terça-feira

Dia da bordadeira

livro para escolher letras se escrever o meu nome

Linho 40ct

Na ânsia de acabar o Ned Neddles, ia deixando passar o Dia da Bordadeira! Felizmente, ao final do dia, depois da caminhada com os cães, ainda houve tempo para iniciar o S de Sampler, que neste caso será o S de Sofia. Ainda não sei se substitua a palavra “Sampler” pelo meu nome, se opte pelo ano ou se a deixe em branco. Gostei muito de trabalhar no linho de 40 ct com fio de seda Soie 100.3. Feita a experiência, resta agora escolher, entre os projetos que já tenho, aquele para o qual vou adquirir fio de seda.

Ontem, ao final do dia, enquanto regava, o som da água trouxe-me à memória os verões em Pedras e o som da rega nos relvados. Hoje, ao chegar a casa no regresso da visita à minha mãe, foi o ruído das pinhas a estalar que fez soar o sinal de alerta de que o Verão está a chegar. E, como habitualmente, ao contrário da maioria das pessoas, apesar das férias vou ter menos tempo para as minhas agulhas. Pus-me a refletir na minha ambiciosa lista de projetos para Maio e pensei que ainda bem que não fiz compras precipitadas, porque iniciar grandes projetos quando o Verão está a chegar só me iria trazer frustração e ansiedade por ter de os colocar de parte. Não é isso que pretendo. Quando escolho o que quero bordar, há sempre uma intenção. Uma delas é pensar no projeto final, onde o quero colocar ou a quem o quero oferecer, para além dos momentos de calma e prazer que as agulhas me proporcionam. Por isso, não posso iniciar nada que queira ver concluído em breve para a minha casa, visto que, no Verão, não bordo assim tanto!  — muito menos quando preciso da lupa para bordar! Sim, porque os materiais da minha eleição nos dias de hoje são muito diferentes dos de há 30 anos, ou mais, e os meus olhos também não são os mesmos. Bordar em linho de 36 ou 40 fios é muito diferente do material dos kits de ponto de cruz de há 30 anos.

Tudo faz parte das aprendizagens da vida. Aprendi a esperar pelo momento certo para cada projeto e a compreender que há estações que me oferecem mais tempo para bordar, enquanto outras me convidam a construir e a colecionar memórias, a fazer pausas e a abraçar novos ritmos.

Nota: Molduras em estudo




quarta-feira

Como se cada ponto pudesse guardar um pedaço de tempo

Sou fã da Beatrix Potter desde que fui mãe. Gostaria de ter participado no Workshop realizado recentemente em Hill Top com a Nicki F., mas não me foi possível, já que ainda não estou reformada. Assim encontrei uma forma de me ligar a este universo: através das linhas, do linho e das agulhas.

Tenho ainda um kit da Nicki, inspirado nos contos da Beatrix Potter por bordar, embora confesse que ainda não ganhei coragem para pintar o linho. 

À falta de coragem para pintar o linho, pensei em bordar um esquilo da Stacy Nash — afinal, era a alcunha da minha filha Madalena, nascida em Maio. 

Entretanto, e quase por coincidência, ouvi a Nicole conversar com a Sarah sobre uma das suas visitas a Hill Top, onde viu o Quaker Sampler* que se encontrava no quarto de Beatrix Potter. 

Numa teia de linhas que unem designers, decoradoras, historiadoras e curiosas, cheguei ao vídeo da Kathleen Littleton enquanto estudava um quaker sampler (o da fotografia) que me levou a um outro vídeo da Jackie, Comfort Stitch. A Jackie fez, igualmente, referência ao sampler associado a Beatrix Potter, mas que não foi bordado por ela  o que me fez deixar em suspenso a ideia de o bordar.

Tudo isto para dizer que o plano para este mês será, finalmente, tentar bordar o esquilo, Miss Hazel, a que quero juntar o pequeno Ouriço (o da fotografia) a quem resolvi chamar Ned Nedlees, à conta da leitura durante a viagem que fiz, e uma raposa para assinalar a visita inesperada de uma ao jardim da minha filha, enquanto jantávamos.

Nos trabalhos em curso, quero tentar avançar com a casa do GH1857 e iniciar o terceiro bordado do projeto Loose Feathers, já que inclui um gato — igualmente apropriado para um mês que pretendo dedicar aos animais que ganharam vida e personalidade nas histórias da Beatrix Potter.

Claro que os planos não ficam por aqui!

Se a ambição derrubar a disciplina, gostava de começar um sampler da Nicole, da Hands Across the Sea. O mais sensato seria iniciar um projeto pequeno, e tenho dois Samplers na minha lista o da Sarah Spencer 1870 e o da Sarah  Fletcher 1841. Mas o atrevimento fala mais alto e sou sempre atraída por grandes desafios: sinto vontade de bordar o sampler Queen of the May, do ano passado — precisamente o ano em que retomei a paixão e dedicação pelo ponto de cruz. Atrai-me por ser a Rainha de Maio, pelo simbolismo ligado ao mês de nascimento da minha expatriada, e também pelos cisnes e flores. Por outro lado, há o sampler de Mary Wales Newson 1838, o SAL deste ano. Gosto particularmente do facto de não ter letras, de ser trabalhado em tons de verde — cores que combinarão com o novo quarto — e da sua ligação a Belgravia, em Londres. 

Olhando para os planos para Maio dá para perceber que penso no que quero bordar  como se cada ponto pudesse guardar um pedaço de tempo e lugar.

