe na altura disse que tinha feito mal, porque o chocolate ficou duro. Eu gostei foi do "erro" da Mãe, daquela camada de chocolate tão difícil de cortar!"
Que pena ter feito um esforço para evitar cair no mesmo erro, "erro" que o António tanto gostou!Um forro de  chocolate tão duro que, recordo-me de não o conseguirmos cortar e de termos recorrido à ajuda do martelo de cozinha!

Cuidado com aquilo que desejam!

Sou Mãe, de 3 filhos, com idades muito próximas! Sinceramente, houve dias que eles davam comigo em doida e eram educados! Mas ser criança é brincar, correr, cantar, esgotar as Mães. Tive dias em que desesperei farta do trabalho da casa, das corridas entre escolas, parque infantil, natação e catequeses, finais de dia a vigiar estudos, tirar dúvidas, recapitular matérias para os testes, verificar o material e equipamento para educação física, depois de deitados ainda ia sorrateiramente verificar tudo uma vez mais, para não lhes roubar a sensação de autonomia. Na primária, ao deitá-los, a mais velha gostava de ler sozinha, já a do meio criava os seus contos mas sempre comigo a fazer perguntas. Se me calava ela logo dizia "Não sei o que aconteceu ao meu cavalo branco voador! Não sei para onde me levou!". Ao mais novo tinhamos de lhe ler as histórias. Às vezes  saltava linhas, inventava e lia na diagonal, ouvia logo, "Mas a história não é assim!". Eu ansiava por descanso e tentava encurtar o momento do deitar! Chegavam os fins de semana e em vez de descansar eram preenchidos com actividades escuteiras, passeios e visitas "culturais", sem um bocadinho para recuperar o fôlego para a semana seguinte. Quando chegava o tempo de banhos de mar, lá ia eu, gelada até aos ossos para os vigiar, até ao dia que decidi colocá-los a todos no bodyboard. Nessa altura, quantas e quantas vezes, desejei que os meus filhos crescessem, para serem mais independentes. Hoje são todos maiores, embora "não vacinados"! De uma casa sempre cheia, dias totalmente preenchidos com e para eles, passei para uma nova fase, à qual estou a ter uma certa dificuldade em adaptar-me! O silêncio invade a minha casa, mais vezes do que gostava de confessar. Pior, é preenchido por um enorme vazio. Para evitar a solidão, que às vezes toma conta de mim, dedico-me à culinária.
Hoje fiz bolachas de manteiga de amendoim, com pepitas de chocolate, receita que copiei da culpa é das bolachas.


Enquanto amassava a massa, moldava as bolas e carimbava-as, os meus pensamentos estavam com os meus filhos: uma bolacha para agulosa da Madalena, que fez hoje o seu último exame; uma bolacha para dar energia ao António, mais logo durante o seu último exame; uma bolacha para a Inês que voltou depois de uma ausência de uma semana...E pensando neles sentia-me "acompanhada".  Com carinho fiz  "com eles "uma "montanha" de bolachas!

Pensar que um dia desejei esta tranquilidade, até parece mentira!

domingo

Alentejo

Terra que lava a alma!
Portada do quarto
Bordei...
A Sushi, ronronando, interrompe o meu bordado assim que mudo o bastidor de zona!
Mudei de mesa e a Sushi foi ter comigo!
Booki aguarda adopção responsável, aqui a pedir o suplemento de leite
 Caminhei...






Sobreiro à luz do entardecer
Tricotei...

quarta-feira

Scottish Tapestries

Depois da aventura de bordar um dos painéis da Scottish Diaspora Tapestry, fiquei com imensa vontade de ir até à Escócia, para ver a Scottish Diapora Tapestry e a Great Tapestry.
Tenho andado a estudar a Escócia através da leitura de livros e de blogues, os melhores sítios a visitar, onde ficar, como me deslocar...
Para quem já esteve na Escócia, fica um apelo a sugestões/ dicas!
Para já ficam algumas fotografias do painel bordado em Lisboa.
Canutilho, bordado de Guimarães
ponto pé de flor Português
Ponto frouxo, do Bordado de Castelo Branco
Crivo fingido, Bordado de Castelo Branco
"velhinhas" do Bordado de Castelo Branco (ponto da esquerda)
Ponto torcido, do Bordado de Castelo Branco (ponto da esquerda)
Ponto pé de galo, do Bordado de Castelo Branco (ponto da direita)
 

Matiz, do Bordado de Castelo Branco
ponto grilhão
 Nos diversos encontros, foram bordados todos os contornos a ponto pé de flor; os rios e "vinho" a cadeia. A escolha dos pontos do painel de Lisboa, tornou-o assim mais simples permitindo a participação de muitas bordadeiras, até por crianças da minha Escola!
No nosso último encontro, tivemos o privilégio de ver o painel do Porto, muito rico em pontos, bordado pelo grupo da Méri.
 O nosso painel, tal como o do Porto, foi acompanhado com um livro da "agulha não pica" autografado por todas as participantes desta aventura na ponta da agulha.
 Tudo isto graças à Gabi, da "agulha não pica", que descreveu os bordados aqui, no blog feeling stitch.