Com uma lista interminável de projetos aos quais gostaria de me dedicar, resta-me aprender a conciliar o entusiasmo com o tempo real que tenho para as minhas agulhas.

Felizmente, o meu tempo não é só preenchido ao ritmo das agulhas. Nos últimos dias, entre risos de netos, conversas demoradas, retoques na casa que se faz lar e celebração de mais uma volta ao Sol da minha filha Madalena, o tempo deixou de ser contagem para se tornar presença. 

Tolkien, escreveu sabiamente que tudo o que realmente podemos decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. Talvez seja essa a verdadeira sabedoria da vida: aceitar que não controlamos a duração dos dias, mas podemos escolher a forma como os enchemos. E eu escolho preenchê-los com afetos, com memórias que não cabem em relógios, porque o tempo, afinal, não se mede pelas horas que correm, mas pelos momentos que permanecem. Aqui guardo esses momentos em fotografias e tento guardá-los em cada ponto que faço, como se o próprio tempo pudesse ser tecido com as mãos e transformado em memória viva.

Consegui terminar a camisola para estrear a 9 de maio. A minha filha vestiu a camisola Teru que lhe ofereci há algum tempo
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Ida ao teatro ver a peça Tortoise and the Hare 


Levar e ir buscar os netos à escola

 Passeámos por Chelsea onde nos foi possível ver as floristas, e não só, a preparem as montras para o Chelsea Flower Show 2026

Explorámos o Chelsea Physic Garden. Na minha lista de bordados que quero fazer está um com Snowdrop. Não fazia ideia que pode ser utilizada para combater Alzheimer






Antes de irmos buscar os netos à escola fomos lanchar ao Museu V&A


Notas complementares da IA:

  • Hill Top Farm: Beatrix Potter comprou esta quinta em 1905, no Near Sawrey, usando os lucros dos seus primeiros livros. Tornou-se o seu refúgio e o cenário de muitas das suas histórias.
  • Influência Quaker: Embora Potter tenha nascido numa família unitarista, muitos dos seus ideais de preservação da natureza e vida simples ressoavam com os princípios Quakers. O seu marido, William Heelis, que conheceu em 1909, trabalhava como notário em transações de terras, ajudando-a a adquirir e proteger vastas áreas do Lake District.
  • As instituições de ensino ligadas à Sociedade dos Amigos (Quakers) que estavam ativas na região durante a vida de Potter eram: Stramongate School (Kendal): Localizada em Kendal (a cerca de 20 km de Hill Top), esta foi uma das escolas Quakers mais famosas da época. O cientista John Dalton foi lá professor. Era um centro de excelência educativa que Beatrix Potter certamente conhecia, dado o seu envolvimento ativo na sociedade local e a proximidade geográfica. Brookfield School (Wigton): Também conhecida como Wigton School, ficava mais a norte em Cumbria. Fundada em 1815, funcionou durante todo o período em que Potter residiu no Lake District como uma escola de internato baseada nos valores de "verdade, justiça e tolerância". Beatrix Potter era uma figura respeitada por estas comunidades devido ao seu trabalho como conservacionista, protegendo milhares de hectares de terra que hoje pertencem ao National Trust.
  • segunda-feira

    Rendas por Música

     












    Descobri uma verdadeira relíquia do passado durante a minha estadia na Quinta. Encontrei um registo de amostras de rendas feitas com duas agulhas e fiquei verdadeiramente feliz, pois considero que tem muito mais valor para mim do que o livro que procuro há uma eternidade. Um dia quero dedicar-lhe o tempo e o estudo que merece, explorando cada detalhe e adaptando estas ideias aos meus próprios trabalhos de malha.

    Capela do Museu da Vista Alegre, visitei no dia 3 de Maio e penso que a renda deve ser uma renda por música, mas não estou certa!

    Há algo de especial em recuperar saberes antigos e dar-lhes uma nova vida através das nossas mãos. Talvez este seja apenas o início de um novo projeto…

    Abril mês das casas




    Tenho a ideia de que me mudei para esta casa em abril — penso até que foi no dia 1. Lembro-me de ter brincado com o trocadilho: “Até parece mentira!”

    Nem de propósito, dediquei todo o mês de abril a bordar, em ponto de cruz, casas dos projetos que tenho em curso. O objetivo — infelizmente falhado — era terminar o bordado destinado à biblioteca da minha filha, como forma de agradecimento pelo presente do Dia da Mãe.

    Não consegui concluí-lo a tempo, mas tomei uma decisão: não vou começar mais nenhum projeto enquanto não terminar o bordado para a minha filha Inês. Há trabalhos que pedem tempo e, sobretudo, coração.

    É de coração cheio que guardo na memória o fim de semana do Dia da Mãe, oferecido pela minha filha Inês e pelo meu filho (genro) Luís. Deixo aqui, ainda que incompleto, um registo fotográfico que não consegue traduzir a alegria destes dias e a concretização de um fim de semana que há muito que queria fazer.

    Foram momentos de felicidade, mas também de coração apertado pela perda da minha filha, que celebrava o seu primeiro Dia da Mãe após a partida da sua bebé.

    Num misto de emoções, ficam as memórias e a certeza de que há laços que permanecem para sempre.





    Workshop de pintura na Museu/Fábrica da Vista Alegre



    No regresso do fim de semana, já na tarde do Dia da Mãe, tive ainda a felicidade de conseguir passar algum tempo com a minha mãe e os meus irmãos.